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Política e Brasil

Bolsonaro admite interferir na eleição da Câmara e retoma reforma ministerial

Mais tarde, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reagiu e afirmou que a interferência do Planalto na disputa legislativa “terá sequelas de qualquer lado”

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) admitiu interferência do Poder Executivo na eleição para o comando da Câmara e disse que “se Deus quiser” vai influir na presidência da Casa.

Para tentar eleger o líder do centrão, deputado Arthur Lira (PP-AL), o Palácio do Planalto tem desde o fiml do ano passado acenado com cargos e emendas –e ameaçado retirar de funções na máquina federal indicados políticos de deputados federais de siglas como MDB e DEM.

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“Viemos fazer uma reunião aí com 30 parlamentares do PSL e vamos, se Deus quiser, participar, influir na presidência da Câmara, com estes parlamentares, de modo que possamos ter um relacionamento pacífico e produtivo para o nosso Brasil”, disse Bolsonaro nesta quarta-feira (27).

Mais tarde, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reagiu e afirmou que a interferência do Planalto na disputa legislativa “terá sequelas de qualquer lado”.

“É um alerta aos deputados e deputadas de que a intenção do presidente é transformar o Parlamento num anexo do Palácio do Planalto, o que enfraquece o mandato de cada deputado e cada deputada e, principalmente, o protagonismo da Câmara dos Deputados nos debates com a sociedade”, afirmou.

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Bolsonaro deu a declaração pela manhã, em live da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) na entrada do Palácio da Alvorada. Foi depois de café da manhã do presidente com parte da bancada federal do PSL, partido pelo qual ele se elegeu em 2018.

No encontro, segundo relatos de deputados presentes, Bolsonaro afirmou que dificilmente Lira perderá a disputa para o deputado Baleia Rossi (MDB-SP), candidato de Maia, e que a vitória do líder do PP será um novo momento para o PSL, que terá mais influência na Casa.

Depois, após visitar o Ministério da Economia, Bolsonaro admitiu a um grupo de jornalistas que tratou das disputas na Câmara e no Senado. As duas eleições estão marcadas para segunda-feira (1º).

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“Foi um encontro político, tratando de eleição de Mesa. Esse pessoal que foi lá é o pessoal que está do nosso lado do PSL”, disse. “Quero participar com eles nesta construção de qual partido nós iremos a partir de março.”

Na reunião, ele mencionou duas opções de siglas: o PTB e o Patriota. Afirmou também que o PSL deve cobrar de Lira um posto na Mesa Diretora, de preferência a primeira vice-presidência. O nome de Bolsonaro para o cargo é o do Major Vitor Hugo (GO).

A interferência de Bolsonaro na disputa legislativa levou Maia a telefonar na terça (26) para o ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos. No telefonema, reclamou da articulação política do Planalto.

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Em uma conversa exaltada, Maia disse a Ramos que estava incomodado com o movimento do governo para gerar defecções no DEM. Disse também que não aceitava interferência e que as investidas do governo precisam ter um fim.
Em resposta, Ramos negou que o Planalto tenha interferido no DEM. Disse que o Executivo tem mantido distância da disputa na Câmara, pois Arthur Lira coordena a própria campanha.

Em entrevista à tarde, Maia reconheceu que se excedeu no telefonema. “Eu já mandei o recado pedindo desculpas pelo meu excesso.”

O presidente da Câmara estimou que o Executivo tenha prometido cerca de R$ 20 bilhões em emendas extraorçamentárias para tentar assegurar apoio a Lira.

“Pela conta que eu fiz e pelo Orçamento que teremos para 2021, pelo que já vi que o governo está prometendo junto com seu candidato, vai dar pelo menos uns R$ 20 bilhões de emendas extraorçamentárias”, disse. “Eu quero saber em que Orçamento para o ano de 2021, com todo problema do teto de gastos, que eles poderão cumprir, se vitoriosos, essa promessa.”

“A cada dia que passa, as pessoas vão vendo que vão acabar sendo enganadas nesse toma lá dá cá”, afirmou. “Vai ser muito difícil tudo que eles prometeram conseguirem encaixar no Orçamento primário.”

Com o avanço de Lira, hoje favorito, Bolsonaro retomou nesta semana as negociações para fazer uma reforma ministerial em fevereiro.

No início do mês, o presidente parou as articulações quando Baleia fechou acordo com partidos de oposição. Com o apoio do PSL a Lira e as defecções no DEM, o presidente afirma que dificilmente o líder do centrão perderá a disputa legislativa e voltou a desenhar um esboço de mudanças na Esplanada dos Ministérios, abrindo mais espaço para partidos do grupo.

