Governo brasileiro confirma criação de escritório de negócios em Jerusalém

‘O Brasil decidiu estabelecer um escritório em Jerusalém para a promoção do comércio, investimento, tecnologia e inovação’, afirma prévia de documento

A viagem do presidente Jair Bolsonaro a Israel foi anunciada sob uma expectativa: a transferência da embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém, uma promessa feita ainda antes da posse. Entretanto, segundo diplomatas familiarizados com as negociações, Israel sinalizou que aceitaria receber menos que o prometido, como a abertura de um escritório de representação do Brasil em Jerusalém, que teria menor peso que a embaixada, mas ainda assim com valor político. Esse foi o movimento confirmado hoje pelo Ministério das Relações Exteriores.

“O Brasil decidiu estabelecer um escritório em Jerusalém para a promoção do comércio, investimento, tecnologia e inovação.”, afirma o trecho divulgado pelo Itamaraty. A frase estará na declaração conjunta em que será anunciado o novo escritório de representação brasileira em Jerusalém.

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A abertura do escritório de negócios é o primeiro passo para concretizar a promessa que aproximou o presidente brasileiro do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. A promessa de transferência da embaixada, feita antes da posse, lembra a que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também fez. O americano levou nove meses para tomar a decisão final de mudar a embaixada americana de Tel Aviv para Jerusalém. Já Bolsonaro, apesar de ter falado seguidas vezes antes de tomar posse que faria a mudança de embaixada, passou a ser mais cuidadoso com o assunto desde que assumiu o mandato.

Ainda que a embaixada brasileira permaneça em Tel Aviv, a abertura do escritório de negócios — mesma medida tomada pela Hungria, outra grande aliada de Netanyahu — não deixará de provocar reações dos palestinos e dos países árabes. O tema é delicado porque o setor oriental (árabe) de Jerusalém é considerado território ocupado pela ONU. Segundo resoluções do Conselho de Segurança, o status final da cidade só pode ser determinado em negociações entre israelenses e palestinos, que reivindicam o setor oriental como capital do seu futuro Estado.

A mudança da política brasileira em relação ao conflito israelense-palestino, com um maior alinhamento às posições de Israel, teve influência, entre outros setores, de líderes evangélicos que apoiaram a eleição de Bolsonaro. Segundo a crença de determinados grupos evangélicos, que têm força também nos Estados Unidos, Jerusalém deve estar nas mãos do povo judeu para que ocorra a volta do messias.

Até agora, só a Guatemala seguiu a política americana de mudança da embaixada. Ao tomar essa posição, o presidente Jimmy Morales, que também se elegeu com o apoio de setores evangélicos, conseguiu em troca que os Estados Unidos aceitassem tacitamente sua decisão de expulsar uma comissão anticorrupção da ONU que envolveu sua família na investigação de crimes eleitorais.

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