DF pode chegar a 29 mil casos de covid-19 até o fim de junho

Nos sete primeiros dias de junho foi possível observar um aumento significativo nos diagnósticos, com 6.843 novos casos na capital

O primeiro paciente contaminado pelo novo coronavírus no Distrito Federal foi diagnosticado na primeira semana de março deste ano e, desde então, os casos vêm aumentando cada dia mais. Em março foram diagnosticados 333 pacientes, este número passou para 1.438 em abril e 9.780 em maio. Nos sete primeiros dias de junho já foi possível observar um aumento significativo nos diagnósticos, foram 6.843 novos casos. Com isso, o DF já tem 16.623 casos confirmados do novo coronavírus.

A média de casos diários entre os dias 1º e 7 de junho é de 978. Se esse valor for mantido até o fim do mês, a previsão é de que o DF encerre os primeiros seis meses de 2020 com 29.327 casos confirmados de covid-19.

Esse valor pode aumentar ainda mais nas próximas semanas. Com a reabertura do comércio na capital, o número de pessoas circulando nas ruas e transporte público podem ter como resultado o aumento de pessoas necessitando de leitos de hospital para tratar dos sintomas de covid-19. 

O boletim do Governo do Distrito Federal (GDF) mostra que, às 18h de domingo (7), Ceilândia, Plano Piloto, Taguatinga e Samambaia lideram as localidades com mais casos. São, respectivamente, 1.968, 1.341, 1.149 e 987 casos em cada região.

Entretanto, se calculados os números de casos a cada 100 mil habitantes, as regiões com mais casos são alteradas. Essa estatística mostra que Lago Sul (264 casos), Sobradinho (519 casos), Paranoá (471 casos) e Riacho Fundo (262 casos) lideram o ranking, com taxa de 887,9, 730,2, 646,3 e 613,7 respectivamente.

Mesmo com o número elevado de casos confirmados registrados nos últimos dias, o DF também teve aumento nos casos de pacientes recuperados. Dentre os 16 mil casos confirmados, 8.556 já estão recuperados. Esse valor é o equivalente a 51,5%. Apenas em junho já foram confirmados 3.171 pacientes que estão livres do vírus. 

Segundo dados divulgados pela Secretaria de Saúde na manhã da última sexta-feira (5), o DF tem 35,29% dos leitos públicos de enfermaria reservados para tratamento de casos de covid-19 ocupados. São 476 leitos divididos entre o Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) e o Hospital de Campanha do Mané Garrincha. Dentre esses leitos, 168 estão ocupados. 

Nas unidades privadas de saúde, são 210 leitos destinados, exclusivamente, para tratamento de pacientes infectados com o vírus. A situação, entretanto, é um pouco diferente nos hospitais privados. Segundo a secretaria, já são 70,48% dos leitos ocupados. 

Para o médico infectologista Alexandre Cunha, o DF ainda tem uma situação privilegiada no número de leitos por habitante, mas o aumento de casos em pouco período de tempo pode vir a ser um problema. “Essa é a grande preocupação, que o número de casos muito grande em pouco período de tempo supere a capacidade de atendimento no sistema. Por enquanto a gente vê um aumento, mas ainda tem folga de leitos. Se os casos subirem de maneira muito rápida, isso poderá vir a ser um problema”, afirma. 

Para exemplificar a fala do infectologista, é possível observar, ainda pelos dados da secretaria, a quantidade de leitos da rede pública com suporte de ventilação mecânica. Dos 332 leitos disponíveis, 167 já estão ocupados. Isso representa o equivalente a 50,6%, conforme demonstrado no gráfico abaixo: 

Cunha explica que, para que a curva de aumento dos casos seja achatada, é necessário que a população tome diversos cuidados ao retomar o serviço. “É importante que, mesmo com a retomada das atividades econômicas, sejam tomadas as medidas de distanciamento social, higiene de mão, uso de máscaras de proteção, e evitar aglomerações nos locais que já foram abertos, como o comércio”, afirma. 

Quanto à flexibilização do isolamento social, adotado para ajudar no combate à proliferação do vírus na capital, ele reforça que o ideal é que seja feita em etapas. “A flexibilização precisa ser gradual, cada setor por vez, respeitando o intervalo de 10 a 15 dias entre cada nível de flexibilização já que os primeiros impactos serão notados após esse período”, diz Cunha. 

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