Siga o Jornal de Brasília

Saúde e Bem Estar

A ‘globalização’ da poluição afeta a saúde das pessoas em todo o mundo

Brasília de Fato

Publicado

em

poluição

Poluentes gerados num país provocam mortes prematuras em outros

RIO — Com ampla oferta de mão de obra e regulações e infraestrutura que facilitam as exportações, a China e a Índia se transformaram nos maiores centros industriais do mundo. Bens por lá produzidos são distribuídos por todo o planeta, assim como a poluição. Um estudo que será publicado na edição desta quinta-feira da revista “Nature” mostra que da mesma forma que as mercadorias, os poluentes em suspensão circulam entre regiões distantes, carregados pelas correntes atmosféricas, espalhando os males por eles provocados a áreas afastadas dos centros industriais.

Pesquisadores da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, utilizaram modelos para estimar a mortalidade prematura relacionada com a poluição por material particulado fino (PM 2.5) em 13 regiões, que englobam 228 países. O foco foi nos óbitos por doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, câncer de pulmão e doença pulmonar obstrutiva crônica. Das 3,45 milhões de mortes prematuras registradas em 2007, cerca de 12% ou 411.100, foram provocadas por poluentes emitidos em outra região do mundo.

— Isso indica que a mortalidade prematura relacionada com a poluição do ar é mais que uma questão local — disse Dabo Guan, coautor do estudo e professor da Escola de Desenvolvimento Internacional de East Anglia. — Nossos resultados quantificam a extensão da poluição do ar como um problema global.

CONSUMO NUM PAÍS, POLUIÇÃO EM OUTRO

Além disso, os pesquisadores estimaram que 22% das mortes prematuras, ou 762.400, estavam associadas com a poluição gerada na produção de bens e serviços numa região, mas consumidos em outra. Produtos consumidos nos EUA, por exemplo, provocam mortes na China, onde eles foram fabricados. Dessa forma, alertam os cientistas, a economia gerada pelo custo menor de produção em países onde os controles sobre a emissão de poluentes é mais frouxa resulta em perdas de vidas em outros locais.

— O comércio internacional está globalizando a questão da mortalidade provocada pela poluição do ar, por permitir que as atividades de produção e consumo sejam fisicamente separadas — destacou Guan. — Na nossa economia global, bens e serviços consumidos em uma região podem envolver a geração de grandes quantidades de poluentes, e a mortalidade relacionada, em outras regiões.

É lógico que o PM2,5 tem maior impacto na saúde da população local, mas mortes em regiões vizinhas e em áreas mais distantes também são evidentes, pelo transporte intercontinental de poluentes. A poluição gerada na China, por exemplo, provocou 64.800 mortes prematuras em outras regiões, incluindo mais de 3.100 mortes nos EUA e na Europa Ocidental. Por outro lado, o consumo de bens e serviços nos EUA e na Europa está relacionado com mais de 108.600 mortes prematuras na China.

Os autores sugerem que a adoção de políticas regionais para regular a qualidade do ar pela imposição de um preço para a emissão de poluentes pode ser eficaz, e em alguns casos os custos de tais políticas poderiam ser compartilhados por consumidores em outras regiões. Entretanto, existem evidências de que indústrias poluentes tendem a migrar para países com regulações mais frouxas, o que provoca uma tensão entre a necessidade de melhorar a qualidade do ar e de atrair investimentos internacionais diretos.

“A melhoria de controle de poluentes na China, na Índia e no resto da Ásia traria uma imenso benefício para a saúde pública naquelas regiões e em todo o mundo, e uma cooperação internacional para apoiar esses esforços na redução da poluição e do “vazamento” das emissões pelo comércio internacional é de interesse global”, dizem os pesquisadores.

Agência O Globo

Continue lendo
Publicidade
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *