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Estado Islâmico cobra até US$ 1.000 para libertar escudos humanos

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Grupo obriga homens de Raqqa a usar trajes de jihadistas para dificultar distinção

 

DAMASCO — Terroristas do Estado Islâmico (EI) têm cobrado até US$ 1 mil de moradores da cidade síria de Raqqa para que eles deixem de ser usados como escudo humano e possam fugir de forma segura da região. A informação é da agência Associated Press, que cita trabalhadores voluntários.

Com a ação da coalizão apoiada pelos Estados Unidos, entre os curdos e as Forças Democráticas da Síria contra o EI para a recuperação do território, os moradores de Raqqa passaram a ser mantidos forçadamente na cidade pelos combatentes do Estado Islâmico. A intenção é que a população sirva de como um gigantesco escudo humano contra os avanços da coalizão, posicionada a apenas 8 km da fronteira da cidade. Caso tentem fugir, os residentes teriam que enfrentar minas terrestres e armadilhas plantadas pelo EI. Aproximadamente 300 mil pessoas estão presas em Raqqa.

Todos os homens da cidade são obrigados a se vestirem com trajes dos jihadistas, com calças largas e camisetas grandes, para dificultar a distinção entre os civis e militantes. Ter informações da cidade é difícil, os poucos pontos com acesso a internet são regularmente inspecionados.

Escapar dessa situação de forma segura é muito caro para a maioria. Homens oferecem esse serviço — na maioria das vezes, combatentes do EI em busca de dinheiro rápido — cobrando por volta de US$ 300 a US$ 500 e algumas vezes, US$ 1 mil, por uma fuga segura da região. Uma vez fora da cidade, ele têm que lidar com as emboscadas produzidas pelo Estado Islâmico. Aqueles que conseguem chegar nas áreas controladas pelas Forças Democráticas da Síria podem não conseguir liberação para entrar, a não ser que tenham a recomendação de alguém, segundo Muhab Nasser, um ativista de Raqqa. Ele disse que alguns conhecidos foram proibidos de acessar a área, acusados de serem infiltrados do IE ou simpatizantes.

O preço de uma fuga da Síria é ainda maior, em torno de US$ 3 mil a US$ 4 mil por pessoa, segundo Sarmad al-Jilane, um ativista da Sound & Picture, na Turquia.

A Operação Eufrates Wrath, para retomar Raqqa, é projetada para se juntar com a campanha das forças iraquianas apoiadas pelos EUA para retomar Mossul do Estado Islâmico, no Iraque — agora em seu sexto mês de luta.

Agência O Globo

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