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Desesperança entre jovens impulsiona discurso nacionalista na Holanda

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Holanda

Populista Geert Wilders deverá ser o mais votado entre os eleitores de 18 a 25 anos

BERLIM — Entre os jovens holandeses, Geert Wilders deverá ser o mais votado. Segundo o Instituto de Pesquisa Eleitoral I&O, 27% dos eleitores de 18 a 25 anos estão decididos a votar no político que tem na sua plataforma reduzir o número de marroquinos no país, proibir as mesquitas e promover a saída da Holanda da União Europeia (UE). Entre os que têm mais de 65 anos, apenas 8% apoiam o político populista.

De acordo com especialistas, trata-se de uma mudança dramática, porque há dez anos os mais novos preferiam a esquerda. Esta praticamente deixou de existir na Holanda, observa Alize Zandwijk, que acompanhou de perto a adesão da juventude à extrema-direita durante seus dez anos como diretora artística do Teatro de Roterdã.

— A política holandesa conhece hoje só centro e direita.

Em poucas cidades o universo da extrema-direita parece tão concentrado quanto em Volendam, uma aldeia de pescadores perto de Amsterdã, onde Wilders deverá ter o voto de mais de 50% da população e de quase 100% dos moradores com menos de 30 anos.

Segundo a prefeita Mevrouw Sievers, os jovens da pequena cidade veem com pessimismo o futuro, embora as chances profissionais não sejam as piores. Muitos lamentam o fim da atividade pesqueira. Dos 250 barcos de pescadores que ali existiam há 60 anos, restaram apenas dois. O jovem Friso, de 25 anos, diz que seus conterrâneos se ressentem com a UE pelo fim da atividade tradicional de Volendam após a criação de uma cota de pesca. Eles veem ainda os marroquinos como uma ameaça à cultura e um problema econômico, porque dependeriam da ajuda econômica do Estado.

Já Robert Housman, candidato do Partido da Liberdade (PVV) em Limburg, província de origem de Wilders, diz que sobretudo os jovens são contra a UE porque “não querem ver seu futuro econômico ameaçado com a ajuda à Grécia”.

Mesmo com previsão de crescimento da economia de quase 2%, muitos holandeses veem com pessimismo a situação do país. Segundo Donny Bonsink, adolescente ativista pro-Wilders, os jovens não votam mais no partido do premier Mark Rutte por ele ter deixado de cumprir a promessa de dar mil euros de ajuda fiscal aos holandeses que trabalham.

Mas a preferência de parte da juventude pela extrema-direita é um fenômeno observado também em outros países europeus, como na França, onde 34% dos jovens pretendem votar em Marine Le Pen, da Frente Nacional. “Os jovens europeus são os maiores fãs dos extremistas de direita”, escreveu o jornal alemão “Die Welt”.

Agência O Globo

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