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Donald Trump diz que Irã violou regras e não certifica acordo nuclear

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Donald Trump diz que Irã violou regras e não certifica acordo nuclear

Em pronunciamento, presidente anunciou estratégia mais dura em relação a programa nuclear do país e combate ao terrorismo. Decisão não significa que EUA estão fora do pacto firmado em 2015.

O presidente americano, Donald Trump, não certificou o acordo nuclear com o Irã em discurso na Casa Branca nesta sexta-feira (13). A decisão confirma previsões de analistas e da imprensa sobre a nova estratégia dos Estados Unidos em relação ao país, reforçadas por declarações do secretário de Estado, Rex Tillerson.

A lei obriga o presidente a certificar ou não no Congresso, a cada 90 dias, que Teerã respeita o acordo e que este é do interesse dos Estados Unidos. “Com base no histórico de fatos, estou anunciando que não podemos e não iremos fazer essa certificação”, disse durante o pronunciamento.

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A “descertificação” não significa, no entanto, que os Estados Unidos estão fora do pacto ou que as sanções ao país, suspensas há dois anos, voltarão a ser impostas imediatamente.

O presidente disse que ordenou ao governo trabalhar em estreita colaboração com o Congresso para remediar as “inúmeras falhas” do texto e garantir que a República Islâmica não possa ameaçar os EUA com armas nucleares. Ele acrescentou que, se não houver mudanças, poderá acabar com o acordo.

O Congresso terá 60 dias para decidir retomar as sanções, modificar a legislação ou não fazer nada. Qualquer decisão de reimpor sanções ao país encerraria automaticamente a participação dos EUA no pacto.

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Estratégia mais combativa

No discurso, Trump detalhou uma abordagem mais combativa em relação ao Irã e seus programas nuclear e de mísseis balísticos, além de seu apoio financeiro e militar a grupos extremistas no Oriente Médio. “Quanto mais nós ignorarmos uma ameaça, mais perigosa ela é”, afirmou.

Sobre o acordo nuclear, o republicano disse que o Irã violou regras “várias vezes” e “não está cumprindo o espírito” do pacto. Ele voltou a afirmar que o acordo foi “uma das piores transações unilaterais” em que os EUA já entraram e advertiu que pode abandoná-lo a qualquer momento.

“Não vamos continuar por um caminho cuja conclusão previsível é mais violência, terror e a ameaça muito real da explosão nuclear do Irã”, acrescentou.

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Trump também deu ao Departamento do Tesouro dos EUA maior autoridade para impor sanções econômicas contra pessoas e entidades ligadas às forças militares iranianas, a Guarda Revolucionária, em resposta ao que Washington chama de esforços para desestabilizar e enfraquecer seus adversários no Oriente Médio.

Decisão polêmica

O questionamento do acordo nuclear, conquista emblemática de seu antecessor, Barack Obama, é uma das decisões mais polêmicas de Trump, nove meses depois de sua posse na Casa Branca.

Desde a campanha presidencial, o republicano faz duras críticas ao pacto firmado pela administração do ex-presidente. “É o pior acordo”, disse o republicano nesta quarta (11), criticando “a fraqueza” do governo anterior frente a Teerã.

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O presidente americano está muito isolado sobre o tema. Além de Teerã, os demais signatários do texto – Moscou, Pequim, Paris, Londres e Berlim – já advertiram sobre as consequências imprevisíveis de mudar o que foi acordado.

O que diz o acordo

O acordo nuclear com o Irã foi alcançado em julho de 2015, após quase 20 meses de negociações, entre o governo da República Islâmica e um grupo de potências internacionais, liderado pelos EUA.

O chamado grupo P5 + 1 – cinco membros do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha – aceitou encerrar as sanções ligadas ao programa nuclear iraniano, em troca de seu desmantelamento.

O pacto permite que o Irã prossiga no desenvolvimento de seu programa nuclear para fins comerciais, médicos e industriais, em linha com os padrões internacionais de não proliferação de armas atômicas.

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