Laudo aponta que agressor de Bolsonaro tem doença mental

Documento diz que Adélio Bispo de Oliveira não pode ser punido criminalmente e que agressor confesso afirma ter missão de matar o presidente, segundo fontes ligadas à investigação

Um laudo realizado por peritos indicados pela Justiça Federal diz que o réu confesso de tentar matar o presidente Jair Bolsonaro (PSL) sofre de uma doença mental. Segundo o documento, Adélio Bispo de Oliveira, não poderia ser punido criminalmente pela tentativa de assassinato.

A Justiça Federal, que já aceitou a denúncia contra Adélio por prática de atentado pessoal por inconformismo político e o tornou réu porém, ainda não julgou o caso. Ele está preso provisoriamente desde o dia do crime e atualmente está no presídio de segurança máxima de Campo Grande.

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O laudo, entregue à Justiça no último mês, afirma que o agressor padece de transtorno delirante permanente paranoide e, por isso, de acordo com o documento, deve ser considerado inimputável. Diz ainda que, em entrevistas com psicólogos e psiquiatras, Adélio Bispo afirmou que não havia concluído sua missão e que, saindo da cadeia, iria matar o presidente.

O procurador da República Marcelo Medina informou que da perícia médica solicitada pela Justiça Federal resultaram em dois laudos que divergem entre si: um psiquiátrico e um psicológico. Cabe destacar que há também divergências em relação ao laudo psiquiátrico particular apresentado pela defesa de Adélio no ano passado.

Segundo o MPF, há algumas divergências nas conclusões, mas não disse quais. “Sobre o teor dos laudos, nada posso informar. Divergem quanto a questões relevantes, não posso dizer quais e por que são relevantes, porque o processo de incidente de insanidade mental está em sigilo”, disse o procurador. No dia 22 de fevereiro, ele se manifestou no processo, solicitando esclarecimentos.

O laudo oficial deve subsidiar a análise pela Justiça de um procedimento para investigar a sanidade mental do acusado, apresentado pela defesa e que caminha junto com a ação penal na 3ª Vara Federal de Juiz de Fora.

Os laudos podem embasar três conclusões para o caso: Adélio ser considerado imputável (nesse caso, responderá integralmente, enquadrado na Lei de Segurança Nacional ) , semi-imputável (redução da pena em caso de condenação) e inimputável (aplica-se medida de segurança).

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Se o juiz entender que ele, de fato, não pode ser punido criminalmente, Adélio pode ser levado para um manicômio judicial e não para um presídio.

Fontes ligadas à investigação, acreditam que Adélio deve cumprir a medida de segurança no manicômio judicial por tempo indeterminado e, de dois em dois anos, passará por novos exames psicológicos para avaliação da condição clínica.

Uma audiência com a presença dos peritos para esclarecimentos sobre a constatação da doença deve ser realizado, mas ainda não há informações sobre a data.

O advogado Zanone Manuel Junior informou que ainda não teve acesso aos laudos. A Justiça Federal afirma que a ação penal corre em sigilo e ainda não se manifestou.

A Polícia Federal segue com as investigações na busca de apurar possíveis conexões de Adélio, pessoas que podem ter ajudado o agressor a planejar o crime.

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