Enfermeira do Hran supera covid-19 e enfrenta pandemia diariamente

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Entre vitórias e perdas, Cleidy Crisóstomo conta sua experiência na linha de frente

A capacidade de superar as dificuldades e se tornar mais forte descreve bem a enfermeira Cleidy Crisóstomo. Poucos dias após se tornar a gerente de Enfermagem do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), ela precisou lidar de frente com o inimaginável: uma pandemia causada por um inimigo invisível. Desde então, tem enfrentado uma sucessão de desafios que marcaram sua vida profissional e pessoal, incluindo a vitória contra a Covid-19.

“É engraçado como nesses momentos damos mais valor às coisas simples. Quando eu estava de quarentena, perdi o olfato e não conseguia sequer espirrar direito. Sempre gostei de sentir o cheiro das coisas, e isso me fazia muita falta. Imagina a saudade que sentia de dar um abraço na minha filha de 10 anos e nos meus pais?!” conta a servidora.

Os 15 dias que precisou ficar em isolamento foram mais desafiadores do que Cleidy poderia imaginar. Principalmente porque, justamente nesse período, seu pai sofreu um derrame. “Tudo isso mexe muito com o emocional. Fiquei muito apreensiva com tudo aquilo. Mas graças a Deus meu pai está bem agora. Minha filha chorou quando finalmente pode me ver”, lembra a enfermeira, emocionada.

Mas, infelizmente, a gerente também sofreu perdas na linha de frente contra o coronavírus. Entre elas, a morte de um colega técnico de Enfermagem que trabalhava no Hran, vítima da covid-19. Ele foi o primeiro profissional de saúde do hospital a falecer devido ao vírus. “Foi uma perda trágica. Ele era muito humilde, tranquilo e deixou muitas saudades na equipe”, recorda.

Saudade

Outro tipo de saudade sentida por Cleidy é a de estar mais próxima da família. Assim como outros profissionais de saúde envolvidos no atendimento dos pacientes com coronavírus, ela precisou ficar hospedada no hotel Grand Bittar desde 22 de maio.

Apesar da falta que faz o abraço da filha, um sentimento de segurança tem sido constante para a enfermeira. “Mesmo sendo horrível ficar longe da família, no final é uma experiência boa, porque trás certo conforto sair do trabalho sem nos preocupar em expor nossos familiares ao vírus. Com a renovação recente da hospedagem, sinto que nosso trabalho está sendo reconhecido”, comenta.

Enquanto isso, de 15 em 15 dias ela tem passado pelas testagens para detectar a presença do vírus em seu organismo. Só assim consegue ter a certeza de poder visitar tranquilamente sua família e matar a saudade dos pais e da filha. Isso quando a correria do trabalho permite esses pequenos momentos.

“Além do desgaste de estar na linha de frente, os pacientes ficam dependentes e vulneráveis, porque é uma situação que afeta o emocional. É uma doença que evolui muito rápido e todo dia tem uma novidade. Em 20 anos de Hran, nunca tinha visto algo parecido”, avalia.

Enquanto a pandemia não termina, a profissional de saúde continua superando os desafios e pensando no futuro. “Ainda não dá pra prever como serão as coisas, mas torço para que tudo volte ao normal. Até o pronto-socorro lotado como era antes da pandemia tem dado saudades”, brinca a enfermeira.

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