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Gilmar Santos cobrou fiéis por reforma em templo antes de ter prisão decretada

Gilmar Santos é alvo de operação da PF Acesso Pago, que investiga desvios no MEC; ex-ministro Milton Ribeiro foi preso nesta manhã

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Ex- Ministro da Educação Milton Ribeiro e Gilmar Santos. Foto: Reprodução/Redes Sociais

O pastor evangélico Gilmar Santos, alvo de um mandado de prisão pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira por envolvimento em suspeitas de corrupção no Ministério da Educação, cobrou fiéis por reforma em um templo em seu último culto, na noite da terça-feira.

Antes da oração, já no púlpito da igreja Ministério Cristo para Todos, em Goiânia, Santos fez um apelo ao público para que contribuísse com “duas parcelas de R$ 250 ou de R$ 500” para ajudar na reforma da fachada do prédio. Ele sugeriu, a quem não tivesse condições de contribuir com esses valores, que doasse duas parcelas de R$ 200 ou de R$ 100.

— Estou pedindo em nome de Jesus que os irmãos que puderem, no término do culto, dizerem “eu posso, eu posso (contribuir financeiramente)”. Divida lá em duas parcelas. A verdade é que nossos irmãos e visitantes, quando chegam aqui, dizem “eu não imaginava que aqui dentro era tão bonito, porque lá fora a fachada está precisando, está precisando” — declarou.

Santos informou aos fiéis que, na manhã desta quarta, às 9h30, um profissional da área da construção civil compareceria ao prédio para analisar a nivelação das paredes e o posterior revestimento com vidro espelhado, e reforçou o pedido por recursos, porque “as coisas não estão fáceis”. Ele mostrou um projeto da nova fachada num telão.

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Além de Santos e Ribeiro, o pastor Arilton Moura também foi alvo de busca e apreensão e prisão, sob suspeitas de crimes na liberação de recursos do MEC para prefeituras. Em março, o MEC foi parar no centro de um escândalo após denúncias envolvendo atuação dos pastores como lobistas da pasta. De acordo com acusações reveladas pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, os religiosos prometiam a prefeitos facilitar a liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) mediante pagamento de propina.

A operação foi autorizada pela 15ª Vara Federal do Distrito Federal e apura crimes como corrupção e tráfico de influência durante a gestão de Milton Ribeiro. A investigação teve início no Supremo Tribunal Federal, mas foi enviada à primeira instância depois que Milton deixou o cargo de ministro da Educação do governo Bolsonaro.

No total, são cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e cinco prisões preventivas nos estados de Goiás, São Paulo, Pará e Distrito Federal, além de medidas cautelares como a proibição do contato entre os investigados. O prédio do MEC é um dos locais de buscas em Brasília.

Em nota, a pasta afirmou que vai colaborar com as investigações e que o governo federal “não compactua com qualquer ato irregular”.

“No sentido de esclarecer todas as questões, o MEC reforça que continua contribuindo com os órgãos de controle para que os fatos sejam esclarecidos com a maior brevidade possível”, diz a nota do ministério.

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