Transmissão em comemoração ao Dia do Trabalhador critica ações de Bolsonaro

Uma transmissão ao vivo das centrais sindicais trouxe diversos nomes da oposição para discursar a respeito da atuação do governo frente à pandemia do novo coronavírus no Brasil

Em comemoração ao dia do trabalhador,nesta sexta-feira (1º), uma transmissão ao vivo das centrais sindicais trouxe diversos nomes da oposição para discursar a respeito da atuação do governo frente à pandemia do novo coronavírus no Brasil. Nomes como de Marina Silva, Ciro Gomes, Randolfe Rodrigues,  Carlos Lupi (presidente do PDT) e até a ex-presidente, Dilma Rousseff.

A ex-ministra do Meio Ambiente e dirigente da Rede Sustentabilidade, Marina Silva, disse que não se pode permitir que delírios autoritários do governo levem à retomada da ditadura militar no País. Em sua fala, ela não citou nominalmente o presidente Jair Bolsonaro.

“Não se pode permitir que qualquer governo, com seus delírios autoritários, retome no País um processo de ditadura”, afirmou ela. Marina disse ainda que a pandemia da covid-19 agrava problemas sociais, especialmente o do desemprego, que, segundo ela, já eram graves antes da chegada do novo coronavírus ao Brasil.

“Aqueles que estão sofrendo precisam ter acesso à renda básica”, disse ela, acrescentando que não importa se essa renda é através do auxílio emergencial de R$ 600 ao mês disponibilizado pelo governo federal ou por outros meios. “Precisamos defender a vida, os nossos direitos e a democracia.”

Randolfe Rodrigues (Rede-AP)

O senador e líder da minoria no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que o governo do presidente Jair Bolsonaro é o “principal aliado” da pandemia do novo coronavírus no Brasil.

“Enfrentamos uma gravíssima crise sanitária, e também enfrentamos o principal aliado do vírus, que é o governo de Jair Bolsonaro”, disse Randolfe. Ele conclamou a criação de uma frente única da oposição para lutar tanto contra a pandemia quando contra o governo.

O senador disse ainda que além de enfrentar a doença e o governo Bolsonaro, a população precisa também defender a democracia no País. “A democracia está sob ameaça do governo, que tenta tutelar a Polícia Federal”, afirmou.  Ao sair do governo, o ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro, acusou Bolsonaro de tentar interferir politicamente na PF com a troca da chefia do órgão.

 

Gleisi Hoffmann

A deputada federal Gleisi Hoffmann (PR) disse que a pandemia da covid-19 tornou visível que a economia cresce por conta do trabalho, e não por conta do capitalismo. As afirmações são semelhantes àquelas feitas pelo ex-presidente Lula, em vídeo postado mais cedo em sua conta oficial no Twitter.

“Não é o capitalismo que faz a economia crescer, é o trabalho humano”, disse Gleisi. Ela afirmou ainda que a pandemia mostra que Jair Bolsonaro e a elite do País, que segundo ela tem no presidente um de seus representantes, despreza os trabalhadores.

Carlos Lupi

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, afirmou que o governo de Bolsonaro vai contra a ciência durante a pandemia da covid-19, e provoca mortes por conta da doença.

“Bolsonaro vai contra os médicos e incentiva a pandemia, inclusive, a matar”, afirmou Lupi no vídeo. Ele disse ainda que o trabalhismo precisa olhar para o futuro, “hoje sombrio, representado pelo senhor Jair Bolsonaro”. “Temos de deixar uma marca de luta contra o autoritarismo e contra o governo Bolsonaro”, afirmou.

Ciro Gomes

O ex-ministro e candidato à Presidência nas eleições de 2018, Ciro Gomes, afirmou durante a transmissão que a pandemia da covid-19 tem sido utilizada para desmontar direitos dos trabalhadores no Brasil.

“É importante lembrar que o Brasil tinha mais de 13 milhões de desempregados mesmo antes da pandemia”, disse Ciro. Segundo ele, a crise é uma “oportunidade” para refletir sobre os rumos do País, e também sobre os caminhos que levaram à situação atual.

“Precisamos de um projeto que coloque o trabalho e os trabalhadores no centro, e não a especulação”, ressaltou Ciro. Além dele, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, também participou da transmissão, e afirmou que o governo do presidente Jair Bolsonaro incentiva o aumento das mortes em decorrência da covid-19 ao contrariar orientações científicas.

Dilma Rousseff

A ex-presidente Dilma Rousseff disse que as mortes provocadas pela covid-19 no Brasil são consequência do que qualificou como omissão do governo de Jair Bolsonaro diante da pandemia. “Jair Bolsonaro desdenha da doença, zomba dos mortos e avilta a cadeira da Presidência”, declarou.

Dilma lembrou ainda que Bolsonaro fez um pronunciamento durante manifestação, em Brasília, que pedia a volta da ditadura militar “O Planalto tem um líder que não tem vergonha de atentar contra a ordem democrática”, afirmou.

A petista avalia que, devido ao comportamento do governo, a pandemia ganha contornos ainda mais graves no País. “Não nos resta agora outro caminho que não gritar ‘fora Bolsonaro’”, disse. “O presidente é omisso com a crise que se avizinha.”

A ex-presidente também criticou o auxílio emergencial destinado pelo governo federal a trabalhadores que ficaram sem renda por conta da pandemia, e lembrou que, na proposta inicial, a ajuda seria de R$ 200 por pessoa – o valor aprovado pelo Congresso foi de R$ 600. “Ao invés de proteger os vulneráveis, o governo os deixa à própria sorte.”

Outra crítica de Dilma foi sobre a relação entre Bolsonaro e prefeitos e governadores, a quem o presidente trata, segundo ela, como inimigos. A petista disse ainda que o Brasil nunca enfrentou tantas crises ao mesmo tempo, nas frentes econômica, social, sanitária e política.

OAB

 

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, disse que a reforma trabalhista feita em 2017 foi infeliz e não gerou os empregos que prometia.

“O fato é que nos últimos anos, houve um ataque violento à Justiça do Trabalho e aos sindicatos”, disse Santa Cruz. Segundo ele, a crise gerada pela pandemia da covid-19 é uma oportunidade de reorganização das estruturas sindicais, que, segundo ele, precisam estar mais perto dos trabalhadores que representam.

FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse que o 1º de maio deste ano é simbólico por conta da pandemia do novo coronavírus, e que o momento é de união. “Neste ano temos um fato novo, que é a pandemia”, disse. Segundo ele, outro fator que marca a data são as rápidas mudanças na economia e no mundo do trabalho que a covid-19 tem provocado.

Ele disse que a unificação de diferentes centrais e vertentes políticas em um único evento é importante. “Não é hora de nos desunirmos, temos que nos juntar, porque temos que construir o futuro”, disse ele. “As condições são ruins, mas precisamos partir delas “

O ex-presidente afirmou que, apesar de vírus não ser uma novidade, a amplitude da covid-19 é um fato novo, o que torna mais desafiador enfrentar a pandemia. FHC disse que, nesse momento, é importante manter a democracia e a liberdade. Em sua fala, o tucano não fez menções ao governo do presidente Jair Bolsonaro.

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