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Escolas cívico-militares podem voltar a funcionar no DF. Pais são contra

Segundo Ibaneis, o pedido de Bolsonaro não será atendido de imediato. Antes será feita uma análise aprofundada com os secretários para saber se há segurança

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O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha estuda junto com a secretarias de Saúde e de Educação reabrir na próxima semana as nove escolas cívico militares e as militares do DF, paralisadas desde março, devido ao distanciamento social imposto para prevenir o contágio pelo coronavírus. O pedido de retorno às aulas nestas unidades de ensino foi feito ao governador pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, que pretende autorizar na próxima semana a retomada das aulas nas unidades militares sob seu comando.

Para que seja possível abrir as escolas no DF, o governador Ibaneis disse estar discutindo com sua equipe medidas de segurança para os cerca de 15 mil alunos das escolas cívico militares e militares e de suas famílias, podendo ultrapassar 30 mil pessoas que a partir da medida poderão estar mais vulneráveis ao coronavírus.

“Testando todas as crianças, testando os professores, vendo a situação dos familiares das crianças em suas casas, porque se for uma coisa controlada nós poderemos ter no futuro um modelo para a reabertura das outas escolas, que deve acontecer no início de junho”, disse o governador.

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Segundo Ibaneis, o pedido do presidente não será atendido de imediato. Antes será feita uma análise aprofundada com os secretários para saber se há segurança para isso. O governador espera que quando reabrir todas as escolas do DF, em junho, 10% da população tenha sido testada para Covid-19. “Quando reabrir, será com segurança total”, afirmou.

 

Com relação a abertura das escolas cívico militares nos próximos dias, o secretário de Saúde do DF, Francisco Araújo, disse que “não é possível dizer que é perigoso ou que é bom abrir nesse momento”. Tenho certeza de que o governador atenderá aos parâmetros técnicos para tomar uma decisão.

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Mães e pais contra a reabertura

Mas as mães dos alunos as escolas militares do DF não gostaram da decisão do governador Ibaneis. Desde segunda-feira, quando o chefe do Executivo local saiu da reunião o com o presidente Bolsonaro decidido a considerar a ideia de reabria as escolas cívico militares e as militares, pais e mães de alunos têm se organizado para impedir que isso aconteça. Entre as ações desenvolvidas está uma petição encaminhada ao governador e ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apelando para que as unidades de ensino permaneçam fechadas.

Uma mãe que prefere não se identificar e que tem duas crianças, de seis e 13 anos, estudando na Escola Militar Pedro II, disse que se for preciso vai à Justiça para impedir que suas filhas voltem às aulas agora. “As salas de aula não têm espaço entre as carteiras e nem ventilação – são refrigeradas por ar condicionado. Se não tiver outro jeito minhas filhas vão ficar sem ir à escola”. Segundo a mãe, doeu muito ouvir do governador Ibaneis que esses alunos serviriam como teste para a reabertura de toda a rede de ensino em junho. “Nossos filhos não servem para teste”, criticou.

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Outra mãe contrária a reabertura das escolas militares e cívico militares é Júlia Faria, que tem uma filha no ensino fundamental de uma escola militar do DF. “Abrir as escolas agora é trazer a morte para dentro de casa. Não há embasamento científico ou jurídico para isso. O ensino à distância está dando certo. Para quê reabrir as escolas nesse momento”, argumentou.

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Câmara Legislativa

Até membros da Câmara Legislativa já entraram na discussão sobre a reabertura de escolas. O deputado Reginaldo Veras (PDT), que é professor e não se afastou das salas de aula, também é contra a retomada das aulas nesse momento. Como professor da rede pública do DF, Veras argumenta que as nove unidades cívico militares estão regiões carentes da cidade, cujas crianças vivem na mesma casa com idosos e não dispõem de condições ideais de higiene, o que facilitará o contágio pela covid-19. “Crianças se abraçam o tempo, as salas têm 38 alunos, como fazer para mantê-las distantes uma das outras?”, argumentou o deputado. Na tentativa de sensibilizar o governador para que deixe as escolas fechadas, Reginaldo Veras enviará ao governador ele um abaixo-assinado de pais e mães contrários a reabertura das escolas. “Sou oposição, mas sempre tive com o governador um diálogo republicano. Ele é um homem inteligente. Acho ele vai repensar e não reabrirá as escolas”, previu Veras.

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O Sindicato dos Professores do DF manifestou-se contrário a reabertura de escolas neste momento. “Se reabrir, irá expor crianças, adolescentes, professores, orientadores educacionais e pôr a vida deles em risco”, criticou o Sinpro. O Sindicato argumentou, ainda, que se tomar a decisão da retomada das aulas Ibaneis irá expor meio milhão de estudantes.

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