Delator do esquema de Serra é velho conhecido de políticos do DF

Elon Gomes de Almeida acionista da Qualicorp e da Aliança Plano de Saúde é colaborador ativo de várias campanhas no DF

O empresário Elon Gomes de Almeida, delator da ramificação eleitoral da operação Lava Jato que conseguiu obter do juiz Marcelo Antonio Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, mandados de busca e apreensão no gabinete do senador José Serra (PSDB), possui fortes ligações com políticos do Distrito Federal.

A delação premiada do fundador e ex-dono da administradora de planos de saúde Aliança, hoje de propriedade da Qualicorp, do empresário José Seripieri Filho, também alvo da operação, é tida como a primeira que envolve o setor de planos de saúde.

Segundo informações divulgadas até o momento, o empresário delator seria o responsável por repassar valores em espécie a políticos com visibilidade nacional. Entretanto, Elon possuía “bom transito”, como ressaltou uma fonte, junto a políticos do Distrito Federal.

A delação do empresário tem sido tratada como “uma bomba”, que não só atingem políticos de partidos consolidados na esfera federal, como o PT e o MDB, mas também políticos conhecidos do Distrito Federal.

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Em uma busca rápida no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Almeida aparece como doador de R$ 20 mil ao ex-deputado Alberto Fraga (DEM).

Ainda na gestão de José Roberto Arruda, o então dono da Aliança tinha um projeto para que a própria administradora de planos de saúde fosse a responsável por prestar o serviço de saúde aos servidores do Governo do Distrito Federal (GDF). À época, a negociação, segundo fontes, chegou a ser intermediada pelo ex-chefe de gabinete, Fábio Simão, também citado no processo da Caixa de Pandora.

O delator também chegou a ter proximidade com o ex-deputado Alírio Neto, mas a relação entre os dois também viveu momentos turbulentos quando o agora delator tentou “barrar as investidas do Procon contra a empresa Aliança”.

Em 2015, Elon Almeida chegou a ser alvo da operação “Acrônimo” que também investigou possíveis repasses ilegais de campanha ao ex-governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT).

Lembra a reportagem que, como o juiz Marcelo Vargas não chegou a consultar previamente o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre os mandados de busca e apreensão em um gabinete de um senador da República, como estabelece a legislação brasileira, a Corte chegou a suspender a autorização concedida pelo magistrado nesta terça-feira (21).

Vale ressaltar também que José Serra já atuou à frente do Ministério da Saúde de março de 1998 a fevereiro de 2002, ainda durante o governo do ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

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