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Tráfico de cobras é atividade conhecida no DF

Subcomandante do Policiamento Ambiental do DF informa que a prática representa grande maioria dos resgates de serpentes

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“Quase a totalidade de casos de serpentes encontradas sob posse de humanos no DF é oriunda de tráfico ou situação ilegal”, afirmou o capitão De Rocha, subcomandante do Batalhão de Polícia Militar Ambiental do Distrito Federal, que relatou um aumento no resgate de cobras exóticas após o caso envolvendo uma Naja Kaouthia – espécie originária de regiões da Ásia. “São raros os casos de serpentes regulares. Não consigo me lembrar de três casos em que isso acontecesse”, continuou o policial.

Em 2020, até o momento, o policiamento ambiental da PMDF fez o resgate de 605 animais silvestres, sendo 175 deles de serpentes – quase 30% do total.

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É por serem exóticas e não pertencentes ao habitat do Centro-Oeste – ou não haver registro ou regularização delas – que as cobras encontradas dão certeza ao oficial de serem fruto de contrabando. Por serem mais fáceis de manuseio, não emitirem sons alarmantes – como com pássaros – e resistirem à falta de água e comida por mais tempo, há maior sucesso no contrabando dos répteis.

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Encontradas em regiões como Candangolândia e Sobradinho, mais de 12 exemplares exóticos depois da Naja foram denunciados pelo 190 à Polícia Militar, variando entre quatro espécies. Outras espécies irregulares foram também voluntariamente entregues ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

“A pessoa deixa as serpentes em um local e liga fazendo uma denúncia; ou às vezes outras pessoas [ligam]. Nas últimas duas semanas resgatamos muitos animais exóticos. Depois da repercussão e do empenho das autoridades em estancar o caso [da Naja], muitos [cidadãos] passaram a abandoná-las para que fossem resgatados”, continuou o capitão. Segundo ele, as pessoas o fazem para não terem envolvimento com as investigações.

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Rocha explica que os abandonos eram feitos em pontos chaves, uma vez que se sabia que em tais locais, quem se deparasse com o animal ligaria à corporação e informariam do paradeiro do animal. Uma das solturas, por exemplo, ocorreu em frente a uma clínica veterinária na Candangolândia.

Prisão temporária

Foi preso temporariamente, na manhã desta quarta-feira (22), Gabriel Ribeiro, estudante de veterinária e amigo de Pedro Henrique Krambeck – jovem picado por cobra Naja enquanto a mantinha como animal de estimação em casa, no Guará. O jovem foi acusado de tentar obstruir investigações da Polícia Civil, sendo suspeito também de ocultar outras 16 serpentes que estariam sob posse de Pedro. A prisão ocorreu em terceira fase da Operação Snake, comandada pela 14ª Delegacia de Polícia (Gama).

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Ele foi transferido para o Departamento de Polícia Especializada (DPE), onde aguarda cumprimento da pena prevista pelo mandado da prisão, de cinco dias – prorrogáveis por mesmo período caso interpretado como necessário. A operação visa desmantelar possível esquema de tráfico internacional de animais exóticos no Distrito Federal, e Gabriel pode estar integrado ao grupo criminoso.

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Na última quinta-feira (16), a 14ª DP cumpriu com a segunda fase da investigação, quando cumpriu quatro mandados de busca e apreensão nas regiões do Guará, Gama e Riacho Fundo. De acordo com a corporação, foram apreendidos documentos, celulares, remédios de uso veterinário, outra cobra e apetrechos normalmente encontrados para a criação ilegal de animais silvestres e exóticos.

Cobras espalhadas

Após incidente ocorrido com a Naja, em que Pedro Henrique chegou a ficar em coma por picada, outros animais exóticos passaram a ser encontrados no DF. A última serpente encontrada estava em uma casa em Planaltina na noite da última terça-feira (21). O animal é conhecido como “corn snake” – cobra milho – e é encontrada normalmente nos Estados Unidos. A cobra era mantida há quatro anos pelo proprietário e vivia em uma caixa plástica.

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Ainda não há confirmação de envolvimento com o caso que envolve a Naja.

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De acordo com o parágrafo 1º do Artigo 29 da Lei nº 9.605/98, a pena para a prática do crime ambiental pode ser de detenção de seis meses a um ano. Conforme o inciso terceiro, está sujeito à mesma pena “quem vende, expõe à venda, exporta ou adquire, guarda, tem em cativeiro ou depósito, utiliza ou transporta ovos, larvas ou espécimes da fauna silvestre, nativa ou em rota migratória, bem como produtos e objetos dela oriundos, provenientes de criadouros não autorizados.

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