O problema não é a arma e sim a bandidagem

O ataque ocorrido na Escola Municipal Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, com certeza dará munição para a volta da discussão sobre a posse e porte de armas 

*Por Carlos Arouck

Jair Bolsonaro, em um dos seus primeiros atos como Presidente da Republica, assinou no dia 15 de janeiro decreto que flexibilizou as regras para a posse de arma de fogo no país, cumprindo assim uma de suas principais promessas de campanha.

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Entre os artigos do decreto se destaca que o cidadão poder ter uma arma em casa e poderá adquirir uma quem morar em cidade ou estado onde a taxa de homicídios seja superior a 10 para cada 100 mil habitantes.

Dirão os mais afoitos e oportunistas que o decreto foi um erro e que possibilitou tragédia como a de Suzano. Oras, o problema não é a arma mas sim a bandidagem, mesmo porque a barbárie cometida pelos criminosos Guilherme Talci Monteiro que tinha 17 anos e Luiz Henrique de Castro que tinha 25 não pode cair do discurso oportunista sem ao menos deixar rubra a face daqueles que querem exercer o direito de possuir uma arma.

Mesmo porque, a posse dá direito de manter a arma apenas em casa ou no trabalho. Para sair da residência com a arma, é preciso autorização para o porte, que garante ao cidadão circular com a arma fora de casa, trabalho ou estabelecimento comercial, ou seja, poder andar com ela na rua. O porte de arma não é objeto do decreto do presidente. 

A pergunta que não quer calar é, essas armas eram legalizadas? Qual a origem? O decreto do presidente Bolsonaro possibilita a fiscalização efetiva das armas no país.

A situação vivida pela hoje deputada federal Katia Sastre (PR) pode muito bem exemplificar que a arma que fere e mata porém, nas mãos de pessoas preparadas podem salvar vidas.

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Na mesma Suzano do ataque desta quarta (13), na mesma escola, a então policial Katia Sastre reagiu a uma tentativa de assalto na porta do Edifício Raul Brasil por Elivelton Neves Moreira, de 21 anos.

Katia estava de folga, num evento do dia das mães junto com a sua filha, quando Elivelton tentou assaltar a escola; Katia atirou no peito do assaltante que, apesar de socorrido, não resistiu ao ferimento e veio a óbito.

Hoje no Plenário da Câmara dos Deputados, Katia defendeu penas mais duras contra crimes ocorridos dentro ou ao redor de órgãos públicos. Ela defendeu, ainda, a flexibilização do porte de armas.

“Usando até o meu próprio exemplo, eu estava armada naquela escola e eu consegui defender todas aquelas crianças que estavam lá”, disse. “Os criminosos estão com a arma, as pessoas de bem não”, disse a deputada.

Ainda na sessão desta manhã, ela defendeu o armamento da população como forma de evitar tragédias como a de hoje.

“É para a gente acreditar mais que precisamos nos defender porque, para os criminosos, para os bandidos e para os ladrões não existe lei de armamento ou desarmamento. Eles usam de forma ilegal. Eles estão armados e muito bem armados e as pessoas inocentes não. Elas não tem como se defender”, disse a deputada.

“Vou dar entrada hoje mesmo em um projeto para endurecer essas leis para pessoas que causam este tipo de crime em órgãos públicos ou ao redor deles. Esta escola é uma escola estadual”, disse a deputada, que estudou na escola.

 

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Pelo visto o debate vai recomeçar e vale lembrar que o decreto somente facilita a posse de armas de uso permitido e não inclui armas de uso restrito, como armas automáticas ou fuzis.


* Policial federal, Carlos Arouck é formado em Direito e Administração de Empresas, instrutor de cursos na área de proteção, defesa e vigilância, consultor de cenários políticos e de segurança pública, membro ativo de grupos ligados aos movimentos de rua.

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