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Saúde e Bem Estar

Os novos rumos da fé

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Impulso primário de todas as pessoas, a fé nos leva a procurar explicações para o nosso papel no mundo. Ela está na origem das religiões, da crescente confiança na ciência, e ajuda a humanidade a superar as mais severas adversidades

“Andar com fé eu vou / Que a fé não costuma faiá”, diz a canção de Gilberto Gil. Exposto dessa forma simples está um dos impulsos básicos da humanidade, que ajuda a encontrar um sentido ao longo da vida, dos momentos mais simples aos mais complicados. Nos últimos meses, a crise econômica, política e moral do Brasil, a queda do avião da delegação da Chapecoense na Colômbia, as demonstrações de intolerância e racismo, a ameaça ambiental, tudo isso torna a fé um artigo de primeira necessidade.

A maioria de nós associa fé à religião, mas essa ligação não é precisa. No livro Estágios da Fé, de 1981, James W. Fowler III, professor de teologia e desenvolvimento humano na Universidade Emory (EUA), afirma que a fé surge desde o nascimento, como forma de criar um senso de ordem em meio ao caos do mundo. “A fé (…) capta as condições supremas da nossa existência, unindo-as em uma imagem compreensível à luz da qual moldamos nossas respostas e iniciativas, nossas ações”, explica.

Gregory Popcak, professor adjunto de sociologia e teologia da Universidade Franciscana de Steubenville (EUA), detalha o tema: “Tendemos a usar palavras como ‘fé’, ‘espiritualidade’, crença’ e ‘religião’ alternadamente e, em geral, não há nada de errado nisso. Mas para quem estuda a psicologia da religião, essas palavras têm significados diferentes.” De acordo com Popcak, a fé antecede as demais. Ela é “o impulso inato de procurar significado, propósito e importância”, que leva cada um de nós a pensar que “existe algo mais que somente eu” e nos impele a descobrir o que seria isso.

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“Todas as pessoas, sejam crentes ou não, procuram o significado, o propósito e a importância que existem na vida, nos relacionamentos e nas coisas que ocorrem para elas. Reconhecemos esse esforço básico como ‘fé’, e ele é uma parte universal do ser humano. Mesmo os ateus possuem esse tipo de fé.” Esse impulso nos faz persistir diante das dificuldades, como dizia o cardiologista e ex-ministro da Saúde Adib Jatene. “O oposto do medo não é a coragem, é a fé”, repetia ele. “As pessoas precisam acreditar. Isso é o que faz com que elas tenham força.”

Matar o buda

Segundo Popcak, a crença vem na esteira da fé e está associada às verdades que a pessoa assume como consequência de sua jornada particular, as quais podem envolver aspectos espirituais e religiosos. Como todos nós temos a possibilidade de evoluir ao longo da vida, as experiências se acumulam e podem transformar nossas crenças. Por isso, é saudável, tratando-se de crescimento interior, manter uma postura de dúvida nessa área.

Era o que recomendava Sidarta Gautama, o Buda, quando disse: “Se você cruzar na rua com o Buda, mate-o”. Em vez de ater-se permanentemente a um conjunto de princípios, personificado por esse Buda externo com que se poderia cruzar na rua, é preferível viver as próprias experiências, refletir sobre elas e extrair suas conclusões – um processo de constante atualização.

Em geral, a fé leva a pessoa a algum tipo de religião, mas não se deve descartar outras direções. Um estudo publicado em julho de 2016 na revista Personality and Individual Differences, feito por Olga Stavrova, Daniel Ehlebracht e Detlef Fetchenhauer, da Universidade de Colônia (Alemanha), mostrou a ascensão da fé no progresso tecnológico e científico como fator de satisfação na vida e de boas expectativas para o futuro.

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Os entrevistados que manifestaram fé na tecnologia e na ciência ou em uma religião eram os que se diziam mais satisfeitos com a vida. Essa conexão se mostrou positiva e significativa entre os adeptos em ciência e tecnologia em 69 de 72 países avaliados. A fé religiosa teve comportamento similar em 28 desses países.

