Siga o Jornal de Brasília

Internacional

A Europa contra os imigrantes

Avatar

Publicado

em

Pesquisa mostra que cresce a rejeição a refugiados no Velho Continente, escancara preconceitos contra cidadãos islâmicos e deixa a líder alemã Angela Merkel cada vez mais isolada

A maior esperança dos detratores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, era a convicção de que o mundo via com péssimos olhos as políticas populistas do novo líder americano (apesar de ele receber inequívoco apoio da parte da população que o elegeu).

A confiança pode ir por água abaixo depois da revelação de que a maioria das pessoas na Europa aprova u18ma das principais medidas de Trump: a proibição da entrada de imigrantes de sete países muçulmanos. É a conclusão de uma pesquisa que perguntou à população europeia se a imigração de nações predominantemente islâmicas deveria ser barrada.

▼ CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE ▼

Mais de metade dos habitantes do Velho Continente concorda com o veto. O europeu médio tem repulsa à figura de Trump, mas o levantamento mostra que muitos deles estão mais alinhados ao presidente do que se supõe. “Ele é um animador de auditório, do tipo que não faz muito sucesso na Europa”, diz Ricardo Mendes, responsável pelo escritório nos Estados Unidos da consultoria Prospectiva. “Porém, o europeu está sob muita pressão por conta dos imigrantes que chegam aos seus países.”
Apesar de o sentimento contra refugiados ser mais intenso na Áustria, Bélgica, França, Hungria e Polônia, mes
mo os lugares mais tolerantes apresentam índices extremamente altos de xenofobia. Entre os países consultados, a Espanha é o que tem a população mais aberta. Mesmo assim, 41% concordam que a entrada de imigrantes vindos de nações muçulmanas deveria acabar. Em nenhum local, mais de um terço discorda. Os achados também revelam como o anti-islamismo é especialmente intenso entre os mais velhos (60%), os menos educados (59%) e os que vivem no campo (58%). No entanto, os números ainda ficam perto da metade entre os mais novos, mais educados e que vivem nas cidades. “Na maioria dos estados onde a oposição é forte, a direita radical está entranhada como uma força política e busca mobilizar essa angústia contra o Islã nas urnas”, afirma o relatório da pesquisa, realizada pelo instituto de relações internacionais Chatam House.

Onda de populismo

Uma onda de populistas, oportunistas e aventureiros conquista espaço na Europa. Eles alcançaram vitórias eleitorais expressivas, como a saída do Reino Unido da União Europeia e a consequente abdicação do ex-premiê David Cameron. Na Itália, a derrota em um referendo constitucional também obrigou o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi a deixar o posto. Em 2017, países importantes como a França farão eleições. Lá, a principal candidata é Marine Le Pen, chefe do partido fascistoide Frente Nacional. Angela Merkel deve se reeleger na Alemanha, mas o partido de extrema direita AFD vem crescendo nos estudos de opinião e pode conquistar cadeiras no Parlamento. Na Holanda, os radicais do PVV, com promessas como a de banir mesquitas do país, também conquistam eleitores. “Os populistas ficaram felizes quando leram a pesquisa”, diz Oliver Stuenkel, membro do Instituto Global de Políticas Públicas, em Berlim.

▼ CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE ▼

Quando perguntados diretamente sobre Trump, os europeus mostram uma postura diferente. Em um levantamento feito antes da eleição americana pelo Pew Research Center, a maioria dos cidadãos dizia não confiar no então candidato – cuja rejeição se aproximava dos 90% na Suécia, Alemanha, França e Reino Unido. De acordo com Stuenkel, isso se deve ao estilo bufão do mandatário. “O eleitor europeu prefere tipos mais sóbrios, com ares de tecnocrata.” É claro, existem exceções. A mais célebre delas é o comediante Beppe Grillo, líder do Movimento Cinco Estrelas, a força política em ascensão na Itália. “Eles não necessariamente apoiam o presidente americano, mas sim as medidas que ele defende”, afirma Mendes.

Atualmente, há um enorme fosso separando as pessoas da elite política tradicional. Quando anunciou que barraria a entrada dos países islâmicos, Trump foi achincalhado duramente na Europa, do esquerdista François Hollande à direitista Merkel – que precisou lhe “explicar” como a Convenção de Genebra protege refugiados. O cidadão comum, porém, parece possuir outra opinião e quer que seus mandatários desrespeitem os protocolos existentes. Uma pesquisa Ipsos mostra que mais da metade da população de 22 nações acredita que seu país está em declínio e que os políticos tradicionais não estão dispostos a resolver os problemas da população. Resultado: 49% das pessoas apoiam líderes fortes dispostos a quebrar regras. “Os políticos tradicionais não estão falando dos imigrantes, mas os de extrema direita, sim”, diz Mendes. “Com os radicais dominando o debate, uma solução moderada não vai aparecer.”

Com radicais dominando o debate sobre imigrantes, uma solução moderada não vai aparecer

▼ CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE ▼

Continue lendo
Publicidade
Clique para comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *