Anotações da Odebrecht sugerem depósitos para Cabral e Pezão

Documentos foram apreendidos na residência do executivo que era encarregado de distribuir propina a políticos envolvidos no escândalo na Petrobras

Papéis encontrados pela Polícia Federal na residência do executivo Benedicto Barbosa Silva Junior, da Odebrecht, podem ajudar a comprovar pagamentos realizados pela empresa a autoridades do Rio de Janeiro. Preso em das das fases da Operação Lava-Jato, Benedicto é apontado como o elo financeiro entre a empreiteira e os políticos, principalmente os cariocas. Ele foi responsável pelo acompanhamento das obras da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016.

A PF apreendeu uma infinidade de documentos no apartamento do executivo. Planilhas, extratos e anotações que sugerem pagamentos para o governador licenciado do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, e para a advogada Adriana Ancelmo, esposa do ex-governador Sérgio Cabral. São valores pequenos, o que chama a atenção —  “R$ 3.000,00” na “conta jurídica” de Luiz Fernando Pezão,  “R$ 5.800,00” para Adriana Ancelmo, “depósito (física)”. Havia ainda a indicação de um repasse para Maria Lúcia Jardim, que os policiais acreditam ser a esposa de Pezão. A movimentação teria ocorrido no ano de 2012.

Os bilhetes encontrados com Benedicto Barbosa. (Arquivo VEJA)

Os bilhetes encontrados com Benedicto Barbosa. (Arquivo VEJA)

O ex-governador Sérgio Cabral é investigado por receber propina na reforma do Maracanã. Executivos da Odebrecht e da Andrade Gutierrez já detalharam o pagamento de propinas a vários  políticos do Rio. Em delação premiada, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, confessou ter arrecadado 30 milhões de reais para a campanha de Cabral em 2010.

Em março, os investigadores da Lava-Jato divulgaram os dados de uma planilha encontrada na casa de Benedito Barbosa. Ela trazia uma lista de  270 nomes de políticos, acompanhados de valores. Cabral e Pezão apareciam na lista.

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