Os pesquisadores descobriram ainda que os fãs da ciência e da tecnologia não tendem a descartar a religião, o que indica que as duas vertentes podem coexistir. Isso ocorre apesar de o pensamento analítico, ligado à ciência, e o empático, relacionado às religiões, acionarem circuitos neurais diferentes no cérebro que, enquanto trabalham, relegam o “oponente” a segundo plano (leia no texto “Circuitos diversos” ao final a reportagem).

A ideia é reforçada por um levantamento apresentado por Baruh Aba Shalev no livro Religion of Nobel Prize Winners, de 2003: 89,5% dos vencedores do Prêmio Nobel entre 1901 e 2000 se disseram adeptos de uma religião e 10,5% se declararam ateus, agnósticos ou livres-pensadores. Seguir uma religião, assim, não impede ninguém de ser um ótimo cientista.

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Perda e luto

Embora a morte seja o desfecho natural da vida, os falecimentos inesperados são os mais chocantes e os que mais demandam a capacidade de superação das pessoas. Apesar das evidências no sentido de que falhas humanas causaram a queda do avião da Chapecoense, o fato de que todos os que estavam ali viviam ou acompanhavam o momento de glória maior do time catarinense, a caminho de sua primeira final em um torneio continental, deixa uma marca profunda.

Assimilar o impacto de eventos como esse é um dos testes mais exigentes para a fé de qualquer um. Hal French, professor de psicologia da religião na Universidade da Carolina do Sul (EUA), conta que sua enteada, que sobreviveu aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 em Nova York, reconfortou-se na família para seguir adiante. Sobreviventes das bombas atômicas jogadas sobre Hiroshima e Nagasaki em 1945 lhe disseram que encontraram consolo na natureza e na floração anual das cerejeiras. Outras pessoas nessas circunstâncias, porém, reagem de forma diferente, e o abalo na fé pode fazer as feridas demorarem mais a cicatrizar.

“A fé ajuda nessas situações, porque quanto mais a pessoa se afasta da materialidade, mais tem possibilidade de apoiar algo transcendente”, diz a jornalista Cynthia Almeida, que, com amigas da imprensa e da publicidade, criou o site Vamos Falar sobre o Luto (vamosfalarsobreoluto.com.br). “É muito melhor para a pessoa acreditar que a vida não se extingue com a materialidade. No site, trabalhamos para todos que tenham ou não fé religiosa e procuramos indicar que existe algo a mais: a pessoa querida não deixa de existir porque se foi. A morte tira só a presença física, mas a história, o amor, as experiências seguem.”

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A importância de falar

Impulsionada pela mídia e pelas redes sociais, a queda do avião da Chapecoense mobilizou uma rede de apoio nos quatro cantos do mundo. Essas demonstrações de fé solidária, cujo ápice foram as cerimônias nos estádios da Chapecoense e de Medellín, na Colômbia, ajudam na transição dos impactados pela tragédia para o estágio no qual os agora ausentes permanecerão vivos nas lembranças. “É importante falar sobre a pessoa amada que partiu, porque isso nos mantém próximos dela. A dor não expressada nos consome”, observa Cynthia.

A união de fé e solidariedade também pode ser vista em crises econômicas e sociais. Daniel L. Chen, da Universidade de Chicago (EUA), flagrou esse aspecto em um estudo de 2010, publicado no Journal of Political Economy, ao analisar como muitos indonésios se juntaram em grupos de estudo do Alcorão e em escolas islâmicas em busca de suporte emocional e de recursos durante a grave crise de 1997-1998 no país. Além do vigor religioso notado, as redes sociais formadas ajudaram os mais pobres a obter crédito e proporcionaram aos participantes uma espécie de seguro social antes inexistente.

Wafa Hakim Orman, professora associada da Universidade do Alabama (EUA), observou um processo de certo modo similar nas crises americanas da agricultura, nos anos 1980, e imobiliária, em 2007. A fé, assim, tem de ser cultivada como uma ferramenta básica na travessia da vida que não dispensa a autorreflexão sobre as experiências por que passamos, porque é com a ajuda dela que evoluímos. Era a esse equilíbrio que o filósofo polonês Alfred Korzybski se referia quando disse: “Há duas formas de passar facilmente pela vida: acreditar em tudo ou duvidar de tudo. Ambas nos livram de pensar”.


