Motoristas e cobradores à mercê de aglomerações

Funcionários não receberam EPIs nem cabine de proteção nos veículos

Funcionários da empresas rodoviárias não receberam os equipamentos de proteção individual (EPIs), e também não contam com uma cabine de proteção — recomendada pelo MPDFT — que os isole dos passageiros.

“A gente lava a mão depois de toda viagem, anda com álcool em gel, fica de máscara. Só não tem luva, mas isso eles falaram que não precisa”, disse um cobrador de ônibus sob condição de anonimato.

Apesar de elogiar os cuidados e recomendações da empresa, ele reconhece que a ausência de um único EPI pode levar a um encadeamento de infecções da covid-19. “É difícil. Se eu pego em moeda, tento passar álcool logo em seguida. Mas não tem como controlar o tempo todo onde a gente põe a mão”, relata o funcionário.

Expostos a aglomerações constantes, motoristas e cobradores de ônibus foram alvo de preocupação da força-tarefa do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), que, através da Rede Mobilidade — voltada ao transporte público — recomendou inclusive paredes de acrílico que separassem os funcionários dos passageiros.

As recomendações não foram seguidas pelas empresas ou pela Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob), e mesmo com contenções entre os assentos, os ônibus juntam usuários e colaboradores num momento de pandemia.

Para Lenna Daher, promotora do MPDFT e integrante da “Como anda meu ônibus”, iniciativa de auditoria civil, a evolução de infecções e óbitos nos arredores da capital da República é uma preocupação.

“O mês de junho tem aumentado bastante o número de casos e mortes no DF, o isolamento social que a gente verifica está reduzindo”, alerta a servidora. “Os ônibus são fechados e circulam com uma taxa de ocupação grande. Pessoas que ingressam nas cidades mais distantes, por exemplo, enfrentam um longo percurso em ambientes fechados”, atenta a promotora.

De fato, a aglomeração é grande. Segundo a Semob, neste mês, à exceção dos fins de semana e do feriado de Corpus Christi, todos os dias registraram mais de 450 mil acessos. Nos dias 5 e 10, as catracas dos ônibus foram giradas mais de 500 mil vezes. Ainda conforme a resposta da pasta, os números representam queda de 60% na quantidade de usuários do sistema de transporte rodoviário do DF.

O órgão também atentou que remanejou as frotas que atendem “setores onde o público é formado prioritariamente por estudantes” em detrimento das “regiões administrativas e o Plano Piloto nos horários de pico”.

Ainda assim, o cobrador ouvido pela reportagem garante que há dias em que, a despeito da pandemia, a lotação é de tempos de normalidade. “Geralmente enche no final da tarde, principalmente em direção a Taguatinga e Sobradinho”, aponta. “Não tem muito o que fazer. Tento tomar os cuidados depois, mas na hora não tem jeito”, lamenta o cobrador.

As campanhas publicitárias afixadas nas janelas avisam sobre o uso de máscaras, mas não de luvas. Assim, o funcionário não se sente à margem dos cuidados com a saúde.
Metrô mais seguro

A Companhia do Metropolitano informou ao Jornal de Brasília que tanto motoristas quanto operadores de bilheteria estão isolados do público. Com 42,7 mil acessos por dia, o metrô representa uma alternativa às aglomerações dos ônibus.

Ainda conforme o comunicado da concessionária, há um serviço de orientação médica e psicológica, além de um “Grupo de Trabalho Especial para receber demandas e analisar cenários em relação à covid-19”, que engloba sindicatos e associações ligadas ao serviço público.

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