Segundo novos diálogos, Dallagnol tentou investigar de Toffoli

Para o procurador, o ministro começava a dar indícios de que poderia frear os trabalhos da Operação Lava Jato

Em novos diálogos obtidos pelo The Intercept Brasil e publicados pela Folha de São Paulo, o procurador Deltan Dallagnol teria encorajado colegas do Ministério Público a investigarem o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli.

Para Dallagnol, o ministro começava a dar indícios de que poderia frear os trabalhos da Operação Lava Jato.

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O coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba teria buscado informações sobre as finanças de Toffoli e da esposa, inclusive na Receita Federal. A razão da procura era encontrar algo que ligasse a família do ministro às empreiteiras investigadas nos casos.

Por chat no Telegram, o procurador perguntou a colegas: “Caros, a OAS trouxe a questão do apartamento do Toffoli?, questionou. O promotor Sérgio Bruno Cabral Fernandes respondeu: “Que eu saiba não. Temos que ver como abordar esse assunto. Com cautela”.

Em julho de 2016, representantes da OAS negociavam um acordo de delação premiada com a força-tarefa. Os advogados contaram aos procuradores que a empreiteira tinha participado de uma reforma da casa de Toffoli. Apesar de o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, ter dito à época que não havia nada de errado, o caso despertou o interesse dos procuradores.

Duas semanas depois, Deltan teria procurado o chefe de gabinete do procurador-geral Rodrigo Janot à época, Eduardo Pelella. Dallagnol queria repassar informações que mostravam Toffoli como sócio de um primo em um hotel no Paraná. “Queria refletir em dados de inteligência para eventualmente alimentar vocês”, disse.

Em outra ocasião, o coordenador da força-tarefa em Curitiba teria perguntado ao assessor de Janot se ele conseguiria descobrir o endereço do apartamento de Toffoli que havia sido reformado. O que foi informado alguns dias depois.

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Deltan estava nesta “missão” contra Toffoli pelo fato de o ministro ter mantido, por meio de decisão, as investigações sobre a Eletronuclear longe de Curitiba. A soltura do ex-ministro Paulo Bernardo após a prisão pela Lava Jato, em São Paulo, também teria causado revolta entre os procuradores.

Clima de tensão

Após a publicação da reportagem, o ministro Gilmar Mendes saiu em defesa de Toffoli, acusando os procuradores da Lava Jato de serem responsáveis pelo vazamento das mensagens. Mendes classificou o caso como abuso de autoridade.

Procurada, a força-tarefa da Lava Jato informou que é dever encaminhar à PGR informações sobre autoridades com direito a foro especial, uma vez que procuradores não podem investigar ministros do Supremo.

“É comum o intercâmbio de informações para verificar, em caráter preliminar, supostos fatos de que o Ministério Público tenha conhecimento”, afirmou a Lava Jato, em nota encaminhada ao jornal.

Os integrantes do Ministério Público procurados pela reportagem não quiseram comentar o caso. O ministro Humberto Martins disse que sempre decidiu contrariamente aos interesses da OAS e estranhou a citação na delação.

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