Circuitos diversos

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O cérebro trata mesmo de forma diferente os pensamentos voltados para a ciência e a religião, indica um estudo americano divulgado em março de 2016 na revista PLOS ONE. A conclusão reforça uma pesquisa anterior, feita com imagens de ressonância magnética funcional, que revelara a existência de redes neurais separadas para o pensamento crítico e o comportamento social.

Essas duas redes frequentemente criariam tensões entre si, uma tentando dominar a outra. Quando o pensamento crítico ou analítico é mais necessário, a rede social (ou empática) é reprimida; já situações que requerem empatia ou relacionamentos pessoais “empurram” a rede analítica para o segundo plano. Como resultado de interações sociais ou culturais, as religiões acionam mais a rede empática do que a analítica.

Pesquisadores da Case Wester University (EUA) liderados pelo professor associado de filosofia Anthony Jack realizaram oito experimentos nos quais dividiram os voluntários em dois grupos: religiosos e não (ou pouco) religiosos. Os cientistas notaram que quanto mais empática se mostra a pessoa, maior é a tendência de que ela seja religiosa. Mas isso não indica que a inteligência está necessariamente associada à ausência de religiosidade, alertam os pesquisadores: segundo vários estudos, os cientistas que consideram haver um conflito constante entre a ciência e a religião são franca minoria.


Antídoto para o luto

Francisco: os mortos “estão nas mãos boas e fortes de Deus” (Foto: iStockphoto)
Francisco: os mortos “estão nas mãos boas e fortes de Deus” (Foto: iStockphoto)

De acordo com o papa Francisco, a fé é o remédio para restituir a esperança das famílias que se encontram em situações de dor como o luto. “A perda de um filho ou de uma filha é como se o tempo parasse. Abre-se um buraco que engole o passado e também o futuro”. Casos de mortes súbitas, como na queda do avião que transportava a delegação da Chapecoense, na Colômbia, deixam muitas vezes as pessoas sem explicação para a sua dor, e isso pode levá-las a colocar a culpa em Deus.

Mas Francisco lembra que a morte não detém a última palavra, e conscientizar-se disso é um verdadeiro ato de fé. “Na fé, podemos nos consolar um com o outro sabendo que o Senhor venceu a morte de uma vez por todas. Nossos entes queridos não desapareceram na escuridão do nada. A esperança nos assegura que eles estão nas mãos boas e fortes de Deus.”

 

Eduardo Araia

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Saúde e Bem Estar

Fiocruz vai entregar 100,4 milhões de doses da vacina de Oxford ao SUS neste semestre

O diretor do laboratório Bio-Manguinhos, que produz as vacinas informou que a eficácia da vacina de Oxford é de 70,4%, chegando até 82% após a segunda dose

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O diretor do laboratório Bio-Manguinhos, que produz as vacinas da Fiocruz em escala industrial, Maurício Zuma, afirmou que o órgão terá capacidade de produzir 1,3 milhão de doses diárias e entregará até 100,4 milhões de doses no primeiro semestre deste ano. A explicação aconteceu um encontro entre o diretor e a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), em encontro para debater a vacina Oxford/AstraZeneca, na noite desta quarta-feira (20)

Na audiência pública, Zuma destacou que o laboratório foi escolhido pela AstraZeneca para fazer a produção, distribuição e incorporação da tecnologia da vacina de Oxford devido à sua infraestrutura, capacidade e experiência acumulada em 44 anos. Ele citou a eficácia de 70,4%, que sobe até 82% após a segunda dose, e a segurança da vacina Oxford na prevenção da Covid-19, ao alegar que não houve nenhum caso grave ou hospitalização dos voluntários que tomaram a vacina, a qual necessita de armazenamento entre 2ºC e 8ºC, a mesma da rede de frios do SUS.

Ainda de acordo com Zuma, as instalações estão prontas para receber da China o Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), necessário para produção das doses do imunizante. Por contrato de transferência de tecnologia, o IFA será totalmente produzido em Bio-Manquinhos no segundo semestre, adiantou o diretor.

