Políticos da base de Temer avaliam que reformas devem sair apenas em 2018

Em 2016, ainda terá que sofrer com os rescaldos das eleições municipais e, a partir de 2018, estará aberta a sucessão presidencial

Paulo de Tarso Lyra /Correio Braziliense

O presidente Michel Temer, que assumiu na última quarta-feira de maneira definitiva para um mandato de dois anos e quatro meses até 31 de dezembro de 2018, terá praticamente um ano para implementar as reformas que pretende tirar da gaveta: 2017. Em 2016, ainda terá que sofrer com os rescaldos das eleições municipais e, a partir de 2018, estará aberta a sucessão presidencial.

Se o calendário apertado fosse o único problema, Temer poderia se considerar um presidente feliz. Mas ele também terá de lidar com uma série de atritos na base de apoio, tanto na Câmara quanto no Senado, uma oposição renhida do PT e dos movimentos sociais e a disputa interna de vários nomes que estarão de olho na cadeira dele a partir de 2019.

 É consenso no mercado que o governo que assume agora, de maneira efetiva, terá de aprovar uma série de reformas estruturantes %u2014 que, por sinal, jamais avançaram concretamente ao longo de nosso curto processo democrático. Entre elas, as reformas previdenciária, política e trabalhista.

“Até o fim deste ano, aprovaremos, nas duas casas, a PEC (proposta de emenda constitucional) que limita o teto de gastos da União e iniciaremos a discussão da reforma da Previdência, que deve ser votada no ano que vem”, acredita o líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy (BA).

O tucano avalia ainda que será possível discutir alguns pontos para modernizar a legislação trabalhista, permitindo uma livre negociação entre empregadores e empregados. “Não será uma reforma, não teremos nada que retire direitos dos trabalhadores”, prometeu o tucano. Para um experiente observador político, quando muito, o governo Temer conseguirá discutir a reforma da Previdência. “A reforma trabalhista será como aquele colocado na sala. O Planalto encaminha as duas reformas para que apenas a Previdência passe”, apostou o analista.

Quem sabe, nem essa, admitiu outro aliado de Temer. “A reforma da Previdência é extremamente impopular. Se o país voltar a crescer e a arrecadação retomar um ritmo de elevação que equilibre o caixa público, poderemos adiar esse debate para quem se candidatar nas eleições de 2018”, disse um peemedebista, incomodado com a possibilidade de o governo Temer querer empunhar bandeiras tão ásperas. As reformas política e tributária dificilmente serão apreciadas.

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