Mais de 20% das crianças do DF vivem sem figura paterna

Segundo gerente de Estudos e Análises de Proteção Social, o retrato mostra que a mãe que não tem a participação do pai, conta com a ajuda de familiares

A Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) divulgou estudo que mostra que 21,2% das crianças do DF moram apenas com as mães ou outros parentes e não convivem com a figura paterna. 

Quanto aos arranjos e composições familiares em que as crianças – população de zero a 11 anos e 11 meses – estão envolvidas, o estudo mostra que 45% das crianças que vivem com a mãe, mas sem o pai, contam com a presença dos avós. Este cenário é mais frequente nas Regiões Administrativas de renda baixa como Fercal, Itapoã, Paranoá, Recanto das Emas, SCIA/Estrutural e Varjão.

Júlia Pereira, gerente de Estudos e Análises de Proteção Social, o retrato mostra que, em geral, a mãe que não tem a participação do pai na vida do filho, conta com a ajuda de outros familiares.

“Nós temos muitos domicílios com três gerações daquela família vivendo juntas, principalmente nas RAs de baixa renda, e isso sai um pouco daquela configuração tradicional do arranjo familiar de pai, mãe, filhos. É aonde a gente vê um maior potencial de outros tipos de arranjos familiares”, analisa.

O levantamento Retratos Sociais: a população Infantil do Distrito Federal ainda faz um raio- X da situação demográfica do DF. Os dados da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílio (PDAD) levantou que 405.273 crianças viviam no Distrito Federal em 2018, o que representa 16% da população. Entre elas, a maioria (49%) tem entre 6 e 11 anos.

Quanto às condições de renda, 61,5% das crianças residem em RAs com renda média de até R$ 3.101, em domicílios de renda baixa e média-baixa; menos de 10% das crianças residem em domicílios de renda alta, com renda domiciliar média de R$ 15.622.

O estudo também calculou o Índice de bem-estar urbano (Ibeu-DF) para todas as RAs do Distrito Federal. O índice buscou captar a qualidade dos territórios no DF em relação à mobilidade, condições ambientais, condições habitacionais, de acesso a serviços públicos e infraestrutura.

Educação

Quando visto o acesso de crianças às unidades de ensino, a pesquisa revela que 70,3% das crianças frequentavam escola ou creche em 2018, proporção que vai de 68,3% nas RAs de baixa renda a 79,7% nas RAs de renda alta. Enquanto essa frequência é de 98% para as crianças de 6 a 11 anos e de 88% para as crianças de 4 e 5 anos, entre as crianças de 0 e 3 anos, é de apenas 22%.

Saúde

As Regiões Administrativas de renda baixa apresentaram um percentual mais elevado (18,3%) de domicílios que receberam visitas das equipes de Saúde da Família, em comparação aos domicílios das RAs de renda alta (1,4%), o que pode indicar uma focalização do serviço no público que mais precisa dele.

Em RAs como Riacho Fundo II, Itapoã, Gama, SCIA-Estrutural, Fercal e Brazlândia mais de 20% dos domicílios com crianças já receberam visitas de equipes de Saúde da Família.

Com informações da Agência Brasília

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