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Oportunidades

Emocionada, a presidente da Comissão, deputada Arlete Sampaio (PT), disse que são “as nossas instituições públicas que vão salvar o País”, ao acrescentar que “é muito triste perceber tantas oportunidades que estão sendo prejudicadas por uma visão míope e negacionista”.  Por sua vez, o deputado Leandro Grass (Rede) agradeceu aos cientistas, pesquisadores e funcionários do Bio-Manguinhos e da Fiocruz pelo esforço para salvar vidas. Ele enfatizou que a transparência do campo científico deveria estar na base do governo nas negociações entre laboratórios e instituições. Para Grass, “não dá para o DF ficar a reboque do governo federal”, ao contrário, deveria acelerar as tratativas para adquirir lotes de vacina. Também relatou a “situação dramática” pela qual passa o País o deputado Fábio Felix (PSOL), presidente da Comissão Especial de Vacinação da CLDF. Ele conclamou os pares a uma manifestação coletiva para que o governo do DF tenha uma atuação mais firme no processo de vacinação. Nesse sentido, o deputado Rodrigo Delmasso (Republicanos), que é relator da Comissão Especial de Vacinação, anunciou que a União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale) criou hoje (20) um comitê de acompanhamento das vacinas no intuito de defender a autonomia dos estados para adquirir as vacinas diretamente dos laboratórios.

Esforços coordenados

Ao responder aos questionamentos feitos pelos parlamentares, Maurício Zuma opinou que os esforços dos estados e do DF devem ser coordenados com o programa nacional de imunizações para que não haja dificuldades e complicações quanto à farmacovigilância, devido às diferenças entre as tecnologias das vacinas e os espaçamentos entre as doses, entre outras variáveis.

Ele esclareceu ainda que a AstraZeneca é a empresa responsável pela remessa do IFA ao Brasil e o atraso no envio desta matéria-prima, nesta semana, se deveu à burocracia. Por outro lado, ele acredita que até o final de abril cerca de 50 milhões de doses serão entregues ao Ministério da Saúde, conforme o planejado.

Também participaram da audiência a presidente do Conselho de Saúde do DF, Geovânia Rodrigues; a presidente da Associação dos Odontólogos de Brasília, Luciana Bezerra; o presidente do Sindicato dos Médicos do DF, Gutemberg Fialho, entre outros representantes de entidades da área.

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Coronavac

Arlete Sampaio anunciou que a CESC debaterá, ainda neste mês, a CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório SinoVac em parceria com o Instituto Butantã. Segundo a Secretaria da Saúde, o DF recebeu, até o momento, 106.160 doses da vacina Coronavac, que vão imunizar cerca de 53 mil pessoas.

Com informações da CLDF

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Com 95,8% de recuperados, DF tem 6.642 casos ativos de coronavírus

Do total de 267 mil casos, 4.452 (1,7%) faleceram em decorrência de complicações causadas pelo vírus e 256.246 (95,9%) estão recuperados

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O Distrito Federal (DF) registrou, nas últimas 24 horas, 834 novos diagnósticos de covid-19. Desde o início da pandemia, 267.340 pessoas já foram infectados na capital e, nesta quinta-feira (21), 6.642 casos estão ativos.

As regiões com mais casos confirmados são Ceilândia (30.201), Plano Piloto (24.271) e Taguatinga (21.660). Já em relação às vítimas fatais, as cidades com mais óbitos são Ceilândia (786), Taguatinga (447) e Samambaia (344). Nas últimas 24 horas foram registrados 840 recuperados e 10 óbitos, sendo que, deste total, nenhum faleceu neste período.

Do total de 267 mil casos, 4.452 (1,7%) faleceram em decorrência de complicações causadas pelo vírus e 256.246 (95,9%) estão recuperados. Do total de óbitos, 4.067 eram moradores do DF e 385 de outros estados.

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Com relação ao local de residência dos casos, 233.973 (87,5%) residem no DF e 21.164 (7,9%) residem em outras Unidades Federadas (UF), sendo que os municípios do entorno respondem pela maior proporção dos casos de outras UF.

