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Brexit põe em risco partilha de Inteligência dentro da UE

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Com saída do bloco, Reino Unido teme deixar de ter acesso a dados da Europol

LONDRES E BRUXELAS – A tragédia deflagrada no coração do Reino Unido, na última quarta-feira, serviu como um lembrete à primeira-ministra Theresa May sobre os acordos de segurança compartilhados com os países europeus de que ela está prestes a se desvincular, com a saída britânica da União Europeia (UE). Horas antes do ataque, o chefe da agência de polícia do bloco, a Europol, alertara para o grande grupo de indivíduos radicalizados no país, o que representaria uma ameaça constante não só ao Reino Unido, mas para toda a Europa.

O país é um dos três principais utilizadores dos dados da Europol. Mas, ao deixar a UE, corre o risco de ser excluído dessa cooperação, tornando-se mais vulnerável aos radicais islâmicos que mataram 300 pessoas em todo o continente nos últimos dois anos. Por outro lado, o incidente serve, ainda, como um argumento poderoso para a manutenção deste aspecto-chave de cooperação com o bloco. Segundo oficiais de segurança europeus, apenas no último ano, a partilha de informações sobre potenciais ameaças aumentou dez vezes na UE.

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País tem grande aparato de espionagem

No início do mês, a secretária de Interior do Reino Unido, Amber Rudd, declarou que manter o sistema de compartilhamento de segurança era uma prioridade para o Reino Unido. O documento do governo sobre o Brexit indica que há a pretensão de “continuar mantendo uma cooperação profunda com a União Europeia e os Estados-membros” no que diz respeito a segurança e terrorismo.

“Desde o atentado de Bruxelas (no ano passado), o nível de ameaça na União Europeia só aumentou”, declarou o grupo Soufan, firma de consultoria especializada em segurança, em comunicado, anteontem. “Muitos combatentes estrangeiros viajaram para o Iraque e a Síria, e um número desconhecido retornou à UE. Isso mostra que o desafio enfrentado pela segurança e a Inteligência europeia é enorme”.

Ainda assim, oficiais da UE estão instruindo o bloco a se preparar para a saída do Reino Unido sem um acordo sobre qualquer forma de cooperação. Antes do ataque a Londres, o Center for European Reform (CER) e o ex-vice-primeiro-ministro britânico Nick Clegg emitiram alertas sobre o tema. O CER disse que o Reino Unido não pode ser um membro do sistema europeu de mandado de detenção se não for membro da União Europeia; Clegg, por sua vez, alertou que a UE só compartilhará dados por meio de acordos.

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Mas, após os ataques, autoridades europeias advertiram que o compartilhamento de informações não deveria ser prejudicado pelo Brexit:

— O Reino Unido conta com aparatos de segurança e Inteligência impressionantes. É um dos países com que os outros querem compartilhar informações ativamente — disse Brian Painter, diretor de Planejamento de Segurança da Discreet Help, empresa especializada em riscos.

Os países da União Europeia também compartilham dados de passageiros aéreos e informações sobre suspeitos. No início da semana, o Reino Unido seguiu os EUA na decisão de banir aparelhos eletrônicos em voos de seis países de maioria muçulmana. A medida foi justificada por possíveis ameaças de terroristas de grupos como o Estado Islâmico e a al-Qaeda, que poderiam esconder uma bomba em dispositivos eletrônicos como um laptop. O Reino Unido ainda faz parte do antigo pacto de compartilhamento de Inteligência Five Eyes, com Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

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