Mãe narra batalha do filho de 2 anos com sintomas da doença de Kawasaki e coronavírus

Na segunda-feira (27), os médicos britânicos emitiram um alerta sobre o aumento de crianças internadas em UTI em todo o país

Após a imprensa britânica divulgar o alerta de que uma síndrome inflamatória grave, com características da doença de Kawasaki, pode estar surgindo em crianças e ter relação ao coronavírus diversos casos da doença foram a tona no país. 

Um desses casos é o do filho de Gemma Brown, que foi levado ao hospital Real de Worcestershire as pressas no mês passado. 

Ao jornal “Mail Online” a mãe conta que seu filho, Bertie, apresentou febre de mais de 40°C e erupções cutâneas que começaram, inclusive, a escurecer. Os médicos inicialmente não entenderam o quadro da criança, que completou dois anos no dia que foi levada ao hospital. 

No entanto, um dos médicos diagnosticou o bebê com a doença de Kawasaki, que é uma espécie de  síndrome do choque tóxico que causa inflamação nas paredes dos vasos sanguíneos e faz com que o sistema imunológico do corpo ataque seus próprios órgãos.

 

No entanto a criança não foi testada para o coronavírus, o que deixou uma dúvida sobre o vínculo da doença com a síndrome. “Pedi que ele fosse testado, pois tinha a sensação de que havia uma conexão. Ambos atacam o sistema imunológico e toda a família estava com sintomas fracos de Covid-19 antes de Bertie adoecer”, explicou a mãe, que também tem um filho de 14 anos. 

Mas os médicos não a atenderam. “Mas eles me disseram que não havia necessidade de testar os menores de 5 anos. Não sei como o governo vai provar que existe um elo se não estiver testando pacientes”.

Na segunda-feira (27), os médicos britânicos emitiram um alerta sobre o aumento de crianças internadas em UTI em todo o país com síndromes inflamatórias não identificadas que podem ter relação com o coronavírus. 

Ao jornal “The Guardian” uma fonte do NHS explicou a situação. Esses casos acontecem quando alguém que já possui a doença de Kawasaki contrai o vírus da Covid-19, o que ocasiona complicações. 

Bertie ficou por cinco dias internado e precisou fazer transfusão de imunoglobina. “Foi horrível vê-lo assim”, disse Gemma. E continuou “Ele não teve nenhum problema respiratório, mas foi internado sozinho em uma enfermaria e era com certeza a criança em piores condições no hospital. As lesões começaram a coçar, deixando ele agoniado. A temperatura dele estava perigosamente alta, e os médicos o monitoravam o tempo todo”.

A criança nasceu prematura e sempre teve um sistema imunológico pouco resistente, o que o torna mais suscetível ao vírus. 

“Graças a Deus ele está bem agora e chegou em casa, embora ainda esteja tomando aspirina para prevenir coágulos no sangue. Ele está muito melhor. Mas o fato é que simplesmente não sabemos o que está acontecendo, pois ele não foi testado para o coronavírus”, reclama Gemma.

As autoridades de saúde voltaram a afirmar, nesta terça-feira, que “desconhecem” da morte de qualquer criança britânica por conta da síndrome, mesmo que o secretário de Estado da Saúde e Assistência Social, Matt Hancock, admita que “alguns” jovens morreram misteriosamente sem motivo aparente.

O governo não divulgou quantas crianças foram afetadas pela misteriosa síndrome, mas segundo o “Mail Online” até 20 foram hospitalizadas, a maioria com menos de 5 anos de idade. Uma delas foi internada na UTI após seu coração e pulmão falharem. 

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