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Saúde: Brasil registra 1.316 mortes por covid-19 em 24h, total chega a 214.147

No mesmo intervalo, foram registrados 59.119 casos do novo coronavírus, elevando o total de registros da doença no País para 8.697.368

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O Brasil registrou 1.316 novas mortes por covid-19 nas últimas 24 horas, segundo dados atualizados nesta quinta-feira, 21, pelo Ministério da Saúde. Com isso, o total de óbitos pela doença no País chega a 214.147.

No mesmo intervalo, foram registrados 59.119 casos do novo coronavírus, elevando o total de registros da doença no País para 8.697.368.

A região Sudeste chegou nesta quinta a um total de 3.115.007 casos de covid e 98.878 mortes pela doença. O Nordeste tem 2.075 026 registros da infecção e 50.265 óbitos. O Sul contabiliza 1 588.087 casos confirmados e 25.475 mortes. O Centro-Oeste tem 960.070 registros da covid-19 e 19.228 óbitos. O Norte do País chega nesta quinta a 959.178 casos e 20.301 mortes pelo novo coronavírus.

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O Estado do Amazonas, que vive uma crise no sistema de saúde em razão do aumento dos casos e mortes pela covid-19 e da falta de oxigênio em muitos hospitais, registrou nas últimas 24 horas 159 mortes e 2.202 novos casos da doença. Ao todo, o Estado contabiliza 241.182 registros de covid e 6.757 mortes.

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Empresas investem em extração de gases do efeito estufa do ar

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Nasa anuncia descoberta de dez novos planetas parecidos com a Terra

Cada vez mais empresa investem em tecnologias capazes de remover o dióxido de carbono da atmosfera. No entanto, pesquisadores alertam que a tecnologia é bastante onerosa e não deve servir de salvo-conduto para que essas corporações continuem a gerar emissões.

Parte dos métodos para a remoção do dióxido de carbono da atmosfera consistem no uso de ventiladores e de agentes químicos. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas apoiado pelas Nações Unidas estima que as nações precisarão remover entre 100 bilhões e 1 trilhão de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera, ainda neste século.

O alto custo acaba se tornando um empecilho para o uso das tecnologias em larga escala, já que o preço médio é de US $ 600 por tonelada de carbono removido. A intenção é que os investimentos iniciais possam ajudar a baixar os preços para algo mais palatável para, ao menos, US $ 100 por tonelada.

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A Occidental Petroleum e a United Airlines estão investindo em uma tecnologia de ventiladores e agentes químicos para remover o dióxido de carbono da atmosfera e injetar no subsolo.

A Stripe e a Shopify, duas empresas de comércio eletrônico, pretendem gastar US $ 1 milhão por ano em técnicas de remoção de carbono. A Microsoft também anunciará um plano para remover 1 milhão de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera.

Riscos

De acordo com a especialista em tecnologia da Universidade da Pensilvânia, Jennifer Wilcox, “a remoção de carbono não deve ser vista como um salvo-conduto.” Ela ressalta que as promessas de remoção do dióxido de carbono por meio da tecnologia ainda são incertas e não devem servir como justificativa para não cumprir com os cortes das emissões.

Devido a isso, as empresas devem, primeiramente, focar seus esforços em reduzir suas emissões com mudanças, como a utilização de energia renovável e a melhoria da eficiência energética.

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Na maioria das vezes, é mais fácil evitar as emissões do que retirar o dióxido de carbono depois de sua difusão na atmosfera.

Segundo especialistas, em alguns casos o plantio barato de árvores para compensar as emissões pode gerar o mesmo efeito dos gastos com tecnologia de captura direta de ar – mesmo que esta última seja uma solução mais durável.

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Covid-19: DF registrou 620 novos casos nas últimas 24 horas

Nas últimas 24 horas foram registrados 1.000 recuperados e 6 óbitos, sendo que, deste total, nenhum faleceu neste período

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Covid-19: Brasil registra 7.110.434 casos e 1.092 mortes

O Distrito Federal (DF) registrou, nas últimas 24 horas, 620 novos diagnósticos de covid-19. Desde o início da pandemia, 266.506 pessoas já foram infectados na capital e, nesta quarta-feira (20), 6.658 casos estão ativos.

