Assembleia aprova António Guterres como novo secretário-geral da ONU

Ele sucederá o sul-coreano Ban Ki-moon, que fica no cargo até dezembro.
Ex-primeiro-ministro de Portugal disse que é hora de lutar pela paz na Síria.

A Assembleia-Geral da ONU aprovou por unanimidade nesta quinta-feira (13) o português António Guterres para o cargo de secretário-geral da ONU. Ele irá suceder o sul-coreano Ban Ki-moon, que permanece na função até 31 de dezembro.

O passo desta quinta era praticamente uma formalidade, pois embora a Assembleia-Geral seja quem nomeia o líder das Nações Unidas, a verdadeira discussão e disputa entre candidatos ocorre no Conselho de Segurança.

Visitei zonas de guerra e campos de refugiados onde você se pergunta legitimamente o que aconteceu com a dignidade da pessoa humana. O que nos tornou imunes aos apuros dos mais desprivilegiados?”
António Guterres
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Guterres pediu nesta quinta às grandes potências que superem suas divisões sobre a Síria, ante a proximidade das novas discussões internacionais sobre o conflito. “Sejam quais forem as divisões, é mais importante se unir. É hora de lutarmos pela paz”, declarou Guterres durante sua primeira coletiva de imprensa depois de sua designação.

“Nos últimos 10 anos fui testemunha em primeira mão do sofrimento das pessoas mais vulneráveis no planeta. Visitei zonas de guerra e campos de refugiados onde você se pergunta legitimamente o que aconteceu com a dignidade da pessoa humana. O que nos tornou imunes aos apuros dos mais desprivilegiados?”, disse Guterres ante a Assembleia-Geral em seu discurso após sua designação, que pronunciou em inglês, francês e espanhol.

“A paz é hoje infelizmente a grande ausente em nosso mundo (…) A ONU tem o dever moral e o direito universal de implementar como prioridade principal a diplomacia para a paz (…) uma diplomacia capaz de atenuar tensões e de fazer com que surjam soluções pacíficas”, lembrou em seu discurso, que foi recebido com uma salva de palmas e de pé pelos embaixadores.

Diplomatas esperam que Guterres sacuda a ONU e adote reformas internas para torná-la mais rápida e eficiente. Também querem que leve novos ares à secretaria geral, depois de 10 anos de uma atitude low-profile durante o mandato de Ban.

Antonio Guterres indicado a substituir Ban Ki-moon como secretário da ONU (Foto: Petros Giannakouris/AP Photo)Antonio Guterres indicado a substituir Ban Ki-moon como secretário da ONU (Foto: Petros Giannakouris/AP Photo)

Trajetória
Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal, foi indicado e aprovado por unanimidade pelo Conselho de Segurança da ONU, em etapa que antecede a deliberação da Assembleia Geral.

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Nascido em Lisboa e formado em física e engenharia elétrica, o político de 67 anos começou sua carreira em meio à Revolução dos Cravos, movimento que pôs fim ao Estado Novo português (1932-1974), e foi um dos principais líderes do nascente Partido Socialista.

Foi secretário-geral do partido, ocupou o cargo de primeiro-ministro entre 1995 e 2002, e durante a última década (2005-2015), foi responsável pela Agência da ONU para os Refugiados (Acnur).

Nesse período, promoveu uma série de reformas que aprimoraram a atuação da agência, segundo diplomatas. Hoje o Acnur é considerado um dos órgãos mais funcionais e bem-sucedidos da ONU, organização frequentemente criticada pelo excesso de burocracia e pouco impacto na vida das pessoas.

Uma de suas principais ações à frente da Acnur foi ampliar o número de funcionários nas áreas com mais refugiados para melhorar o atendimento in loco.

Guterres também chefiou por um curto período o Conselho Europeu, órgão que reúne os chefes de Estado e governo da União Europeia. Fluente em inglês, francês e espanhol, sempre transitou bem entre os colegas do continente.

António Guterres foi nomeado secretário-geral da ONU (Foto: Reuters/Denis Balibouse)António Guterres foi nomeado secretário-geral da ONU (Foto: Reuters/Denis Balibouse)

‘Super escolha’
Após a formalização da candidatura de Guterres, na última quinta-feira, Ban Ki-moon elogiou a escolha do seu sucessor. “Conheço Guterres muito bem e considero uma super escolha”, disse Ban a repórteres em Roma, segundo relato da Reuters.

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“Sua experiência como primeiro-ministro português, seu amplo conhecimento em questões mundiais e seu intelecto irão servir-lhe bem na liderança da Organização das Nações Unidas em um período crucial”, disse Ban.

No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, disse que Guterres é “preparadíssimo” e a pessoa “adequada no mundo” para comandar a entidade.

Serra disse acreditar que a questão dos refugiados na Europa será um dos temas mais importantes durante a gestão de Guterres e ressaltou o fato de ele ter chefiado a Acnur, agência da ONU responsável pelo assunto, entre 2005 e 2015.

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