Após restrições, Ceilândia, Sol Nascente e Estrutural diminuem movimento

Ceilândia, Sol Nascente e Estrutural são algumas das regiões administrativas em que os casos do novo coronavírus mais cresceram nos últimos meses

O movimento nas três cidades escolhidas pelo Governo do Distrito Federal (GDF) para fechar grande parte do comércio durante 72 horas a partir desta segunda-feira (08) foi menos intenso segundo comerciantes e moradores dos locais. Ceilândia, Sol Nascente e Estrutural são algumas das regiões administrativas em que os casos do novo coronavírus mais cresceram nos últimos meses, razão pela qual o chefe do executivo local, Ibaneis Rocha, decretou as novas medidas.

No início desta manhã, as corporações que compõem a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal  (Polícias Civil e Militar, e o Corpo de Bombeiros Militar) prestaram auxílio ao DF Legal na fiscalização do movimento das cidades e de comércios. Ações similares devem se manter nos próximos dois dias.

 Em comparação ao que foi constatado, a diferença de comportamento populacional é notável.

“Nada de venda hoje”

Em Ceilândia centro, observou-se quase nenhum movimento na rua do comércio, que outrora percebia-se dificuldade para transitar, devido à quantidade de pessoas e vendedores ambulantes presentes no local. Foram-se os transeuntes e permaneceram os informais. “Nada de venda hoje”, manifestou-se um dos vendedores ambulantes de roupas, que não quis se identificar. Enquanto juntava as mercadorias de cima da bancada improvisada de madeira e as colocava dentro do porta-malas do carro, o homem tentava se conformar. “Agora não tem movimento, né. Não dá pra vender assim”, continuou.

Jessiara da Silva Sousa, 33 anos, transita pelo local todos os dias para ir e voltar da padaria onde trabalha como empacotadora, na regiao da Guariroba, em Ceilândia. “O movimento está bem melhor. Sábado, por exemplo, isso aqui estava tudo lotado. Hoje parece que o pessoal está respeitando. Na padaria o ritmo diminuiu bastante também. Mas os ônibus ainda estão lotados”, afirmou.

Por trabalhar em uma padaria, encarar ônibus cheios todos os dias no trajeto que faz entre sua casa, em Águas Lindas do Goiás, e o local de trabalho, a insegurança da contaminação passou a ser uma companhia constante. “Tenho medo de pegar e passar para a minha filha [17] e meu marido. Lá onde eu moro, no Jardim Brasília, está uma loucura, do mesmo jeito que estava aqui em Ceilândia”, contou.

O comerciante de enxovais Marcos Diones, 26, no entanto, não está satisfeito com a determinação. Ele fechou o comércio no último domingo e durante esses três dias em que a loja ficará fechada, afirmou que o prejuízo será de “mais de R$ 40 mil”. “Para mim se tivesse que fechar teria que fechar tudo, não apenas alguns nos comércios, deixando só clínica, supermercado e farmácia. Não adianta fechar três dias, um mês ou um ano. Enquanto não houver uma solução de cura, mais cedo ou mais tarde a doença vai chegar”, acredita.

Em Ceilândia um carro de som foi um dos instrumentos utilizados pela administração local para concientizar a população sobre o uso de máscaras O isolamento social e as restrições de comércio. Na gravação utilizada o administrador Marcelo Piauí ressaltava a importância dos cidadãos da cidade permanecerem em casa a fim de combater o vírus.

“No início era mais vazio”

No centro de Sol Nascente, o movimento foi menor, mas ainda mais intenso que a vizinha Ceilândia. Quem confirma a informação é o vendedor Alisson Freitas Santos, que trabalha em uma das farmácias da região. Apesar das normas estabelecidas no Decreto n° 40.872, ele relata que muitos comércios permaneceram com as portas abertas e a fiscalização deixou a desejar.

“No início da pandemia essa rua aqui era bem mais vazia, o pessoal tinha mais receio de andar na rua. Hoje parece que acostumaram. Vi muita coisa aberta: distribuidora de bebidas e até loja de calçados”, comentou. “Tem muita gente sem máscara ainda também, e do tempo que eu fiquei aqui [cerca de duas horas], não vi nenhuma fiscalização.”

De acordo com o vendedor, parte da população tem saído para cumprir com as necessidades de compra de alimentos e itens de farmácia, mas ainda há outra parcela que transita sem necessidade. “Sai só para andar de bicicleta. Acho que pensam que a doença não vai chegar e acabam saindo mais”, complementou.

Comércio controlado

Na Cidade Estrutural, no entanto, ao contrário do relatado por Alisson, o DF Legal marcou presença. Na rua principal da quadra 2 da RA, o órgão, juntamente com a Polícia Militar, fazia rondas. De acordo com Valdineide dos Santos Ferreira, moradora da região que foi comprar um remédio para as tonturas que tem sentido, as ruas estão mais “aliviadas”.

“Os lugares que tem mais gente é onde tem mercado, farmácia e lotérica”, afirmou. Segundo ela, antes da chegada dos fiscais, a circulação de pessoas estava intensa na região, fosse para as necessidades ou para outras atividades. “Mas tem mil vezes menos gente circulando por aqui”, contou a catadora da região.

“Esta ação é de extrema importância para redução dos casos nestas regiões, pois o número de casos tem aumentado. Portanto, é importante a adoção dessas de medidas sanitárias por parte do Governo do Distrito Federal para minimizar a proliferação do vírus causador da Covid -19. O planejamento das ações foi feito de forma integrada com representantes de todos os órgãos envolvidos para otimização dos meios disponíveis e utilização de dispositivos legais de cada instituição”, explicou o secretário de Segurança, o delegado Anderson Torres.

O subsecretário da subsecretaria de Operações Integradas (Sopi), da SSP/DF, coronel Cristiano de Oliveira Souza, explicou que maioria das pessoas na abordagem acatam as recomendações. As exceções estão relacionadas às atividades comerciais realizadas por ambulantes. “Não é uma tarefa fácil, porque é recorrente retirar os ambulantes e depois eles voltarem. Mas em 99% das ações têm sido como o esperado e com resultados favoráveis”, afirmou o subsecretário.

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