As regiões com mais casos confirmados são Ceilândia (30.137), Plano Piloto (24.165) e Taguatinga (21.602). Já em relação às vítimas fatais, as cidades com mais óbitos são Ceilândia (784), Taguatinga (447) e Samambaia (344). Nas últimas 24 horas foram registrados 1.000 recuperados e 6 óbitos, sendo que, deste total, nenhum faleceu neste período.

Do total de 266 mil casos, 4.442 (1,7%) faleceram em decorrência de complicações causadas pelo vírus e 255.406 (95,8%) estão recuperados. Do total de óbitos, 4.060 eram moradores do DF e 382 de outros estados.

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Com relação ao local de residência dos casos, 233.224 (87,5%) residem no DF e 21.096 (7,9%) residem em outras Unidades Federadas (UF), sendo que os municípios do entorno respondem pela maior proporção dos casos de outras UF.

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Saúde alerta estados e municípios sobre importância do Plano Nacional de Vacinação

O país tem, neste momento, 6 milhões de doses do imunizante disponibilizado pelo Instituto Butantan e que foram distribuídas pelos estados

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O Ministério da Saúde tem alertado estados e municípios sobre a necessidade de se seguir o Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19. Embora os governos e as prefeituras locais tenham autonomia na distribuição das vacinas, a Pasta destaca para a necessidade de seguir as orientações estipuladas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI), que prevê ciclos de vacinação de acordo com os grupos prioritários definidos em estudos populacionais.

Por meio de ofício, encaminhado nesta terça-feira (19), o Ministério alertou o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass) e Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasem) que é imprescindível que todas as unidades de saúde da Federação cumpram as diretrizes para que o país tenha doses suficientes para imunizar com as duas doses previstas este primeiro ciclo da campanha de vacinação e garanta uma imunização eficaz no país.

O Brasil conta, neste momento, com 6 milhões de doses do imunizante disponibilizado pelo Instituto Butantan e que foram distribuídas pelo Ministério da Saúde aos 26 estados e o Distrito Federal, de forma proporcional e igualitária. Esse quantitativo atenderá, em esquema vacinal de duas doses, aproximadamente 2,8 milhões de pessoas, com meta de vacinação de 90% para cada grupo prioritário em todo país.

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Nesse primeiro ciclo de aplicação de doses, serão contemplados profissionais de saúde, idosos acima de 60 anos institucionalizados, portadores de deficiência com mais de 18 anos institucionalizados e indígenas aldeados. A campanha e os grupos contemplados serão escalonados de acordo com a disponibilidade de doses da vacina contra a Covid-19.

As informações são do Ministério da Saúde

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Cerca de15,5 mil doses de vacina contra Covid-19 são destinadas para o Entorno do DF

Os municípios de Goiás e Minas Gerais receberam os medicamentos, na última segunda-feira (18)

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Cerca de 15,5 mil doses da vacina Coronavac foram destinadas para cidades do Entorno do Distrito Federal. Os municípios de Goiás e Minas Gerais receberam os medicamentos, na última segunda-feira (18).

No estado goiano, nove cidades foram contempladas com as doses. Os municípios são: Águas Lindas, Formosa, Luziânia, Valparaíso de Goiás, Cabeceira, Água Fria de Goiás, Vila Boa, Vila Propício e Mimoso de Goiás. As quatro primeiras localidades receberam mais de mil doses do imunizante. Já para as outras regiões, foram destinadas entre 25 e 50 doses da vacina Coronavac.

Em Minas Gerais, as cidades contempladas são: Unaí, Buritis, Arinos e Cabeceira Grande. A distribuição no estado mineiro fica a cargo da Regional de Saúde.

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Fiocruz diz que só deve entregar primeiras doses da vacina em março

A promessa anterior, feita no final de dezembro, era concluir o primeiro lote do imunizante por volta de 8 de fevereiro

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A Fiocruz prevê que só deve entregar no início de março as primeiras doses da vacina de Oxford/AstraZeneca produzidas no Brasil, já que a chegada de insumos da China atrasou. A promessa anterior, feita no final de dezembro, era concluir o primeiro lote do imunizante por volta de 8 de fevereiro.

