Florada dos ipês que encantam e inspiram

Mesmo com o isolamento social, moradores da capital vão às ruas admirar o espetáculo das flores amarelas colorindo a cidade

Há quase cem dias sem chuvas e em meio ao cenário seco nesta época do ano, os famosos tons de amarelo dos Ipês começam a enfeitar Brasília nesta semana. Durante a pandemia do novo coronavírus, as árvores não recebem em seus caules tantos admiradores como outrora, mas alguns, mesmo no cenário de isolamento social, conseguem aproveitar a vista das flores características da árvore.

É o caso de Joana Bicalho, 54, empresária do ramo de marketing que, da janela de casa, no Jardim Botânico, consegue registrar todos os dias a evolução dos Ipês roxo e amarelo que tem no jardim de casa há 17 anos. “Ele veio com a nossa família quando nos mudamos para cá. […] Claro que eu tenho vontade de ir para a rua, mas é um conforto, consolo e um alívio. Dá vontade de ficar em casa mesmo para curtir o Ipê”, conta.

“Eles significam inspiração. Estou trabalhando e, olhando para minha janela, a vista é quase um quadro. O Ipê amarelo está florindo e o galho dele está exatamente na minha janela, ou seja, estou acompanhando o florescer dele dia a dia. Todo dia eu faço uma foto”, comenta Joana, que também é professora em uma universidade particular na Asa Norte.

Maria dos Navegantes, 45, veio do Piauí para o Distrito Federal há 20 anos e sempre se encanta com a beleza das árvores nesta época do ano. A moradora de Samambaia relata que da janela de casa também consegue admirar um dos Ipês próximos a uma ciclovia na vizinhança. Ela e o filho Matheus Henrique, de 11 anos, nas pedaladas que fazem, muitas vezes param para contemplar as árvores que encontram no caminho.

Ela é servidora terceirizada em um dos órgãos públicos federais no Plano Piloto e comenta que a visita a um dos pés amarelos ao lado da Catedral de Brasília, a 1,5 km de onde trabalha, é anual. “Saí mais cedo ali do serviço só para vim tirar umas fotos. E todo ano é assim. Eu vinha sempre quando trabalhava no Ministério da Educação. Tenho muitas histórias registradas nos Ipês dessa Esplanada”, diz.

“Temos cuidados a mais para vir aqui, é diferente agora [nesse período de pandemia]. Mas o Ipê representa alegria e felicidade. Olhar para eles é um sentimento maravilhoso”, explica.

“Vai dar tudo certo”

As árvores funcionam como alívio para as tensões diárias provocadas pela covid-19 para Josy Ferreira, 53, que aproveitou o sinal fechado na volta do trabalho para casa e fazer o registro de uma das árvores amarelas na Esplanada. O florescer dos Ipês durante a pandemia do novo coronavírus representam esperança no DF.

“Não tem como não admirar, né? É uma receptividade para qualquer turista ou qualquer pessoa. […] Brasília é seca nesse período, mas os Ipês estão aí para dizer: ‘Olha só, mesmo sem água, a gente brilha e floresce para vocês’. ‘Nos observem, a vida continua. Nada é para sempre, mas vai dar tudo certo’”, acredita.

As cores contrastantes entre o branco da Catedral, o marrom da grama seca e o azul do céu limpo, sem nuvens chamam a atenção de fotógrafos da capital, que aproveitaram para ampliar a galeria de fotos com o esplendor das flores amarelas na cidade. Isaque Oliveira Nascimento, 26, e Clevson Cordeiro, 41, tiveram as agendas canceladas pela falta de eventos sociais mas entenderam que as câmeras não poderiam ficar paradas.

“Eles [Ipês] deixam a cidade um pouco diferente, ainda mais nesse momento em que estamos vivendo. Isso faz com que a gente venha a apreciar ainda mais a cidade. Era muito difícil virmos aqui para fotografar porque geralmente estávamos trabalhando, mas aproveitamos para fazer fotos”, contou Clevson. “Representa liberdade, acho que essa é a palavra que define [esse florescer].”

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