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Temer deve se reunir hoje com Moraes para ouvir explicações sobre Lava-Jato

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Ministro é acusado de fazer uso político da Polícia Federal. Ele anunciou, em ato de campanha no domingo, nova etapa da Operação Lava-Jato

Julia Chaib

O anúncio do titular da Justiça, Alexandre de Moraes, em um ato de campanha do PSDB, no domingo, de que de haveria uma operação da Lava-Jato nesta semana, um dia antes da prisão de Antonio Palocci, se voltou contra o próprio ministro e comprometeu o Palácio do Planalto. Ontem, parlamentares do PT pediram à Procuradoria-Geral da República investigação sobre a conduta de Moraes para apurar se o titular da Justiça soube com antecedência da operação. E pedem o afastamento do ministro. Os parlamentares oposicionistas também querem que a Comissão de Ética da Presidência da República investigue o caso.

Ao saber da manifestação e da coincidência entre a fala e a prisão de Palocci, ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil dos governos do PT, o presidente Michel Temer não gostou da declaração. Ontem, Temer e Moraes se falaram ao telefone e os dois devem conversar pessoalmente hoje. A Polícia Federal divulgou nota negando que o ministro tenha sido avisado da operação.

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Ontem, o ministro explicou ao presidente que, ao dizer que haveria mais ações da Lava-Jato, se referia à continuidade da operação de modo genérico, e não como se soubesse de uma atividade específica que a Polícia Federal executaria esta semana. De todo modo, a avaliação no Planalto é de que a fala foi pelo menos infeliz e suscitou ataques ao governo. A oposição imediatamente aproveitou a declaração do ministro tucano para reforçar as acusações de que o Planalto, que já esteve na mira de críticas, acusado de interferir na Lava-Jato, sabe das operações da Polícia Federal com antecedência e as usa politicamente.

As declarações de Moraes foram feitas no domingo, durante evento de campanha do deputado federal Duarte Nogueira (PSDB-SP), candidato a prefeito em Ribeirão Preto, cidade-natal de Palocci, a integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), que apoiaram o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Teve a semana passada e esta semana vai ter mais, podem ficar tranquilos. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim”, disse o ministro.

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