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Política e Brasil

Governo mandou produzir cloroquina sem aval do Ministério, diz Mandetta

Redação BDF

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O ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que, enquanto esteve à frente do Ministério, não mandou aumentar a produção de cloroquina, medicamento recomendado pelo presidente Jair Bolsonaro no combate à covid-19. A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou diversas vezes que a droga não tem efeito frente ao novo coronavírus.

A declaração de Mandetta foi dada durante sessão da CPI da Covid nesta terça-feira (4). Perguntado pelo relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL), se a ordem para aumentar a produção da cloroquina, em março de 2020, partiu do Ministério da Saúde, o ex-ministro disse que não, mas assumiu que recomendou o uso compassivo do remédio.

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“A única coisa em relação à cloroquina que o Ministério da Saúde fez, após consulta ao Conselho Federal de Medicina (CFM), era para uso compassivo. O uso compassivo é uma utilização que se faz quando não há outro recurso terapêutico para os pacientes graves em ambiente hospitalar”, explicou Mandetta.

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O ex-chefe da Saúde declarou ainda que a cloroquina é um remédio com baixa margem de segurança caso seja tomado sem monitoramento médico. “Ela [a cloroquina] não é aquela coisa assim: ‘se bem não faz, mal também não faz’. Como todo medicamento, ela tem uma série de reações adversas, de cuidados que têm que ser feitos, e a automedicação com cloroquina e outros medicamentos poderia ser muito, muito perigosa para as pessoas.”

Depois, Mandetta reforçou que não recomendou o aumento da produção do remédio e sinalizou que a ordem não passou pelo Ministério da Saúde. “Provavelmente foi uma determinação feita, na minha época como ministro, à margem do Ministério da Saúde”. O ex-ministro disse ainda que não era necessário aumentar o estoque de cloroquina mesmo se ela fosse ministrada a pacientes com covid.

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“Mesmo porque a cloroquina nos é produzida regularmente para uso a que se convém, que é malária ou lúpus, pela Fiocruz, e nós tínhamos já a quantidade necessária para aquilo que se presta. Ela não é um medicamento difícil de ser comprimido. Nós tínhamos um estoque muito bom de cloroquina para atravessarmos aquele momento no que dizia respeito ao que ela necessitava, mesmo que usássemos para os pacientes de ambientes hospitalares.”

Mandetta também disse que o Ministério não fez nenhum planejamento de distribuição da droga, nem mesmo para indígenas.

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