Administradores relatam dificuldades de população permanecer em casa

Se mudar hábitos é difícil, mais difícil ainda é mudar hábitos de quem tem uma vida em que não cabe mudanças, desabafa administrador da Estrutral

Marcelo Piauí, Major Gustavo Cunha e José Gondim, administradores de Ceilândia, Estrutural e Sol Nascente, respectivamente, têm três dias para fazer com que os moradores daquelas regiões administrativas cumpram as medidas de isolamento social implantadas há quase três meses no Distrito federal. Para isso, os gestores estão contando os órgãos de fiscalização do GDF, mas também usando de muita criatividade e experiência para fazer valer o Decreto 40.872, do governador Ibaneis Rocha, que determina entre outros o fechamento de parques, templos religiosos, shoppings, estabelecimentos comerciais de qualquer natureza nas três regiões.

Gosto pela interação social, extrema pobreza e resistência em aceitar as medidas foram alguns dos motivos alegados pelos administradores para que até hoje, quase três meses após o início do isolamento, as populações da Ceilândia, Estrutural e Sol Nascente tenham descumprido medidas como sair de casa apenas o necessário, usar álcool em gel, usar máscaras e evitar aglomerações. “A Ceilândia tem mais de 500 mil habitantes, é a maior das regiões do DF e uma cidade com muitas feiras. É uma região em que as pessoas têm a tradição de ir para às ruas, às feiras, por isso é difícil fazer com que fiquem em casa”, explicou o administrador Marcelo Piauí.

Piauí está apelando a necessidade de união de todos para evitar um problema maior. “Se for preciso, o governador vai endurecer as medidas e eu vou cumpri-las à risca, porque sei que ele está preocupado com a saúde, buscando salvar vidas”, disse. O administrador revelou que antes do último sábado, data da edição do Decreto 40.872, as pessoas estavam resistindo, mas que agora estão começando a entender a importância do isolamento social.

Extrema pobreza

Se mudar hábitos é difícil, mais difícil ainda é mudar hábitos de quem tem uma vida em que não cabe mudanças. Esse é o desafio do administrador da Cidade Estrutural, Major Gustavo Cunha. “O uso de máscaras e a higiene dos estabelecimentos comerciais é mais fácil, mas manter as pessoas em casa é difícil. Muitas dessas pessoas vivem em verdadeiros cubículos, cujos espaços entre as casas chegam a ser de cerca de pouco mais de um metro, não é fácil convencer essas pessoas a ficarem em casa, mas nós estamos fazendo nossa parte, estamos pedindo que não saiam sem necessidade”, frisou o Major Cunha, como é conhecido o administrador.

O maior problema do isolamento social na Estrutural é manter as crianças em suas residências. Apesar de as aulas online na rede pública valendo como presença estarem para começar – o que pode servir para manter as crianças fora das ruas – na Estrutural a nova modalidade de ensino não contribuirá muito com o isolamento, já que a maior parte dos moradores não tem acesso à Internet.

Medo de regras mais duras

O administrador do Sol Nascente, José Gondim, disse agora, depois do Decreto publicado na noite do último sábado a população do Sol Nascente está entendendo que ou muda o comportamento com relação ao isolamento social ou medidas mais duras virão. “Nesta manhã, todo o aparato de fiscalização do GDF está aqui, mas é preciso conscientização por parte da comunidade”, explicou. Para buscar em três dias a conscientização que há quase três meses não aconteceu Gondim está sutilizando além da fiscalização, de muita conversa, carros de som nas ruas esclarecendo sobre as regras de isolamento e de higiene a serem seguidas e buscando a parceria dos comerciantes locais. “Digo a eles que eles podem ser agentes multiplicadores das medidas”.

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