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Ibaneis comenta sobre desocupações no CCBB

De acordo com o chefe do Poder Executivo local, as forças de segurança somente cumpriram o exercício da lei

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Ibaneis Rocha

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), se pronunciou nesta terça-feira (6) a respeito da desocupação de famílias que residiam em um terreno próximo ao Centro Cultural Banco do Brasil, na L4 Norte. De acordo com o chefe do Poder Executivo local, as forças de segurança e o DF Legal somente cumpriram o exercício da lei e uma determinação judicial.

O pronunciamento acontece um dia após policiais militares serem filmados durante a retirada das famílias do território. Durante a desocupação, cenas registram o momento que agentes derrubam barracos que serviam de moradia para as pessoas que habitavam o local.

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Contrário a remoção, o Partido Socialismo e Libertade (PSOL) entrou com uma representação mediante ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que desocupação fosse interrompida.

O governador explicou que as famílias retiradas do local recebe atendimento do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). Além disso, afirmou que os moradores receberam orientação para que se abriguem em casas de passagem, locais que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social.

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Futuro incerto

Mesmo após ação de desocupação no local, as 27 famílias que habitam a Ocupação CCBB, próxima à L4 Sul, permanecem onde estavam, desabrigadas e sem ter para onde ir. Sem os seus barracos, muitos dos moradores se viram obrigados a dormir em barracas improvisadas durante a chuva. Clima de incerteza sobre o futuro da ocupação preocupa os moradores.

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A ocupação é habitada por pessoas que não enxergam outra opção. “As pessoas estão aqui porque não tem onde morar, não tem como trabalhar e nem tem emprego. (…) Ninguém tem para onde ir. A gente fica aqui porque é um espaço do governo, ninguém quer invadir nada de ninguém, ninguém está aqui para roubar. Estamos aqui porque ninguém tem onde ficar”, explica Lúcia Ferreira da Silva, habitante de 60 anos de idade na Ocupação CCBB.

A remoção dos barracos não mudou a situação desses moradores, que afirmam se sentir impotentes diante do que fazer após perder o que tinham de mais próximo de uma moradia. “Eu me sinto fraca. Fraca, porque eu estou sem a minha filha agora. A minha filha não pode mais ficar comigo porque eu não tenho mais nem um barraco para colocar ela, e se eu construo outro, eles derrubam. Minha filha só tem dois meses, eu estou desesperada, não sei mais o que fazer”, lamenta a moradora Michele Silva, de 38 anos.

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Todos os moradores demonstram não ter interesse em se apropriar do terreno, e que seu interesse é apenas em ter um lugar para morar. “Eu queria que o governo entendesse que nós não queremos esse terreno. Estamos aqui porque é o lugar onde a gente trabalha, é onde a gente tem um teto para ficar. (…) Nos sentimos todos muito tristes, porque fomos agredidos pela polícia ontem, nos puxaram, jogaram spray de pimenta sabendo que nós não queremos esse terreno aqui. O que nós queremos é a nossa moradia, porque todo ser humano tem direito a uma moradia digna”, suplica a habitante Rita de Castro, habitante da ocupação há 28 anos.

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Durante a desocupação, os agentes do DF Legal ofereceram vagas em um albergue para os ocupantes no Guará, oferta que foi recusada pelos ocupantes. “Não há nada de errado em oferecer abrigo, o problema é: são famílias. Um albergue não é um lugar para uma família criar uma criança. Fora que só tinham sete vagas para homens”, explica Efraim Freitas, membro da organização BSB Invisível, que presta auxílio aos ocupantes.

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Até o fechamento da matéria, representantes dos moradores e da Companhia de Desenvolvimento Habitacional do Distrito Federal (Codhab) negociavam sobre o destino da ocupação. Durante as próximas 48h, a Codhab se comprometeu a não emitir uma nova ordem de despejo, mas muitos moradores permanecem sem sequer terem barracas para dormir nesse período.

 

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