As alterações em discussão envolvem até mesmo a chamada cozinha do Planalto, pastas que despacham na sede administrativa do governo.

Uma delas é a transferência da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para a Secretaria de Governo, responsável pela articulação política.

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Bolsonaro avalia que a ministra teve um excelente desempenho nas negociações com a China e a Índia para a liberar insumos e vacinas para o Brasil e considera a necessidade de reaproximação com a bancada ruralista.

Embora seja um dos pilares de sustentação da atual gestão, a frente parlamentar se distanciou do Planalto na crise sanitária. Parte dela chegou a anunciar apoio a Baleia, o que irritou o presidente.

A ideia de Bolsonaro é indicar um dos nomes da bancada, filiado a uma sigla do centrão, para substituir Tereza Cristina na Agricultura.

O presidente considera também remanejar o ministro Onyx Lorenzoni da Cidadania para a Secretaria-Geral da Presidência, abrindo espaço para o centrão. Caso Onyx assuma a pasta, que despacha no Planalto, a ideia é tirar dela a SAJ (Subchefia para Assuntos Jurídicos) e vinculá-la à Casa Civil ou diretamente à Presidência.

Bolsonaro ainda avalia se entregará o Ministério da Cidadania, cobiçado devido à atribuição de coordenar programas sociais, para o Republicanos ou para o PSC, partidos que têm forte relação com igrejas evangélicas.

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Para acomodar as duas siglas, o Planalto estuda novamente desmembrar da Economia e recriar a pasta de Indústria e Comércio. Se levar adiante a proposta, mesmo a contragosto do ministro Paulo Guedes, a ideia é que ela seja entregue ao presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP).

Bolsonaro também avalia como contemplar o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que não conseguiu disputar a reeleição ao cargo. Uma das hipóteses em avaliação é a pasta do Desenvolvimento Regional.
Apesar da pressão pelas saídas de Eduardo Pazuello (Saúde) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores), o presidente tem sinalizado que não fará mudanças por ora.

Bolsonaro, contudo, não descarta trocá-los a qualquer momento caso o desgaste de ambos se agrave. Para a Saúde, é defendido desde o ano passado o nome do líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR), que foi ministro da pasta durante o governo de Michel Temer (MDB). O nome dele chegou a ser citado inclusive em reunião promovida na Casa Civil.

Para o Itamaraty, três nomes são avaliados, dois deles de embaixadores: André Corrêa do Lago, hoje na Índia, e Nestor Forster, nos EUA. O primeiro é neto do diplomata Oswaldo Aranha e ajudou a destravar o transporte das vacinas da Índia.

O segundo conta com o apoio do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente. Com a indicação de um outro embaixador, além de nomear alguém de sua confiança para o cargo de ministro, o presidente sinalizaria ao governo do novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, uma mudança de postura.”

Uma terceira opção em análise é o nome do atual secretário de Assuntos Estratégicos, almirante Flávio Rocha. Além de falar cinco idiomas, o militar já foi enviado pelo presidente para missões diplomáticas no Líbano e na Argentina.

Governista, Arthur Lira resiste a criar CPI da Covid

O líder do centrão e candidato de Jair Bolsonaro à presidência da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) demonstrou resistência à criação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar a gestão do governo federal durante a pandemia da Covid-19.

Lira participou nesta quarta-feira (27) de entrevista da frente parlamentar contra a corrupção. Nas palavras do deputado, também líder do PP na Câmara, a crise sanitária “não pode ser motivo de embates políticos para nós trazermos para discussão traumas de interrupções bruscas democráticas”.

O candidato de Bolsonaro afirmou que qualquer CPI tem que cumprir requisitos, como o mínimo de 171 assinaturas e um “fato gerador claro”, e que “essa situação não seja politizada”.

“Eu condeno a politização da vacina. Todos os brasileiros precisam que essa luta seja feita em conjunto por todos nós”, disse. “Não podemos claudicar nesse momento para que o Brasil aprofunde a crise, porque é um problema mundial”.

“Nós já dissemos ‘fique em casa’, nós já dissemos ‘saia de casa’, nós já dissemos ‘vá quando tiver falta de ar’, nós já dissemos ‘vá aos primeiros sintomas’, nós já politizamos os remédios. Nós não podemos fazer isso”, disse.
Lira pregou harmonia e afirmou que a pandemia exige “muita serenidade. Não é justo tensionar.”

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