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Sucessor de Barusco, ex-gerente da Petrobras movimentou mais de US$ 5 milhões em contas no exterior

Brasília de Fato

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Funcionários da empresa passavam ‘bastão da propina’, segundo o MPF

SÃO PAULO e CURITIBA – O procurador da República Roberto Pozzobon, da Operação Lava-Jato, disse nesta terça-feira que a propina passada dentro da Petrobras era “intergeracional”, que passava de funcionário para funcionário, mesmo que o primeiro tenha já deixado a empresa. Foi o caso de Roberto Gonçalves, que sucedeu a Pedro Barusco como gerente executivo da Área de Engenharia e Serviços da Petrobras no período entre março de 2011 e maio de 2012. Roberto foi preso na manhã desta terça-feira na 39ª fase da Operação Lava-Jato. Segundo a força-tarefa, Roberto Gonçalves movimentou mais de US$ 5 milhões ilicitamente em contas no exterior, espalhados por mais de quatro contas em diferentes instituições financeiras na Suíça, na China e nas Bahamas. Quatro milhões foram bloqueados em contas na Suíça, afirmaram os procuradores.

— Passados três anos de Operação Lava-Jato, diversas colaborações celebradas e documentos coletados, verifica-se que a corrupção é intergeracional, ela passa de geração em geração, infelizmente de pai para filho (…) . Hoje vivemos uma verdadeira herança a propina. Quando Pedro Barusco, que ocupava a diretoria de Engenharia, saiu, foi sucedido por Roberto Gonçalves. Na sucessão do cargo também se passou o bastão da propina — disse o procurador, durante entrevista coletiva realizada em Curitiba nesta terça-feira, para detalhar a operação.

Segundo o procurador, ao deixar o cargo Barusco conversou com executivos da UTC e da Odebrecht, e falou: “Olha, a partir de agora quem vai receber a propina em favor da gerência de Engenharia será Roberto Gonçalves, conversem com ele”

Pozzobon lembrou que há ainda muitas investigações em andamento, que podem afetar outras gerências.

A Força-Tarefa usou várias delações para chegar à operação de hoje. O que chamou a atenção da Força-Tarefa foi “a sofisticação para se ocultar a lavagem”. Gonçalves usou contas no exterior, e a Lava-Jato chegou a elas graças à colaboração com autoridades suíças.

Além de Roberto Gonçalves, pessoas físicas e jurídicas ligadas à corretora de valores Advalor Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda (Advalor) foram alvo da operação. Roberto já era investigado no Brasil a partir de investigações internas da Petrobras e de depoimentos prestados por investigados que firmaram acordos de colaboração premiada com o Ministério Público Federal.

Ricardo Pessoa, dirigente da UTC Engenharia, e Mario Goes, operador financeiro e intermediário entre os executivos e agentes públicos, admitiram o pagamento de propinas a Roberto Gonçalves.

Os colaboradores comprovaram documentalmente quatro depósitos de US$ 300 mil feitos no exterior, a partir de conta em nome da offshore Mayana Trading, mantida por Mario Goes.

Além disso, apuração interna da Petrobras imputou ao ex-gerente executivo parte das irregularidades encontradas nas licitações e contratos do Comperj, como a contratação direta em 2011 do Consórcio TUC, formado, dentre outros, pela Odebrecht e pela UTC Engenharia. Paralelamente, autoridades suíças que investigam desdobramentos do caso Lava Jato transferiram ao Brasil investigações por crimes de lavagem de dinheiro relacionadas a Roberto Gonçalves, com base em acordos de cooperação internacional.

Durante a apuração dos fatos foram identificadas cinco contas bancárias, sendo que uma delas, registrada em nome da offshore Fairbridge Finance SA e que tem Roberto Gonçalves como beneficiário final, recebeu, somente em 2011, cerca de US$ 3 milhões de offshores ligadas ao Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht.

Outra conta, registrada no nome da offshore Silverhill Group Investment Inc. e que também tem Gonçalves como beneficiário final, recebeu, no ano de 2014, mais de US$ 1 milhão provenientes da conta em nome da offshore Drenos Corporation, vinculada a Renato Duque.

“Esta conta do ex-diretor da Petrobras foi abastecida por valores oriundos da conta em nome da offshore Opdale Industries, que tem por benefíciário final Guilherme Esteves de Jesus, já acusado pela Lava-Jato de ter intermediado propinas em contratos da Petrobras para o Estaleiro Jurong“, diz nota do MPF.

Ainda de acordo com os documentos encaminhados pela Suíça, Roberto Gonçalves transferiu, em abril de 2014, parte do saldo da conta Fairbridge Finance S/A para contas na China e nas Bahamas.

“Essa conduta demonstra, além da reiteração de crimes de lavagem de dinheiro, o propósito de impedir o bloqueio dos ativos criminosos e frustrar a aplicação da lei penal. Apesar da tentativa de esconder o patrimônio, ainda foi possível o sequestro de mais de US$ 4 milhões de conta ligada a Roberto Gonçalves”, salientou o MPF em nota.

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