Fecomércio-DF fica só na promessa. Sem hospital e talvez sem equipamentos

Segundo fontes, Fecomércio não se compromete com contrapartidas negociadas para a reabertura das atividades e deixa irritadas as autoridades do GDF

Um mês após anunciar a construção de um hospital de campanha de 400 leitos, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-DF) decidiu recuar de mais uma promessa feita ao Governo do Distrito Federal (GDF). Depois de desistir da obra da unidade de saúde que seria entregue em até 30 dias, a entidade sindical desistiu de doar equipamentos e utensílios de saúde acordados com o governo local como compensação à reabertura do comércio na cidade.

A informação de que a Fecomércio-DF estaria disposta a desistir da doação dos equipamentos para o sistema de saúde foi confirmada por uma fonte do alto comando do governo local, que demonstrou irritação com a informação. Segundo esta fonte, levando em consideração o cenário atual de pandemia causado pelo novo coronavírus, a desistência, além de ser “um absurdo total”, é “muito ruim” para o sistema de saúde da cidade.

Já havia quem acreditasse, por parte de membros do governo, que a Fecomércio-DF recuaria da entrega dos utensílios e dos materiais prometidos ao GDF, já que este novo acordo só se deu depois que o presidente da federação, Francisco Maia, abandonou o projeto prometido de um hospital de campanha de 400 leitos que seria construído em conjunto com o Serviço Social do Comércio (Sesc) e Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Veja o “protocolo de intenções”

O “protocolo de intenções” da unidade de saúde que seria construída, obtido pelo JBr, contém a assinatura de Francisco Maia, que chegou a firmar compromisso no dia 15 de maio em evento no salão nobre do Buriti. Cerca de duas semanas depois do anúncio à imprensa e à sociedade, a Fecomércio-DF afirmou que não construiria mais o hospital e que, no lugar, entregaria ao governo equipamentos. Os recuos, no entanto, acontecem em meio a um cenário de pandemia de covid-19 e de crescimento no número de contaminados no DF.

Segundo um secretário do governo, já havia o entendimento no Buriti de que a Fecomércio queria “jogar o problema no colo do governador Ibaneis (Rocha)”. “Já não estavam querendo ficar nessa obrigação”, disse a fonte. Ele explicou que, inicialmente, os valores prometidos, por meio da construção do hospital de campanha, chegavam à soma dos R$ 60 milhões; depois, o valor foi reduzido para R$ 40 milhões; e, posteriormente, anunciaram a entrega dos equipamentos com a garantia de que aproximadamente R$ 20 milhões seriam doado em utensílios.

Mesmo irritado, no entanto, o secretário não perdeu o senso de humor. Em tom de brincadeira disparou: “Vai acabar a gente tendo de dar dinheiro a eles”.

Saiba Mais 

O Distrito Federal ainda não vive um cenário de superlotação e de colapso do sistema de saúde enfrentado por diversos entes federativos, mas lembra a reportagem que o hospital de campanha foi utilizado como garantia à abertura do comércio do DF.

O objetivo inicial do governo local era de ter um total de 800 leitos de UTI até o final de julho, justamente para suprir a crescente demanda de contaminados na capital em consequência da reabertura do comércio, representado pela Fecomércio.

Adicionar Comentário

Clique aqui para adicionar um comentário

1 + 7 =

Send this to a friend