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Apesar de atrasos, Farc começam a entregar arsenal a autoridades

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Em etapa crucial, guerrilheiros se deslocam para zonas de normalização

BUENOS AIRES – Na Colômbia, após a assinatura do acordo de paz, o cronograma acordado entre as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e o governo tem enfrentado alguns contratempos, mas analistas afirmam que ambos os lados estão decididos a continuar avançando. Como primeira medida no processo de armazenamento gradual do armamento, foram recebidas na sexta-feira 140 armas individuais de homens e mulheres que integram o Mecanismo de Monitoramento e Verificação, de acordo com a missão das Nações Unidas no país.

O desarmamento deve terminar, segundo o pacto selado com o governo de Juan Manuel Santos, no próximo dia 1º de junho. Mas, na opinião de analistas locais, é um prazo difícil de ser cumprido, não por falta de vontade das partes, mas pela complexidade de um entendimento inédito e histórico para o país.

Jorge Restrepo, diretor do Centro de Recursos para a Análise de Conflitos (Cerac), lembra, no entanto, que apesar das demoras, não há descumprimentos.

— Não estamos falando de dois exércitos que se retiram, é uma guerra interna e com muitos elementos em jogo — ponderou. — O processo está avançando num ritmo razoável e positivo.

Pedro Santana, analista de conflitos, afirma ainda que as Farc já entregaram explosivos instáveis, ou seja, que não podem ser controlados, e ainda deram as coordenadas para localizar armamentos pesados. Para ele, algo importantíssimo — mas pouco destacado e reconhecido pelos próprios colombianos — é que os principais líderes da guerrilha passaram a andar desarmados.

— Temos alguns atrasos, é verdade, mas eu diria que as Farc estão, em grande medida, cumprindo sua parte do acordo. A cúpula das Farc participa de reuniões em Bogotá sem armas, o que, para mim, é sinal de que o processo vai bem.

O deslocamento da guerrilha para as zonas de normalização — onde estão sendo construídos os acampamentos para que os ex-combatentes se instalem e iniciem o retorno à vida civil — também tem esbarrado em obstáculos. A própria ONU questionou as condições sanitárias das áreas e exigiu ao governo de Santos que cumpra sua parte.

Na opinião de Santana, hoje a guerrilha vive em piores condições do que quando estava em combate:

— O governo falhou em questões essenciais. Não foram cumpridas condições mínimas para uma subsistência digna, essa era uma responsabilidade do Estado e do governo — apontou o especialista.

No começo do mês, tiveram início as operações para a saída de menores de idade. E no último dia 14, o Congresso colombiano aprovou a criação da Jurisdição Especial para a Paz, que irá julgar e sancionar ex-guerrilheiros e militares que tenham cometido violações de direitos humanos durante o conflito que durou 52 anos e deixou mais de 260 mil mortos.

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