Siga o Jornal de Brasília

Política e Brasil

Bolsonaro abre 2021 com nova aglomeração em praia de SP, desta vez dentro d’água

Vestindo uma camisa do Santos, o presidente decidiu saltar do barco e mergulhar no mar, acompanhado de seguranças

Avatar

Publicado

em

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a provocar aglomeração no litoral sul de São Paulo nesta sexta-feira (1º). Durante a tarde, ele registrou em suas redes sociais um passeio de barco em Praia Grande, cidade vizinha a Guarujá, onde Bolsonaro passa o feriado de Ano-Novo em uma base militar.

Vestindo uma camisa do Santos, o presidente decidiu saltar do barco e mergulhar no mar, acompanhado de seguranças. Bolsonaro nadou em direção à praia e logo foi cercado por uma multidão sem máscara aos gritos de “mito”.

▼ CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE ▼

Em seguida, o presidente nadou de volta até o barco, de onde acenou aos banhistas. Antes de mergulhar, durante o passeio, Bolsonaro também acenou e ouviu gritos e assobios de apoio.

A aglomeração ocorre no momento em que a pandemia do coronavírus se agrava no país. Nesta quinta-feira (31), o Brasil registrou 1.036 óbitos pela Covid-19 e 55.811 casos da doença em 24 horas.

Pelo terceiro dia seguido, foram registradas mais de mil mortes por dia.

▼ CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE ▼

No total, são 194.976 óbitos e 7.675.781 pessoas infectadas pelo novo coronavírus no Brasil.

Para frear a disseminação do vírus, o governo paulista, comandado por João Doria (PSDB), decretou fase vermelha nesta sexta e durante o fim de semana, o que garante o funcionamento apenas de serviços essenciais, como supermercado e farmácias.

Rival de Bolsonaro, Doria foi alvo dos banhistas que cercaram o presidente em Praia Grande nesta sexta. A multidão xingou o governador.

▼ CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE ▼

Após a publicação do vídeo da aglomeração por Bolsonaro, Doria reagiu nas redes sociais. “Presidente: trabalhe mais e fale menos”, escreveu.

“No momento em que o Brasil precisa de paz e atitudes para combater a pandemia e salvar vidas, o presidente Jair Bolsonaro nos ataca mais uma vez, covardemente. A inoperância e o negacionismo do Governo desse presidente, estimularam a morte de 194 mil brasileiros para a Covid-19. Bolsonaro gosta mesmo é do cheiro da morte, do cheiro da pólvora e do cheiro do dinheiro das rachadinhas”, afirma a publicação de Doria.

O prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (PSDB), afirmou que não fecharia as praias nem mesmo nos dias 31 e 1º alegando não ter contingente policial suficiente para cobrir os 22 quilômetros de faixa de areia.

▼ CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE ▼

Bolsonaro está hospedado no Forte dos Andradas, em Guarujá, que possui uma pequena praia privada de aproximadamente 400 metros de extensão.

Não é a primeira vez que o presidente provoca aglomeração durante suas férias. Na última quarta-feira (30), ele usou uma moto aquática para ir até Praia Grande, prática que tem sido recorrente nas visitas do presidente para o litoral.

Sem máscara, ele se aproximou se simpatizantes, cumprimentou banhistas, pegou crianças no colo e posou para fotografias.

Na passagem pela praia, Bolsonaro distribuiu abraços e sorriu sempre para a série de provocações que ouviu direcionadas a Doria, a quem cutucou logo na chegada ao litoral, quando disse que o político utilizava máscara apenas em estúdios de gravação.

O aumento no número de casos e óbitos nos últimos dias vem em um momento em que parte da população afrouxou a adoção às medidas sanitárias, como distanciamento social e uso de máscaras.

Os dados do país são fruto de colaboração inédita entre Folha de S.Paulo, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 para reunir e divulgar os números relativos à pandemia do novo coronavírus. As informações são coletadas diretamente com as Secretarias de Saúde estaduais.

Desde o início da disseminação do novo coronavírus, Bolsonaro tem falado e agido em confronto com as medidas de proteção, em especial a política de isolamento da população. O presidente já usou as palavras histeria e fantasia para classificar a reação da população e da mídia à doença.

Além dos discursos, o presidente assinou decretos para driblar decisões estaduais e municipais, manteve contato com pessoas na rua e vetou o uso obrigatório de máscaras em escolas, igrejas e presídios –medida que acabou derrubada pelo Congresso.

Mais recentemente, entrou em uma “guerra da vacina” com Doria.

▼ CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE ▼

Em outubro, desautorizou o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que havia anunciado acordo com o estado de São Paulo para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac, vacina da farmacêutica chinesa Sinovac que será produzida no Brasil pelo Instituto Butantan, ligado ao governo paulista.

Agora, no entanto, a vacina é apontada como peça fundamental no programa de imunização brasileiro.

Continue lendo
Publicidade
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *