Papa vai ao Marrocos falar de migração e diálogo com Islã

O papa Francisco celebra, no sábado e no domingo (30 e 31), uma visita ao Marrocos, país de maioria muçulmana, para falar do diálogo com o Islã, assim como de migração, dois temas-chave de seu pontificado

O sumo pontífice quer manter laços de amizade com o mundo muçulmano e, ao mesmo tempo, está empenhado em visitar as menores comunidades católicas do mundo, que costumam ser esquecidas pela cúpula da Igreja.

Cerca de 30.000 católicos vivem no Marrocos. A maioria é composta de estrangeiros procedentes da África subsaariana, estudantes, ou migrantes a caminho da Europa.

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No domingo, muitos deles assistirão a uma missa em um complexo esportivo, algo que não se via desde a visita de João Paulo II em 1985, já que 99% da população é muçulmana sunita.

Como aconteceu durante sua viagem em janeiro aos Emirados Árabes Unidos, o papa se reunirá com o rei do Marrocos Mohamed VI, assim como com os principais líderes religiosos muçulmanos, e visitará o mausoléu de Mohamed V – gestos a favor da tolerância religiosa.

Nesse mesmo dia, ele se reúnem com migrantes na sede da Caritas de Rabat, onde pronunciará um importante discurso.

Com essa viagem, segundo o Vaticano, o papa deseja dar esperança às minorias cristãs e aos muçulmanos convertidos, que pedem para desfrutar plenamente da liberdade de religião consagrada na Constituição marroquina.

– Liberdade de culto incompleta –

“Sonhamos com um Marrocos livre que assuma sua diversidade religiosa”, pediu, em uma nota, a Coordenadoria dos Cristãos Marroquinos.

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A organização espera que a visita seja “uma oportunidade histórica” para que o Marrocos se comprometa a fundo com a questão.

Segundo a Constituição marroquina, “o Islã é a religião do Estado, o qual garante a todos o livre exercício dos cultos”.

Diferentemente dos Emirados Árabes, o código penal marroquino não prevê pena de morte para os apóstatas do Islã e a regra em geral “é a discrição”, explicou um religioso de Rabat.

O tema é delicado.

O ministro para os Direitos Humanos, o islamista Mustapha Ramid, garantiu recentemente que a liberdade de consciência representa “uma ameaça” para a “coesão” do Marrocos, o que abriu o debate.

A conversão voluntária não é um crime, mas fazer proselitismo (“abalar a fé de um muçulmano e querer convertê-lo a outra religião”) pode custar até três anos de prisão.

O que se condena é o proselitismo agressivo”, explicou o embaixador do Marrocos em Paris, Chakib Benmoussa.

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Para ele, “a visita do papa Francisco representa algo muito importante, porque se quer lutar contra o fanatismo (…) a intolerância, mas também (…) representa um momento para o diálogo positivo entre as religiões, os povos e as civilizações”.

– Migração, outro tema difícil –

Recentemente, o papa Francisco confessou que teria gostado de ir a Marrakech em dezembro para a adoção por parte de mais de 150 países do Pacto Mundial das Nações Unidas sobre Migração. Ao final, enviou um representante.

O texto não é vinculante, mas seu objetivo é fortalecer a cooperação internacional para a “migração segura”, o que deflagrou diferenças entre países antes de sua ratificação em Nova York.

Há anos, a igreja católica local realiza um complexo trabalho social de acolhida, criando centros de recepção para migrantes em várias cidades marroquinas. A maioria é de africanos negros.

Embora as autoridades garantam que sua política de acolhida ao migrante é “humanista”, os defensores dos direitos humanos denunciam regularmente ondas de detenções e expulsões daqueles que tentam fugir pelo Mediterrâneo.

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Do Marrocos, Francisco deve ratificar os quatro princípios que defende em relação ao migrante – “acolher, proteger, promover e inserir” – e evitará falar das normas aplicadas por cada país.

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