Dia da Consciência Negra: 63,9% dos negros do DF moram em RA de média e baixa renda

No Dia da Consciência Negra: O estudo também desagrega a raça/cor por pretos e pardos, conforme autodeclaração na PDAD 2018

Nesta quarta-feira (20) a Codeplan divulga o estudo Perfil de Raça/Cor no Distrito Federal, que ilustra o panorama recente sobre a desigualdade racial no Distrito Federal, com base nos dados da Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD/DF-2018), realizada nas 31 regiões administrativas do DF.

Os dados apresentados são desagregados por regiões administrativas que, por sua vez, são agrupadas conforme renda domiciliar média segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) – grupos de alta renda, média alta renda, média baixa renda e baixa renda.

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O estudo também desagrega a raça/cor por pretos e pardos, conforme autodeclaração na PDAD 2018. Sendo assim, quando há diferença significativa entre as duas categorias, elas são apresentadas separadamente, quando não, é utilizado o termo “negro” no estudo, que se refere à informação sobre pretos e pardos considerados como um só grupo.

“A desigualdade racial no Brasil é histórica e amplamente conhecida em diversos estudos sobre estratificação social no país. Isso quer dizer que índices mais elevados de pobreza, menor IDH e outros aspectos de maior vulnerabilidade social atingem a maioria negra na população. O estudo é um convite aos gestores, legisladores e demais leitores à reflexão sobre possíveis ações para a diminuição da desigualdade racial no Distrito Federal, a partir de algumas informações apresentadas”, explica a autora do estudo Carmelita Veneroso.

Veja abaixo os principais pontos do levantamento:

População

A população do Distrito Federal em 2018 era de 2.881.854 habitantes. Desses, 1.659.995 são negros (57,6%) – 289.710 autodeclarados pretos (10,1%), e 1.370.285 autodeclarados pardos (47,5%).

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Segundo Grupos de Regiões Administrativas, 845.208 negros residem no grupo de média baixa renda (50,9%) e 471.346 no grupo de média alta renda (28,4%), enquanto apenas 127.263 negros residem no grupo de alta renda (7,7%). Outros 216.177 negros estão no grupo de baixa renda (13%).

As regiões administrativas com maior população negra são Fercal (81,3%) e Scia-Estrutural (76,6%), pertencentes ao grupo de baixa renda, enquanto as com menor população negra são Lago Sul (23,1%), Jardim Botânico (30,0%), Park Way (30,2%) e Sudoeste/Octogonal (32,2%), todas do grupo de alta renda.

Trabalho

Cerca de 63% dos homens negros e 46% das mulheres negras trabalham, proporção similar à da população não negra. Os setores de atividade em que essas pessoas estão ocupadas variam pouco entre negros e não negros e se concentram, principalmente, nos setores de comércio e serviços.

No entanto, entre as mulheres negras, observa-se que parcela significativa delas trabalham em serviços domésticos (15,8%), enquanto 7,5% das não negras trabalham nesse setor. Quanto menor a renda do grupo da PED, maior a proporção de mulheres negras no serviço doméstico, chegando a 25,4% das mulheres negras do grupo de baixa renda.

A renda média domiciliar entre os negros é de R$ 2.928,40 e de R$ 4.833,15 entre os não negros, uma discrepância média de R$ 1.904,75. Já entre os negros e não negros do grupo de alta renda, esses valores são de R$ 7.466,77 e 9.632,81, respectivamente. No grupo de baixa renda, os negros possuem renda domiciliar de R$ 1.589,55 e os não negros de R$ 1.716,43.

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Se tratando do tipo de ocupação, a maior parte das pessoas são empregadas (mais de 60%), ou seja, trabalham para outrem, seguidas das que trabalham por conta própria ou autônomas (23,9% entre os homens e 16,0% entre as mulheres), independente da raça/cor. Nota-se que quanto menor a renda do grupo da PED, maior a proporção de ocupados que trabalham por conta própria, principalmente entre os negros (26,6%), apontando para o trabalho de menor formalidade e menor remuneração, os chamados “bicos”.

Educação

Aproximadamente 54% dos jovens negros e 56,6% dos jovens não negros do DF, entre 14 e 24 anos frequentam a escola em algum nível ou etapa de ensino. Dos jovens negros nessa faixa etária, 27,4% estão matriculados no ensino fundamental, 42,9% no ensino médio e 28,3% no ensino superior. Em relação aos não negros, essas taxas são de 23,6%, 38,3% e 36,9%, respectivamente.

Os dados mostram que a desigualdade escolar entre negros e não negros começa a aparecer no nível em que estão matriculados. Os não negros estão mais inseridos no ensino superior e os negros estão mais presentes na educação básica, o que pode sugerir acesso tardio à escola ou maior desistência ou reprovação entre negros, segundo a autora do estudo.

Essa desigualdade também é observada entre a população de 25 anos ou mais, onde cerca de 38% dos negros possuem ensino médio completo, pouco mais de 20% possui o ensino fundamental incompleto e apenas 24,6% finalizaram o ensino superior. Já entre os não negros, esse percentual é de 32,5%, 12,3% e 44%, respectivamente. Nas regiões administrativas Varjão, Fercal, Scia-Estrutural, Itapoã e Planaltina, mais de 50% da população negra completou, no máximo, o ensino fundamental.

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A disparidade escolar entre os próprios negros é significativa quando comparado o grupo de alta renda e o grupo de baixa renda, chegando a mais de 60% de diferença – apenas 8,2% dos negros das RAs de baixa renda possuem ensino superior completo, enquanto 68,3% dos negros das RAs de renda alta completaram esse nível de ensino.

Também há desigualdade entre negros e não negros nas RAs de alta renda, como os Lagos Norte e Sul, Plano Piloto e Jardim Botânico, onde mais de 75% da população não negra de 25 anos ou mais possuem ensino superior completo, enquanto esse percentual não chega a 70% dos negros.

* Com informações da Codeplan

É importante destacar que houve um aumento no número de pessoas que completaram o ensino superior entre 2011 e 2018. A proporção de negros com ensino superior completo neste período subiu de 15,3% para 24,6%. Considerando somente os negros do grupo de baixa renda, esse percentual passou de 2,3% para 8,2%. Já entre os negros do grupo de alta renda e média alta renda, o índice passou de 58,8% para 68,3% e de 22% para 35,8%, respectivamente.

Com informações da Agência Brasília.

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