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Política e Brasil

Candidatos envolvidos na Lava-Jato passam por teste nas urnas

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O PT foi um dos partidos mais prejudicados

Eduardo Militão

As eleições municipais de ontem foram um forte teste para os partidos políticos, que tiveram a imagem desgastada pelas revelações de corrupção da Operação Lava-Jato. O maior enfrentamento à corrupção organizada no país segue investigando, prendendo e condenando altos empresários e atores da política. Os números e as avaliações de analistas ouvidos pelo Correio nas últimas semanas são categóricos em exibir o PT como o partido mais afetado, embora haja um número tão grande ou considerável de agentes do PMDB — legenda do presidente Michel Temer — e do PP envolvidos no caso.

Ironicamente, no entanto, o único episódio conhecido de candidato sob a lupa da Polícia Federal e do Ministério Público que se arriscou a ir às urnas teve bom resultado. Edinho Silva (PT), ex-ministro da Secretaria de Comunicação da ex-presidente Dilma Rousseff, liderou as pesquisas de intenção de voto em Araraquara (SP) e venceu o pleito.

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Sua maior adversária era Edna Martins, integrante do PSDB e sua ex-mulher. Edinho ficou com 147 mil votos (34% dos votos válidos). Edna teve 113 mil (27%). Aluíso Boi (PMDB), 111 mil (26%). Edinho é investigado sob acusação de, como tesoureiro da campanha de Dilma em 2014, exigir contribuições de campanha para a manutenção de contratos de empreiteiras com o governo. O dono da UTC Engenharia, Ricardo Ribeiro Pessoa, foi um dos primeiros a complicar a vida do petista, que nega as denúncias. Com a eleição do petista, o inquérito criminal deverá ser conduzido por um relator do Tribunal Regional Federal da 3ª Região a partir de 1º de janeiro.

Para o diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto de Queiroz, o Toninho, o fenômeno de Araraquara se parece com o de Brasília, embora com peculiaridades diferentes. A experiência na prefeitura da cidade de São Paulo conta muito, na avaliação dele.

“O (ex-governador Joaquim) Roriz sempre esteve envolvido em problemas, mas a população sempre o achava importante”, compara. “No caso, Edinho está mais para tirar os holofotes dele e recomeçar sua carreira, que estava arranhada com as delações.”

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Partidos no poder, como o PT, e com expectativa de poder, como o PSDB, têm mais chances de ficarem expostos em escândalos de corrupção. Apesar de tucanos terem líderes investigados em inquéritos derivados da Lava-Jato, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG), eles não foram tão arranhados como os petistas, avalia o cientista político Cristiano Noronha.

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