Presidente tem como primeira missão cuidar da articulação política

Além disso, terá de encarar a oposição do PT

Amanhã, quando voltar ao Brasil depois da viagem à China, o presidente Michel Temer, que embarcou para a Ásia no mesmo dia em que tomou posse, começa oficialmente uma corrida contra o tempo para tirar o Brasil das crises política e econômica. A aprovação de reformas e medidas para recuperar a economia passa por uma base aliada forte no Congresso Nacional. Por isso mesmo, já nos primeiros dias de mandato, Temer terá que retomar a função de articulador político — atividade que, inclusive, exerceu antes de romper com o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) — para unir novamente a base, estremecida pela votação que manteve os direitos políticos da petista, e enfrentar a oposição agressiva do PT.

A base nutre expectativa de um encontro em breve com o presidente nos moldes da reunião com ministros feita logo que o peemedebista assumiu o mandato. Na quarta-feira, Temer deve participar do primeiro ato público como chefe de Estado, no desfile de Sete de setembro, mas o Palácio do Planalto ainda não divulgou os compromissos da agenda nesta semana, quando também haverá a abertura dos Jogos Paralímpicos, no Rio de Janeiro.

Ainda na conversa com ministros no dia da posse, Temer demonstrou preocupação com a fragmentação da base. “Tivemos um pequeno embaraço, até na base governamental. É uma divisão inadmissível. Se é governo, tem que ser governo.” O comentário foi em relação ao racha provocado pelo fatiamento da votação do impeachment, em que senadores decidiram manter direitos políticos de Dilma. Oito parlamentares do PMDB que haviam votado pelo impeachment foram contra a inabilitação para exercer cargos públicos. Um dos principais defensores da posição foi o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que viajou na comitiva presidencial para a China.

Na sexta-feira, PSDB, DEM, PPS e Solidariedade protocolaram mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando o fatiamento da votação e com a intenção de anular a decisão que mantém os direitos da ex-presidente. Eles defendem que a aprovação do impeachment já caracterizaria a inelegibilidade de Dilma por oito anos. Pressionado, Michel Temer autorizou o PMDB a assinar o mandado de segurança, já como a primeira iniciativa para apaziguar a base. Parece que a estratégia surtiu efeito. Um dos mais críticos quanto ao fatiamento do impeachment, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), abrandou o discurso. “Temos que ter muita responsabilidade. A crise é gravíssima e precisamos tomar as medidas necessárias. Não podemos nos deixar contaminar pela divergência”, reforça Cunha Lima. “Mas a votação em separado não tinha amparo constitucional”, completa.

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