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Ministro da Saúde participou de ‘venda’ de cargo no governo do Paraná, diz delator da Operação Quadro Negro

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Segundo o dono da Construtora Valor, Ricardo Barros determinou valores a serem pagos para o cunhado, irmão da vice-governadora. Empresa é investigada em esquema de desvio de dinheiro no Paraná. As informações foram divulgadas pela ‘Folha de S. Paulo’ nesta sexta-feira (1º) e confirmadas pelo G1 e pela RPC Curitiba.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, foi citado em um dos depoimentos que o dono da Construtora Valor prestou ao Ministério Público Federal (MPF). A colaboração precisa ser homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O empresário Eduardo Lopes de Souza, investigado por fraudes em licitações na construção de escolas do Paraná que chegam a R$ 20 milhões, fechou um acordo de delação premiada. As suspeitas são apuradas pela Operação Quadro Negro.

As informações foram divulgadas pela “Folha de S. Paulo” nesta sexta-feira (1º) e confirmadas pelo G1 e pela RPC Curitiba. O ministro negou as acusações.

“A Operação Quadro Negro já virou inquérito e ação na Justiça há mais de um ano, e não houve qualquer citação ao nome do ministro. O ministro esta à inteira disposição para esclarecimentos quando tiver acesso ao inteiro teor da suposta delação, reafirmando sua lisura no exercício da função pública”, afirmou o ministro.

No depoimento, Souza afirma que Barros participou de uma “venda” de um cargo lotado no gabinete da vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti, que é casada com o ministro.

O cargo teria sido prometido ao irmão de Cida, Juliano Borghetti, que já foi vereador em Curitiba. O ex-vereador poderia indicar alguém para essa função na vice-governadoria. Juliano Borghetti chegou a ser preso pela Operação Quadro Negro em dezembro de 2015.

Conforme o delator, Juliano Borghetti afirmou que não poderia assumir o cargo público, pois ficou com a imagem desgastada, após se envolver em uma briga de torcidas de futebol em Joinville, em Santa Catarina.

“Disse que, entretanto, foi-lhe dado o direito à nomeação de um cargo na Vice-Governadoria, com salário de aproximadamente R$ 15 mil reais e me propôs a ‘venda’ dessa nomeação. Disse que eu poderia colocar meu filho Gustavo no cargo e em contrapartida eu pagaria ao Juliano uma quantia ‘por fora'”, diz trecho da delação.

O irmão da vice-governador apareceu nas imagens da confusão envolvendo torcedores do Atlético-PR e do Vasco, na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013. A briga teve repercussão nacional.

Ainda conforme o depoimento, Juliano Borghetti disse que precisava falar com Ricardo Barros, que à época era deputado federal. Segundo o empresário, o irmão de Cida disse que era Barros quem mandava.

O empresário afirmou que houve uma série de reuniões para tratar do assunto. Os encontros ocorreram na vice-governadoria e no Diretório Estadual do Partido Progressista, em Curitiba.

Ministro da Saúde, Ricardo Barros, é citado em delação relacionada à fraudes na construção de escolas no Paraná (Foto: Michelle Farias/G1)

Ministro da Saúde, Ricardo Barros, é citado em delação relacionada à fraudes na construção de escolas no Paraná (Foto: Michelle Farias/G1)

Em uma dessas reuniões, Ricardo Barros disse que concordava com a proposta, mas Eduardo Lopes de Souza deveria pagar R$ 15 mil ao mês para Juliano Borghetti. O dono da Valor disse que aceitou a proposta. Ele também afirmou que se encontrou com Barros por três ou quatro vezes.

Ainda conforme o depoimento do empresário, ele indicou para o cargo Marilaine Firmino.

“Nessas reuniões ele disse que colocaria a Mari na Sema e que, em relação aos contratos que eu ganhasse lá, a gente ‘acertava’ posteriormente, na época da campanha. Ele disse que não gostava de receber valores ao longo da execução das obras. Batemos o martelo e a Mari foi nomeada num cargo na vice-governadoria”, diz outro trecho da delação.

Passado algum tempo, Cida Borghetti teria chamado o empresário até o gabinete dela para conversar sobre o assunto. Souza afirmou que ela agradeceu pessoalmente por ter resolvido a situação do irmão.

“Alguns dias depois o Juliano me disse que a Vice-Governadora Cida Borghetti queria falar comigo. Nós fomos até o gabinete dela na Vice-Governadoria e ela me agradeceu pessoalmente por ter resolvido a situação do irmão dela”.

Após a nomeação da pessoa indicada por Souza, Juliano Borghetti teria recebido o dinheiro. Os pagamentos, segundo o delator, aconteceram no início de 2015. O repasse para o irmão de Cida foi de R$ 15 mil, por mês, durante três meses. Os valores foram entregues diretamente na sede da Construtora Valor.

A defesa do empresário Eduardo Lopes de Souza afirmou que, devido ao sigilo da ação, não pode se manifestar. O G1 tenta contato com a defesa de Marilaine.

Leia as notas dos citados

Nota do ministro Ricardo Barros

“O ministro Ricardo Barros nega irregularidade e não tem qualquer envolvimento com a Operação Quadro Negro.

A servidora Marilaine Firmino é funcionária de carreira do Estado, ocupava cargo na secretaria de educação, foi nomeada em FG da vice governadoria, mas trabalhou efetivamente na casa civil. Depois, em abril, foi para a secretaria de administração, em março de 2017 alocada na secretaria de desenvolvimento urbano como ouvidora, e em julho de 2017 voltou para a secretaria de administração.

A operação quadro negro já virou inquérito e ação na justiça há mais de um ano, e não houve qualquer citação ao nome do ministro.

O ministro esta à inteira disposição para esclarecimentos quando tiver acesso ao inteiro teor da suposta delação, reafirmando sua lisura no exercício da função pública”.

Nota da vice-governadora do Paraná Cida Borghetti

“A vice-governadora, Cida Borghetti, nega as afirmações da suposta delação e a insinuação da troca de cargo.

A funcionária citada na matéria nunca cumpriu expediente da vice-governadoria. É funcionária de carreira do estado. Atualmente está lotada na Secretaria da Administração.

Reitera que os assuntos investigados pela Operação Quadro Negro são anteriores a 2015, data de sua posse”.

Nota de Juliano Borghetti

“Juliano nega qualquer acusação relacionada a pretensa “troca de cargos” no âmbito da Operação Quadro Negro.

Reitera que trabalhou trabalhou na empresa Valor pelo período de experiência de três meses e por isso recebeu.

Seu trabalho na empresa foi posterior aos supostos desvios por ela praticados, conforme comprovado no processo que tramita em Curitiba”.

Homologação

O acordo de delação de Eduardo Lopes de Souza foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Luiz Fux está analisando o caso. O magistrado, no entanto, ainda não decidiu se vai homologar ou não o acordo.

Caso seja homologado, Souza deverá apresentar provas à Justiça sobre os atos ilegais que descreveu nos depoimentos. Em troca, ele poderá receber benefícios, como redução ou extinção de eventuais penas pelos crimes dos quais é acusado.

Já as autoridades policiais e o Ministério Público poderão abrir investigações para apurar todos os ilícitos apontados na delação. Não há prazo para que isso ocorra.

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