Vacina contra covid-19 será testada no DF

Coordenador do estudo tira dúvidas sobre a fase dos testes, como eles serão feitos, quem são os voluntários do projeto e qual é a expectativa dos pesquisadores

A Universidade de Brasília (UnB) anunciou que vai começar os testes da vacina contra a covid-19 nesta semana, aplicando as primeiras doses na próxima quarta-feira (5/8), no Hospital Universitário de Brasília (HUB). A notícia deu esperança à população e também levantou curiosidades sobre o tema.

Gustavo Romero, coordenador do estudo e pesquisador do Núcleo de Medicina Tropical da UnB, detalhou pontos sobre os testes que serão feitos no Distrito Federal com a vacina produzida pela farmacêutica Sinovac Biotech.

Essa é a fase 3 dos testes, em que vamos aferir a precisão, eficácia e segurança da vacina. As duas primeiras etapas definiram que o medicamento produz efeito imunológico adequado e que há possibilidade de testar em humanos. Se tudo der certo, está pronto para registro e comercialização, que são etapas de responsabilidade do Instituto Butantan. Sabemos que há uma articulação para que ela seja produzida pelo Butantan assim que concluída com sucesso.

Os testes serão realizados com profissionais mais expostos ao vírus, aqueles que trabalham atendendo pacientes com covid-19, que ainda não tenham tido infecção. Essas pessoas da área da saúde que atenderem aos critérios podem ser voluntárias. Pedimos, como critérios, que ela tenha estado de saúde normal, seja maior de 18 anos e tenha disponibilidade para realizar o acompanhamento por um ano após a vacinação.

Quando chegamos à fase 3, que é o teste em humanos, é porque sabemos que a relação entre riscos e benefícios foi entendida como positiva e promissora. Ou seja, nessa etapa, chegamos a um nível de conhecimento razoável para entender o produto, então o voluntário pode ter apenas pequenos efeitos colaterais. Esse produto vacinal se aplica em duas doses, com intervalo de 14 dias. A pessoa toma uma vacina em um dia e recebe um reforço depois de 14 dias. Metade vai receber placebo e metade o produto vacinal. Esse acompanhamento de um ano serve para saber a resposta imunológica desenvolvida.

Há uma ansiedade muito grande da comunidade científica, da população e da mídia em saber a previsão de data de quando ela estará disponível, mas ainda é um momento precoce para fazer uma previsão razoável. O que temos de concreto é que estamos fazendo o maior esforço possível para que os ensaios sejam concluídos com sucesso e em quantidade menor de tempo possível para atender a população.

O que nós temos hoje como ferramenta mais poderosa contra o vírus é a redução do contato físico e da circulação de pessoas. Não há medicamento hoje que provou eficácia contra a covid-19, e a mensagem geral é que devemos evitar a automedicação, porque ela traz riscos reais à saúde. Se todo mundo tiver responsabilidade e começar a aplicar o distanciamento, teremos mais tempo para que as soluções sejam desenvolvidas, com menos danos da doença à sociedade.

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