Após denúncia, banqueiro torna-se réu por dívida de R$ 617 milhões com a Receita

Bancos pagarão à vista a quem tem até R$ 5 mil a receber por perdas em 80 e 90

Juca Abdalla sonegou uma série de impostos entre 2006 e 2008, quando era proprietário de uma empresa imobiliária em Araçatuba (SP)

Denunciado pelo Ministério Público Federal, o banqueiro José João Abdalla Filho, conhecido como Juca Abdalla, tornou-se réu em mais uma ação penal por sonegação tributária. Desta vez, ele responderá pelo crime após acumular uma dívida de R$ 617 milhões com a Receita Federal referente a impostos que deixaram de ser pagos entre 2006 e 2008. As irregularidades foram cometidas na gestão da S.A. Central de Imóveis e Construções, companhia que o empresário comandava à época em Araçatuba (SP).

Abdalla é dono também do Banco Clássico, no qual ele mantinha uma conta por onde passou parte dos recursos não declarados. A partir dessas transações, as autoridades fiscais analisaram a contabilidade da empresa imobiliária e constataram que mais de R$ 480 milhões em receitas haviam sido omitidos dos livros diários no período. A manobra viabilizou a sonegação de uma série de tributos que incidiria sobre esse montante, entre eles o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e parcelas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

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Além dos impostos em atraso, a dívida consolidada de R$ 617 milhões com a Receita inclui a aplicação de juros e multas. Durante as investigações, embora tenha negado a prática de sonegação, Abdalla não justificou a ausência dos registros na contabilidade da S.A. Central de Imóveis e Construções nem apresentou documentos que demonstrassem a regularidade do faturamento da empresa.

Esta não é a primeira ação penal que o MPF propôs contra Abdalla por sonegação de tributos. Ele já é réu em um processo criminal que tramita na Justiça Federal em Americana (SP) por omitir das autoridades fiscais mais de R$ 3 milhões recebidos em 2010 e 2011 pela Jupem Participações e Empreendimentos, empresa da qual é diretor-presidente. O dinheiro seria oriundo do arrendamento de imóveis rurais da companhia a uma usina de açúcar da região.

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