O novo cronograma consta em um ofício da fundação encaminhado nesta terça-feira (19) ao Ministério Público Federal (MPF), que desde dezembro acompanha as estratégias de vacinação contra a doença. A informação foi adiantada pelo jornal Estado de S. Paulo e confirmada pelo MPF à reportagem.

O documento, assinado pelo diretor do Instituto Bio-Manguinhos, Mauricio Zuma Medeiros, foi uma resposta a um ofício do órgão que questionava sobre as datas de entrega das 2 milhões de doses prontas que serão trazidas da Índia e da outra parcela que será processada no Brasil pela Fiocruz.

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A previsão da fundação é que o IFA (ingrediente farmacêutico ativo) –material necessário para fazer a vacina produzido por uma parceira da AstraZeneca na China– chegue no próximo sábado (23), mas ainda é necessária confirmação. A importação, que inicialmente estava prevista para dezembro, depende da liberação do país asiático.

A Fiocruz diz que ainda será preciso mais de um mês para o fornecimento das vacinas, já que, depois de produzidas com o IFA, as doses ainda terão que passar por testes de qualidade. Estima-se que esses testes levem 17 dias, somados a mais 2 dias de análise pelo INCQS (Instituto Nacional de Controle da Qualidade em Saúde).

Isso se o insumo chegar no dia previsto e o produto tiver resultados satisfatórios no controle de qualidade. Caso contrário, o prazo pode se esticar.

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Brasil tem dia com mais de mil mortes por Covid e mais de 60 mil casos

De acordo com os dados coletados até as 20h, a média de mortes nos últimos sete dias é de 969. O valor da média representa um aumento de 34% em relação ao dado de 14 dias atrás

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O Brasil registrou 1.183 mortes pela Covid-19 e 63.504 casos da doença, nesta terça-feira (19). Dessa forma, o país chega a 211.511 óbitos e a 8.575.742 pessoas infectadas pelo Sars-CoV-2.

Os dados do país são fruto de colaboração inédita entre Folha de S.Paulo, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia do novo coronavírus. As informações são coletadas diretamente com as Secretarias de Saúde estaduais.

O jornal Folha de S.Paulo também divulga a chamada média móvel. O recurso estatístico busca dar uma visão melhor da evolução da doença, pois atenua números isolados que fujam do padrão. A média móvel é calculada somando o resultado dos últimos sete dias, dividindo por sete.

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De acordo com os dados coletados até as 20h, a média de mortes nos últimos sete dias é de 969. O valor da média representa um aumento de 34% em relação ao dado de 14 dias atrás.

Norte e Sudeste apresentam aumento da média móvel de mortes em comparação com os dados de 14 dias atrás. Respectivamente, o crescimento é de 126% e 50%. As demais regiões se encontram em estabilidade. Alagoas, Amazonas, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo, Sergipe e Tocantins apresentam alta na média móvel em relação ao dado de 14 dias atrás. O maior aumento ocorreu no Amazonas, com 252%.

Amapá, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima e Santa Catarina têm estabilidade na média móvel de óbitos, o que não significa uma situação de tranquilidade.

Acre, Ceará, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Paraná tiveram queda da média móvel de mortes. O Acre teve a maior queda, de 29%.

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A iniciativa do consórcio de veículos de imprensa ocorre em resposta às atitudes do governo Jair Bolsonaro (sem partido), que ameaçou sonegar dados, atrasou boletins sobre a doença e tirou informações do ar, com a interrupção da divulgação dos totais de casos e mortes. Além disso, o governo divulgou dados conflitantes.

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Anvisa aprova pedido da Fiocruz para importar 2 milhões de doses de vacina de Oxford

O pedido havia sido feito pela Fiocruz no dia 31 de dezembro, e foi aprovado pela agência na mesma data

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A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou neste sábado (2) que aprovou um pedido de importação excepcional de 2 milhões de doses já prontas da vacina contra Covid-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford e farmacêutica AstraZeneca, conhecida como vacina de Oxford.

O pedido havia sido feito pela Fiocruz no dia 31 de dezembro, e foi aprovado pela agência na mesma data. A medida, no entanto, ainda não permite que a vacina seja aplicada.

