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Afinal, pra quem é a punição?

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A punição estabelecida pelo Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos do Rio, em caráter liminar, na última sexta-feira (17), levantou uma antiga polêmica existente no futebol brasileiro. Afinal, como punir os vândalos que se transvestem de torcedores e causam caos nos espetáculos esportivos no país?

A decisão do juiz Guilherme Schiling determina que os clássicos entre clubes do Rio de Janeiro passarão a ter torcida única. Com isso, a semifinal da Taça Guanabara, a ser disputada no dia 25 de fevereiro, entre Flamengo e Vasco, caso venha a ser jogada na capital fluminense, deverá ter apenas torcida do Flamengo, já que o Rubro-negro teve melhor campanha que o Gigante da Colina, durante o torneio.

E a pergunta que fica é: quem está sendo punido com a decisão, o brigão ou o torcedor “de bem” que não poderá acompanhar a partida nas arquibancadas? Para quem decidiu não importa, a decisão quer fazer com que as calamidades deixem de existir. Mas será suficiente? Eu acredito que não.

Vamos lembrar o motivo que gerou a decisão: um torcedor do Botafogo foi morto após confronto entre as torcidas do Alvinegro e do Flamengo, nas imediações do estádio Engenhão, na Zona Norte da cidade. Não foi dentro do estádio. Não que a possibilidade de haver confusão nas arenas não exista, claro que existe. Mas, atualmente tais ações têm sido cada vez mais evitadas.

A dificuldade maior tem sido controlar o ímpeto de selvageria dos torcedores fora dos estádios. Por incompetência das autoridades? Também acredito que não. O futebol, apenas acompanha o reflexo de uma sociedade violenta existente no Brasil. Aqui se mata, por intolerância racial, sexual, religiosa, esportiva… Motivos os vândalos encontram aos montes, o que precisa ser feito é encontrar as formas corretas de evita-los.

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Eu sinceramente ainda não sei qual é essa receita mágica, mas não acredito que seja punindo o torcedor comum junto aos bandidos vestidos de torcedores. Mas também não acho absurdo o ato exagerado escolhido pelo Poder Judiciário do Rio. Acho até que ainda há risco de ocorrer uma nova tragédia, como a que tirou a vida do torcedor do Botafogo, no clássico contra o Flamengo. Pois, ainda estamos a mercê de leis que não punem estes marginais.

As brigas ocorrem, as mortes também, não se identificam os criminosos, certas vezes alguns até são presos, mas acabam liberados após um passagem rápida nas delegacias. Então, cobremos quem pode e deve nos ajudar neste caso, o Poder Legislativo, que precisa criar leis eficazes de punir quem usa o esporte como forma de barbárie, e paremos de punir o torcedor que quer apenas ver o seu time em campo.

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