Deltan teria usado movimentos para pressionar STF

Procurador teria feito força para que Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli não assumissem vaga de relator da Lava Jato após morte de Teori Zavascki

O procurador da República, Deltan Dallagnol, teria usado os grupos Vem pra Rua e Instituto Mude – Chega de Corrupção para “guiar” mudanças importantes no Supremo Tribunal Federal (STF).

Através deste último movimento, Deltan teria estimulado a rejeição dos ministros Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli para assumir a vaga de relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), antes ocupada por Teori Zavascki, morto em um acidente de avião em janeiro de 2017.

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As informações vêm à tona a partir das novas conversas vazadas, publicadas nesta segunda-feira (12) pelo site The Intercept Brasil. Deltan teria pautado atos, manifestações e publicações em redes sociais a favor da Operação Lava Jato e de causas políticas pessoais.

A organização do Instituto Mude, criado para coletar assinaturas a favor das 10 medidas contra a corrupção, teria pedido a Deltan uma orientação sobre quem seria “ideal para assumir a posição do Teori”.

“De início, agradeci o apoio do movimento etc. Falei que não posso posicionar a FT [força-tarefa], mesmo em off, quanto a ministros que seriam bons, porque podemos queimar em vez de ajudar”, teria dito Dallagnol a Fabio Alex Oliveira, líder do Mude. “Falei os quatro que seriam ruins, Toff [Toffoli], Lewa [Lewandowski], Gilm [Gilmar Mendes] e Marco Aur [Aurélio]”.

O procurador também teria conversado com colegas sobre quem assumiria a relatoria da Lava Jato. “Deltan, fale com Barroso. Insista para ele ir para a 2ª Turma”, teria dito Anna Carolina Resende. “Ele ficou alijado de todo processo. Ninguém consultou ele em nenhum momento. Há poréns na visão dele em ir, mas insisti com um pedido final. É possível, mas improvável… Por favor, não comente isso com ninguém”, teria respondido.

A relatoria da Lava Jato foi entregue a Fachin e a vaga de Teori a Alexandre de Moraes. Cerca de um ano depois, o ministro foi alvo dos procuradores, pois ainda não tinha proferido voto sobre prisão em segunda instância. Na ocasião, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região havia confirmado a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso do triplex. O petista poderia ir preso a qualquer momento.

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“Temos que reunir informações de que no passado apoiava a execução após julgamento de segundo grau e passar para os movimentos baterem nisso muito. Para o Vem pra Rua e Nas Ruas. Mostrar que a mudança beneficia Aécio [Neves] e PSBbistas”, teria orientado Deltan a colegas.

Vem Pra Rua

“Vocês conseguem articular com VPR [Vem pra Rua] e outros uma campanha para a escolha do mais votado, com hashtag e tal? Há um risco de Temer querer nomear amanhã mesmo, para evitar essa pressão… por isso o quanto antes, melhor”, teria comentado Deltan com procuradores para pressionar o então presidente Michel Temer a indicar o primeiro nome da lista tríplice para o cargo de procurador-geral da República.

Procurado, o MPF informou ao The Intercept que “é lícito aos procuradores da República interagir com entidades e movimentos da sociedade civil e estimular a causa de combate à corrupção”. ” O procurador Deltan Dallagnol não lidera nem integra o Mude, mas apoia o instituto que é apartidário; conhece seus integrantes e seu compromisso com a causa pública e fez doações, que permitiram o desenvolvimento de um curso online de cidadania”, completou.

O Mude explicou que “o contato com o coordenador da maior operação de combate à corrupção já realizada no Brasil é natural”.

O Vem pra Rua disse que “na campanha a favor das 10 Medidas Contra a Corrupção buscou parcerias de outros movimentos, entidades e pessoas alinhadas com seus ideais, mantendo sempre sua autonomia”.

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