Testes em massa: Águas Claras tem 24 novos casos de covid-19 nesta quarta (22)

Nesta quarta-feira (22), 3.359 pessoas foram analisadas, de acordo com a Secretaria de Saúde do DF; 5% a mais que ontem, terça-feira (21)

“Agora vamos ficar cada um para um lado dentro de casa”, afirmou Celso Brown, um dos 41 resultados positivos para a covid-19 no Distrito Federal ontem nas testagens diárias. O aposentado de 66 anos fez o teste juntamente com a esposa, Rejane Brown, na faculdade privada Unieuro, em Águas Claras, Região Administrativa que contabilizou 75% dos casos – 31 nos três pontos. A cônjuge, no entanto, apresentou resultado negativo para a doença. Nesta quarta-feira (22), 3.359 pessoas foram analisadas, de acordo com a Secretaria de Saúde do DF; 5% a mais que ontem, terça-feira (21).

“Todo mundo está sujeito. Devo ter pegado em uma das saídas para o supermercado ou padaria”, continuou o aposentado, que, de máscara e luvas, aparentava cansaço pelas últimas 5 horas dentro do carro na espera do resultado. Ninguém do casal apresentou sintomas para a covid-19, então ambos acreditam que não haverá complicações clínicas. “Moramos sozinhos e aquilo que as organizações de saúde recomendam nós seguimos”, contou.

No Plano Piloto, foram 1.075 análises realizadas nos estacionamentos 4, 6, 11 e 13 do Parque da Cidade, tendo 3 resultados positivos. Outras 759 foram efetuadas no estacionamento do Mané Garrincha, com 7 casos confirmados para a covid-19. Em Águas Claras, 497 testagens se deram na faculdade privada Unieuro, com 12 pessoas contaminadas pela doença; 732 foram feitas na Uniplan, que registrou 12 contagiados, sendo esta a maior quantidade catalogada. Na Residência Oficial da RA, dos 296 testes, foram identificados 7 infectados.

Longa espera

“Achamos mais demorada do que esperávamos. Chegamos aqui por volta de 10h30 e só conseguimos ser atendidos agora [15h20]”, relatou o servidor público federal Dalmar, 44, cujo carro com cinco integrantes da família compôs a fila dos testes na Unieuro também por 5 horas. “Ontem tentamos vir, mas viemos um pouco tarde e ficamos do lado de fora”, disse. Juntamente com ele estavam a esposa Daniele, 40, a filha Sofia, 6, a sogra Olívia, 83, e a cunhada Pauliana, 33.

 

 

“É uma medida preventiva importante para saber quem está com o vírus para não circular mais”, comentou o servidor. Os moradores de Águas Claras afirmam que as saídas não são constantes. Esta é a segunda vez que a matriarca sai de casa, por exemplo, onde todos moram. “Eu já não costumo sair muito, então pra mim não muda tanto. Tem dois meses que eu estou ficando mais frequentemente em casa”, disse Olívia.

De acordo com a advogada Daniele, há de se ter muita criatividade para manter Sofia entretida. “Brincamos de boneca, cozinhando, assistimos filme, mas a escola tem colaborado bastante mandando bastante atividades. Mas temos tentado algumas atividades diferentes também”, afirmou.

Sobre a experiência de ficar em casa, Sofia é sincera. “Não gosto de ficar de quarentena. Mas é importante”, comenta a menina. “Fazer bolo com a mamãe” é a tarefa predileta nesses dias de confinamento. “E um dia eu e meu pai dormimos na sala tipo acampamento. É que no dia do meu aniversário [6 de abril], a gente não conseguiu dormir na varanda porque estava chovando”, explica. Mas a satisfação veio mais cedo, quando os moradores do prédio onde residem cantaram parabéns à pequena das sacadas de seus apartamentos.

Outras cidades

A Secretaria de Saúde do DF informou ao Jornal de Brasília que não há dados sobre a quantidade de pessoas de outras regiões administrativas que se dirigiram aos postos de atendimento nestes dois primeiros dias no Plano Piloto e Águas Claras. Na ficha recebida por quem fará a testagem, um dos campos de preenchimento é o de endereço. Apesar do número de testes ser baseado na população dos bairros, há quem aproveite a oportunidade para ser aferido.

No caso do idoso Joaquim José Pereira, 76, residente em Vicente Pires, a justificativa se deu pela proximidade de sua cidade com a vizinha Águas Claras e pela preocupação com a cônjuge. “Eu que saio lá em casa. Minha ‘veia’ é cadeirante. Quero saber se eu estou com o vírus ou não”, disse o ancião que tem cuidado da esposa, Valmira Neves, 79, em casa. “Quando vou à padaria e ao mercado, me afasto das pessoas. Mas o que tiver de acontecer, vai acontecer”, acredita.

Casos no DF

Até o último balanço divulgado pela Secretaria de Saúde do DF, os casos confirmados para o novo coronavírus alcançaram a marca de 961 diagnósticos no DF, 48 a mais que o número divulgado ontem. Também outra morte foi contabilizada, fechando o cenário da capital federal com 25 mortes. A quantidade de pessoas recuperadas se manteve a mesma, com 523 curados.

Do total, a segunda menor incidência de casos está concentrada na faixa etária acima dos 60 anos, com 139 infectados. Os menos afetados são aqueles de idade entre 0 e 19 anos, com 26 registros positivos para a doença. Até o momento são 31 hospitalizados e outros 31 em Unidades de Tratamento Intensivas (UTIs).

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