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Nadia Murad, de escrava sexual do Estado Islâmico a vencedora do Nobel da Paz

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Com apenas 25 anos, depois de ter sobrevivido a meses de calvário nas mãos de extremistas no Iraque e de se tornar porta-voz da minoria yazidi, Nadia Murad recebe o Prêmio Nobel da Paz na próxima segunda-feira (10).

A jovem iraquiana foi agraciada com este prêmio em outubro, junto com o médico congolês Denis Muwkege, por seus esforços para “pôr fim ao uso da violência sexual como arma de guerra”.

Primeira personalidade iraquiana a receber essa distinção, Nadia Murad segue, da Alemanha – país onde vive -, “o combate de seu povo para que os países europeus acolham os deslocados yazidis e para que se reconheça como genocídio as perseguições cometidas em 2014 pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI).

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Para isso, os yazidis contam com uma grande aliada: Amal Clooney, a advogada e ativista dos direitos humanos anglo-libanesa, que escreveu o prólogo do livro de Nadia “Eu serei a última”.

Nadia poderia ter desfrutado de uma vida tranquila em sua cidade natal, Kosho, perto do reduto yazidi de Sinjar, uma zona montanhosa entre Iraque e Síria.

Mas o rápido avanço do EI em 2014 mudou seu destino.

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Em agosto de 2014, ela foi sequestrada e levada à força para Mossul, um bastião do EI reconquistado há mais de um ano. Este foi o início de um calvário de muitos meses: torturada, disse ter sido vítima de múltiplos estupros coletivos antes de ser vendida diversas vezes como escrava sexual.

Naquele ano, o EI teve uma rápida ascensão e assumiu o controle de amplas faixas do país. Em agosto, foi o povoado de Murad, perto do reduto yazidi de Sinjar (norte), que sucumbiu à invasão dos jihadistas.

Nadia Murad – assim como sua amiga Lamiya Aji Bashar, com a qual venceu o Prêmio Sakharov do Parlamento Europeu em 2016 – repete sem cessar que mais de 3.000 yazidis continuam desaparecidas e que provavelmente permanecem em cativeiro.

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– Torturas e estupros –

Os extremistas queriam “roubar nossa honra, mas perderam a honra deles”, disse aos eurodeputados Nadia Murad, que foi nomeada embaixadora da Boa Vontade da ONU e luta pela proteção das vítimas do tráfico de pessoas.

Além de sofrer torturas e estupros, Murad teve de renunciar a sua fé yazidi, uma religião ancestral desprezada pelo EI, praticada por meio milhão de pessoas no Curdistão iraquiano.

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