Porta dos Fundos: câmera mostra placa de caminhonete e criminosos com capuzes

Seriam três suspeitos e um deles estaria com o rosto descoberto, o que facilitaria a identificação.

Um vídeo gravado por uma câmera de segurança identifica a placa da caminhonete onde estavam parte dos criminosos que atacaram o prédio da produtora Porta dos Fundos, no Humaitá, com dois coquetéis molotov, no sábado por volta das 4h. Seriam três suspeitos e um deles estaria com o rosto descoberto, o que facilitaria a identificação. Um dos homens estava numa moto, e fugiu na contramão da Rua Capitão Salomão, onde fica a empresa. O material será entregue nesta quinta-feira à polícia.

Agentes da 10ª DP (Botafogo), que investigam o caso, também vão buscar outras imagens na região. Ao todo, há seis câmeras que apontam para a entrada do prédio. Ainda esta semana, testemunhas do ataque serão ouvidas, como o segurança do prédio que conseguiu apagar o fogo. Na madrugada em que aconteceu o crime, o local estava movimentado: havia uma comemoração de fim de ano de garçons e funcionários dos restaurantes da região num bar ao lado da produtora, que aconteceu até as 3h.

O humorista Fábio Porchat, um dos integrantes do grupo, disse, em sua conta no Twitter, que o episódio não vai intimidá-lo. “Não vão nos calar. Nunca! É preciso estar atento e forte”.

Em viagem ao México, Porchat falou nesta quarta-feira com o GLOBO:

— Penso que o ódio pelo Especial de Natal diz muito mais sobre quem o repudia do que sobre nós. A homofobia é nítida. Para nós, do Porta dos Fundos, ser gay é uma característica como qualquer outra. A pessoa pode ser alta, baixa, branca, negra, gay, hétero. Para os homofóbicos, ser gay é xingamento. Aí é que mora o preconceito. Se não identificarmos esses terroristas, isso pode soar como um aval para que mais atentados sejam encorajados a acontecer. O país e o estado precisam mostrar que não aceitamos ataques violentos de qualquer espécie contra quem quer que seja. Contra o presidente, contra o Porta dos Fundos ou contra você.

Em nota, a assessoria do grupo informou que o “Porta dos Fundos condena qualquer ato de ódio e violência e, por isso, já disponibilizou as imagens das câmeras de segurança para as autoridades, para o secretário de Segurança, e espera que os responsáveis pelos ataques sejam encontrados e punidos”.

Pelo menos dois coquetéis molotov foram atirados na direção do edifício em que fica o estúdio dos humoristas. O Porta dos Fundos vinha sendo atacado nas redes sociais por conta do especial de Natal “A primeira tentação de Cristo”, no ar desde 3 de dezembro no Netflix. No filme de 46 minutos, Jesus (Gregorio Duvivier) está prestes a completar 30 anos e é surpreendido com uma festa de aniversário quando voltava do deserto acompanhado do namorado, Orlando (Fábio Porchat). A sátira com um Jesus gay despertou a ira de alguns setores religiosos, que pedem a censura da produção.

O Porta dos Fundos informou que o fogo só foi contido graças à ação rápida de um segurança do prédio, que conseguiu controlar o princípio de incêndio. Apenas o quintal e a recepção foram atingidos. Por nota, disse ainda que não houve feridos, observando, no entanto, que o ataque colocou em risco “várias vidas inocentes na empresa e na rua”. No mesmo comunicado, o grupo afirmou que voltará a se manifestar quando tiver mais informações sobre o ocorrido e que, por enquanto, os integrantes seguirão em frente “mais unidos, mais fortes, mais inspirados e confiantes que o país sobreviverá a essa tormenta de ódio e que o amor prevalecerá junto com a liberdade de expressão”.

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