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Minimercado em condomínios, a experiência que veio para ficar

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A pandemia do novo coronavírus afetou a vida das pessoas no mundo todo. Não foi diferente no Brasil. O mercado de trabalho sofreu o golpe e diversas empresas fecharam. Mas como toda crise traz também oportunidades, as adaptações à nova realidade propiciaram a abertura de empreendimentos para melhor atender às demandas que antes não existiam. Nessa conjuntura de medo e incertezas, um modelo de negócios se mostra cada vez mais próspero: é o “home market”, o minimercado automatizado dentro de condomínios.

A ideia trouxe segurança e comodidade para os moradores, que não precisam mais sair de casa quando um produto essencial acaba ou quando sentem vontade de comer e beber algo que não tem em casa. A tendência veio para ficar. Depois de acostumadas à praticidade de fazer compras onde moram, as pessoas não querem mais ficar sem essa experiência de consumo rápido e fácil.

Hoje, na escolha de um apartamento para alugar, muitos preferem os condomínios com mercado do que com outras comodidades. O diferencial passou, inclusive, a valorizar os imóveis. Como a empresa responsável financia todos os gastos de implementação e faz repasses para saldar sua parte na conta de luz, não há custo extra para os condôminos.

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Conforme estudo realizado pela Mobilis, startup de gestão de finanças pessoais, os gastos com aplicativos de entregas, em especial para comidas prontas (iFood, Rappi e Uber Eats), cresceram 149% durante a pandemia. Embora grande parte desse aumento seja dos pedidos prontos de restaurantes, houve também uma transição das compras presenciais para as de mercado por delivery, tanto como forma de prevenção, quanto para facilitar o dia a dia.

Nesse sentido, a possibilidade de comprar sem ter que pagar ou esperar pelo delivery revolucionou ainda mais o modelo tradicional de compras presenciais. A característica mais marcante do novo negócio, o autosserviço, é o fato de que o cliente realiza todo o processo de compras sozinho, inclusive o pagamento pelos produtos. Uma das vantagens é que o home market quebra essa barreira de desconfiança por parte do consumidor, que passa a conduzir o processo de compras em seu ritmo, sem correr o risco de pegar filas ou de descobrir ao chegar em casa que o preço cobrado estava maior que o preço da etiqueta.

Lucas Arouck, fundador da empresa Stay Market, uma das pioneiras em Brasília no segmento de minimercados em condomínio, explica que a equipe busca a personalização dos produtos oferecidos com base nas preferências dos consumidores. Os produtos que saem menos são substituídos por outros e a reposição busca atender os pedidos feitos pelos moradores. Por ser uma startup nascida em Brasília mesmo, prioriza os fornecedores da cidade, ao contrário de outras iniciativas que são trazidas de outros estados e que possuem parceria com grandes fornecedores.

As lojas são monitoradas com sistema de vendas, emitindo dados operacionais e relatórios de gestão em tempo real, o que garante uma contagem precisa de mercadorias e o abastecimento, geralmente semanal. A limpeza e a manutenção dos equipamentos são feitas conforme a demanda de cada ponto de venda. As perdas ocorrem, mas não são diferentes dos mercados tradicionais. “A facilidade de ter mais uma opção de compra cabe no bolso, porque o preço praticado é bem competitivo, mesmo agora em tempos de subida de preços a cada ida ao supermercado. Selecionamos marcas conhecidas e buscamos a variedade, desde chocolates até pilhas. Vendemos picolés, por exemplo, pelo mesmo preço que o fornecedor vende em suas lojas.”

Fabiane Linhares, moradora de um condomínio na Asa Norte que possui um micromarket automatizado, confessa que não sabe como vivia antes sem ter essa comodidade: “Poder comprar a qualquer hora, inclusive de madrugada, ou quando dá preguiça forte até para trocar de roupa e sair, sem ficar preocupada com chuva, assalto, fila, sol forte, vaga para estacionar… é muito prático mesmo! Os preços são bem razoáveis, afinal é um luxo esquecer de comprar um fermento na hora de fazer um bolo e só ter que descer para comprar o produto. E me sinto segura, o mais importante.”

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Já a síndica Daiane Gomes, que administra o condomínio onde mora no Guará, destaca que sua preocupação maior desde a instalação do mercadinho era proporcionar para todos os moradores uma experiência de consumo baseada na parceria e na honestidade, na construção da confiança entre todos os envolvidos e na vontade de fazer o correto e acertar. Ela acrescenta que também pensou na população idosa do residencial, em termos de facilidade de acesso às compras sem correr riscos, como por exemplo, queda em calçadas desniveladas quando saem. “Seria menos uma dinâmica econômica e mais uma maneira de viver,principalmente em tempos de medo de pandemia, como um conjunto de ideias, valores e aspirações que orientam nossa ação no mundo e nossa percepção sobre ele”, complementa. Como administradora, ela deu a ideia de colocar picolés à venda no mesmo sistema, que foi muito bem aceita pelos moradores.

O modelo de um minimercado ou micromarket funciona com sistema de self check-out, baseado no conceito Honest Market, de mercado que depende da honestidade. Nele, o consumidor participa diretamente de todo o processo, o que estimula a prática da confiança, e pode comprar os produtos expostos em refrigeradores e prateleiras abertas. No caso de bebidas alcoólicas como cervejas, a geladeira possui uma trava que só é liberada para pessoas comprovadamente maiores de 18 anos, direto pelo aplicativo, após cadastro no celular. O morador escolhe os produtos, passa seus códigos de barras na máquina e efetua o pagamento.Ou seja, de segunda a segunda, 24h por dia, basta entrar, escolher, pagar e sair. Com certeza, um sistema que surgiu em meio à crise e veio para ficar.

Jornal de Brasília

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