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Política e Brasil

Eleições 2016: Candidatos restringem problemas de mobilidade à regulamentação do Uber

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Em vez de discutir os problemas no transporte público, candidatos a prefeito de diversas capitais restringem debate à regulamentação do Uber

Naira Trindade / , Patrícia Rodrigues – Especial para o CB

O grande tema impulsionador dos protestos de rua de 2013, a mobilidade urbana, está praticamente de fora das campanhas municipais deste ano. Há três anos, os atuais prefeitos que buscam a reeleição ou a eleição de sucessores, viram seus níveis de aprovação e popularidade despencarem, pressionados pelo slogan “não são só R$ 0,20” – relativo ao aumento na tarifa de ônibus de São Paulo. Hoje, o grande embate sobre o tema é a polêmica envolvendo os motoristas de táxis e Uber.

Preocupados em agradar grupos organizados ou ganhar votos de determinadas classes, candidatos destrincham opiniões sobre se vão permitir ou não o uso de aplicativos que cooptam passageiros para transporte em carros particulares. “Tudo é muito raso porque o prefeito acaba tendo de entrar em temas variados num curto período de tempo e tem pouco espaço para um debate mais aprofundado”, avaliou o cientista política Cristiano Noronha.

Para o cientista político Paulo Kramer, o barulho que as minorias fazem em relação ao tema motiva candidatos a se manifestarem. “Deveriam pensar em transporte coletivo, mas estão mais atentos aos lobbies concentrados. Os candidatos temem a capacidade de mobilização desses grupos, que eles saiam falando mal deles”, disse.

No Rio de Janeiro, o candidato a prefeito Carlos Osório (PSDB) foi categórico ao definir: “Esse é o pior tema da campanha. Mas não adianta brigar com a sociedade. Agora, é injusto deixar do jeito que está. Tem que estabelecer uma regulamentação”, alegou o ex-secretário municipal e estadual de Transportes.

Marcelo Freixo (PSol-RJ) reforçou que o recente serviço precisa de regulamentação. “É uma fonte de renda de milhares de pessoas, mas precisa ser regulamentado e fiscalizado para garantir os direitos de motoristas e usuários”. Já Pedro Paulo (PMDB), que tem apoio do prefeito Eduardo Paes, promete acabar com o transporte individual. “O Uber não vai funcionar no Rio (por enquanto, funciona com base em uma liminar). São 50 mil taxistas que a gente não pode deixar na mão”, completou.

Em São Paulo, o candidato do PSDB à prefeitura, João Doria, criticou o adversário e atual prefeito, Fernando Haddad (PT), por decretar sigilo sobre as informações do Uber. “ Tem que ter transparência absoluta, ainda mais num tema como esse, polêmico, que atende ao interesse da população de forma geral. É um equívoco do prefeito”. Polêmica, a resolução de Haddad acabou revogada. “Antes de publicar algo em relação a sigilo comercial, tem que passar pela Comissão de Acesso à Informação, que decide justamente para evitar que uma secretaria possa tomar uma decisão dessa sem passar pelo gabinete do prefeito”, justificou o petista.

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