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Artigo: De Erdogan a Wilders, tudo é para conseguir mais eleitores

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Escalada da crise é exemplo de campanhas gerando incidentes internacionais

A escalada da crise entre a Turquia e a Holanda é um exemplo surpreendente de como as campanhas eleitorais cruciais deste ano podem se transformar em incidentes internacionais. Os holandeses vão às urnas amanhã para uma eleição parlamentar vista como um sinal para o futuro político da Europa, e todos os olhos estão focados no populista de extrema-direita, eurocético e anti-islâmico Geert Wilders. Enquanto isso, a Turquia irá realizar um referendo no mês que vem sobre mudanças constitucionais que podem eliminar o sistema parlamentar do país em favor de uma Presidência sob o poderoso mandato de Recep Tayyip Erdogan.

Em suas propostas eleitorais, Erdogan e Wilders encontraram bichos-papões úteis no país um do outro. “A explicação para a ‘crise’ turco-holandesa deste fim de semana é bem direta”, escreveu o cientista político Cas Mudde, da Universidade da Geórgia, em mensagem para o “Today’s WorldView”. “Ambos os países estão atualmente mergulhados em campanhas eleitorais que são dominadas pelo nativismo autoritário”.

O drama começou depois que dois ministros turcos foram impedidos de participar de manifestações na Holanda. Os votos da importante diáspora turca no Norte da Europa podem ser fundamentais para a causa de Erdogan, e seus partidários marcaram comícios para impulsionar a campanha em várias cidades europeias.

As cenas em Roterdã provocaram raiva em ambos os países. Wilders, que ancora sua política numa rejeição ao Islã e à imigração muçulmana, chamou os manifestantes de anti-holandeses. Já autoridades turcas classificaram as ações do governo holandês de fascismo e argumentaram que o primeiro-ministro Mark Rutte, um político de centro-direita que tenta vencer Wilders, estava promovendo o fanatismo.

Ironicamente, embora as autoridades turcas comentem com raiva sobre a supressão de assembleias turcas pacíficas e democráticas, os críticos afirmam que o referendo de Erdogan é um método para afiançar seu governo autoritário. Ainda assim, não há garantia de que o campo do “sim”, a favor de Erdogan, venha a ganhar — as pesquisas de opinião turcas, como sempre, sugerem um resultado apertado, com a oposição amargurada e dividida do país se unindo contra o presidente. Assim, Erdogan está usando seu já testado manual nacionalista para ganhar votos.

A ironia, claro, é que Wilders pode usar os mesmos incidentes do fim de semana para conseguir um impulso eleitoral. O político de extrema-direita há muito critica asperamente Erdogan — que ele chama de ditador — e os líderes europeus que supostamente o satisfazem.

“Quando a sociedade é levada a odiar os muçulmanos com argumentos xenófobos, eventualmente ela começa a odiar todos os outros, quer mais restrições, mais paredes e mais protecionismo”, disse um colunista turco no “Daily Sabah“, um jornal pró-Erdogan. “E isso trará o fim da união que os europeus passaram décadas construindo e estabelecendo.”

A frase é música para os ouvidos de Wilders e seus seguidores de extrema-direita.

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