Segundo a Anvisa, isso ocorrerá assim que houver registro da vacina ou aval para uso emergencial, o que ainda não foi solicitado. A Fiocruz pretende fazer o pedido nos próximos dias.

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No ofício enviado à agência para importar as 2 milhões de doses, a Fiocruz alega como objetivo tentar antecipar o início da vacinação no Brasil com esse imunizante para ainda neste mês. Atualmente, a vacina de Oxford é a principal aposta do governo brasileiro para a imunização contra a doença.

Na prática, a estratégia iniciaria com essas doses iniciais, importadas, enquanto a Fiocruz, que tem uma parceria com a AstraZeneca, começaria a produção das demais 100 milhões de doses previstas em acordo com a farmacêutica —e cuja entrega é prevista para ser iniciada em fevereiro e concluída ao longo do primeiro semestre.

A informação do pedido feito à Anvisa foi divulgada inicialmente pela revista Veja, e confirmada pela Folha. No mesmo documento, a fundação informa que deve entrar com pedido de aval para uso emergencial da vacina na próxima semana.

Segundo fontes que acompanham o processo, a articulação para tentar antecipar a obtenção de doses da vacina de Oxford começou ainda no início de dezembro. Inicialmente, a AstraZeneca informou que haveria disponibilidade de 1 milhão de doses. Recentemente, porém, foi feito o acerto para possível entrega de 2 milhões de doses —o que dependia do aval da Anvisa.

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“Com importante apoio do Ministério da Saúde, vimos buscando junto à empresa AstraZeneca Brasil, com quem mantemos contrato de encomenda tecnológica para produção nacional da vacina, meios para recebermos vacinas prontas, ainda no mês de janeiro. (…) Essas tratativas lograram êxito e teremos à disposição o quantitavo de dois milhões de doses a serem entregues em janeiro”, informava o ofício enviado pela Fiocruz à Anvisa, e assinado pelo presidente em exercício da fundação, Mario Santos Moreira.

Em nota em que divulgou o aval, a Anvisa informa que, como se trata de uma importação de vacina que ainda não foi aprovada, a entrada no país deve seguir algumas condições estabelecidas pela agência.

“A principal exigência é que as vacinas importadas fiquem sob a guarda específica da Fiocruz até que a Anvisa autorize o uso do produto no país. Para isso, a Fiocruz deve garantir as condições de armazenamento e segurança para manutenção da qualidade do produto. Na solicitação recebida pela Anvisa, a indicação é que as vacinas cheguem ao país em janeiro”, diz a Anvisa.

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Segundo a agência, as vacinas devem ser entregues pelo Serum Instute of India, parceiro tecnológico da Fiocruz e um dos centros de produção da vacina de Oxford.

Essa é a segunda vez que a Anvisa aprova um pedido de importação excepcional de vacinas contra a Covid. Em outubro, a Anvisa aprovou um pedido semelhante feito pelo instituto Butantan para importar 6 milhões de doses de vacinas da empresa chinesa Sinovac, que tem uma parceria com o laboratório paulista.

Naquela ocasião, no entanto, a aprovação levou cerca de um mês para ocorrer –o que levou a críticas do Butantan de que havia demora da Anvisa para fazer análise. A agência alegou então que faltavam dados no pedido que havia sido enviado pelo instituto.

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A situação acirrou na época a guerra política em torno da vacina, disputa que colocou nos últimos meses o presidente Jair Bolsonaro e o governador paulista João Doria em lados opostos.
Em nota, a Anvisa diz que a autorização do pedido de importação excepcional dada à Fiocruz “é semelhante a outros já analisados e autorizados pela Anvisa, e demostra a prioridade da Agência no tratamento de todos os processos que tratam de produtos para o enfrentamento da Covid-19”.

Nesta sexta (1), a Anvisa informou que finalizou a análise de dados já enviados pela Fiocruz e AstraZeneca sobre a eficácia e segurança da vacina.

Os dados foram enviados por meio do processo de submissão contínua, o qual permite envio antecipado de documentos até que haja pedido de registro da vacina, um dos tipos de aval para que ela possa ser aplicada no país.

A Fiocruz já divulgou que, além do pedido para uso emergencial, pretende entrar com pedido de registro da vacina até o dia 15 de janeiro.

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